"Acho que o futebol do Egito vai acabar", diz brasileiro do Al-Ahly
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, escreveu uma carta oferecendo as condolências da entidade pela tragédia que deixou mais de 70 mortos no estádio de Port Said
Do Portal Terra

Testemunha ocular da tragédia que deixou 74 mortos e centenas de feridos em Port Said, no Egito, o atacante Fábio Júnior, do Al-Ahly, relatou os momentos de horror após o apito final da partida entre a sua equipe e o Al-Masry, nesta quarta-feira (2). Em entrevista por telefone ao Sportv, nesta quinta, o brasileiro descreveu a cena dos vários feridos entre os atletas acuados no vestário pelos torcedores rivais e opinou que a tragédia pode ter severas consequências para o futebol egípcio - que teve seu campeonato nacional suspenso por tempo indeterminado após o episódio.
"Eu tive muito medo, pensei primeiro na minha família nessa hora. Mas graças a Deus, não aconteceu nada comigo. Nós estávamos no vestiário e a torcida querendo entrar e não tinha quase segurança nenhuma. No mesmo instante vinha um torcedor sangrando, outro com perna quebrada dentro do vestiário para o doutor acudir. Nesse meio, eu fiquei com muito medo e o presidente da gente (Al-Ahly) deu uma entrevista dizendo que não vai ter mais não.... Eu acho que o futebol do Egito vai acabar por causa dessa violência, porque não tem segurança nos estádios", descreveu o atacante de 29 anos, autor do gol inaugural da partida no Estádio de Port Said, que terminou com derrota por 3 a 1.
Sem nenhum ferimento após a tragédia campal, Fábio Júnior já tranquilizou seus familiares acerca dos acontecimentos no Egito, apesar de não ter tido contato direto com eles, de acordo com declaração de José Carlos, pai do atacante, ao Bandsports, já na manhã desta quinta.
"Ainda não, mas nós fizemos contato com a esposa dele pela internet", disse José, que reside em Sergipe. "Ela disse que estava bem, estava chegando em casa e ele não sofreu nada de grave", completou o pai, que explicitou que o atleta já não estava gostando de viver no país africano, para o qual se mudou em 2011, transferido do Naval, de Portugal, por 600 mil euros (cerca de R$ 1,48 milhão). O contrato do avante é de três temporadas.
Natural de Nossa Senhora da Glória, no Sergipe, Fábio Júnior surgiu no futebol no Campinense-PB, em 2000, passando por Americano-MA, Flamengo-PI, Real Madrid Castilla (a filial do time principal), Ceará, Internacional, Sport Recife, Chonnam Dragons (Coréia do Sul), Flamengo, Madureira, Vasco e Naval, antes de ir ao futebol egípcio.
Fifa
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, escreveu uma carta oferecendo as condolências da entidade pela tragédia no Egito. O suíço já havia falado em "dia negro para o futebol" na noite de quarta-feira, logo após a batalha campal ocorrida no Estádio de Port Said, no norte do país africano, após a vitória por 3 a 1 do Al-Masry sobre o Al-Ahly.
Nesta quinta, a Fifa emitiu um comunicado à imprensa em que se diz "profundamente triste pelos trágicos incidentes". A entidade informou que está "de luto" e que seus pensamentos "estão com as famílias daqueles que perderam suas vidas".
O órgão ainda ressaltou ter pedido às autoridades egípcias um "relatório completo" sobre o ocorrido "com o objetivo de avaliar o que aconteceu". A Fifa ainda lembrou ter estabelecido um regulamento bastante severo quanto à segurança nos estádios que pode "servir como guia para competições e partidas não organizadas" pela entidade - caso do jogo entre Al-Masry e Al-Ahly, válido pelo Campeonato Egípcio de futebol.
Por fim, Blatter escreveu uma carta ao presidente da Associação Egípcia de Futebol (EFA), Samir Zaher, oferecendo "total apoio com qualquer ajuda que seja necessária relacionava à esta tragédia".
Veja a íntegra da carta escrita por Joseph Blatter:
Caro presidente, caro amigo Samir
Eu gostaria de me juntar a seu país e à família do futebol no luto pela morte de dúzias de fãs de futebol egípcios e outros na partida de ontem à noite em Port Said.
Meus pensamentos estão com as famílias daqueles que perderam a vida ontem à noite e eu entendo completamente o choque e a ira do país por um desastre assim ter acontecido.
Hoje é um dia negro para o futebol e nós devemos tomar ações para assegurar que uma catástrofe desse tamanho nunca aconteça de novo. O futebol é uma força para o bem, e não devemos permitir que ele seja maltratado por aqueles que queiram o mal. Como foi discutido por telefone esta manhã, eu espero mais informações de você a respeito das circunstâncias da tragédia.
Como sempre, a Fifa se posiciona a seu lado neste momento difícil e está pronta para lhe fornecer todo o apoio de que você pode precisar.
Gertie
EM 14/02/2012 13:27:52
Good to see real expertise on dpilsay. Your contribution is most welcome.
Marcia
EM 03/02/2012 11:39:07
AGORA VAMOS ACABAR COM OS PRIVILÉGIOS DO JUDICIÁRIO, VAMOAS ACABAR COM FÉRIAS DE 60 DIAS PARA O JUDICIÁRIO, ACABAR COM A APOSENTADORIA REMUNERADA COMO MÁXIMA PUNIÇÃO ADMINISTRATIVA, JÁ QUE É PARA SACODIR A CAIXA PRETA DO JUDICIÁRIO VAMOS ALTERAR A NOVA LOMAN PARA RETIRAR ESSES PRIVILÉGIOS. BRASIL!!!
Ednilson
EM 02/02/2012 21:03:15
A FIFA DEVERIA PUNIR O EGITO E EXTINGUIR POR PELO MENOS 2 OU 3 ANOS O FUTEBOL NAQUELE PAIS POIS E INACEITAVEL O QUE OCORREU NO JOGO ENTRE AL MASRY X AL AHLY
Herivelto Canales
EM 02/02/2012 16:28:08
O futebolzinho apresentado por nossos contemporâneos, inclusive no Brasil, deveria ser extinto, pois de esporte não tem nada, de faturamento para os cartolas, tudo. E outra: onde existe futebol nos dias atuais? Resposta: em lugar nenhum. Futebol virou manipulação.
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