O golpe verde
Empresas carimbadas como ecologicamente corretas burlam as leis, passam a promover a exploração predatória de florestas no Acre e viram alvo do Ministério Público
Izabelle Torres e Vasconcelo Quadros
Nos últimos 13 anos, o marketing da madeira sustentável deu ao Acre uma invejável posição no mercado internacional. Atraídos por facilidades e incentivos fiscais, os empresários madeireiros enriqueceram e geraram divisas com suas exportações. Também abasteceram as campanhas da nova elite política regional com polpudas verbas. Parecia um ciclo virtuoso até que, na semana passada, seringueiros e ambientalistas da região entregaram ao Ministério Público do Acre um relatório listando uma série de irregularidades no processo de manejo florestal, entre elas o descumprimento das leis ambientais, a quebra de acordos das empresas com os moradores das regiões e as falhas de monitoramento pelos órgãos estaduais. Com base nessa documentação, o Ministério Público do Acre abriu um inquérito civil. ISTOÉ teve acesso aos documentos entregues à Promotoria do Meio Ambiente e a um vídeo que mostra que a Floresta Estadual do Antimary, até então considerada modelo de exploração sustentável, tem se transformado num verdadeiro cemitério de toras de madeira. “A situação é grave. Estamos atuando para restringir os danos para a natureza e para as comunidades”, diz a promotora de Justiça do Meio Ambiente, Mary Cristina do Amaral. O vídeo gravado por integrantes das entidades ambientais, na mata de Limoeiro, encostada à Floresta Estadual do Antimary, mostra que uma área de 65 mil hectares está sendo depenada pelos madeireiros. Projetada como laboratório para levar o manejo aos 60 milhões de hectares de florestas acrianas, a região é o retrato do fracasso do projeto: a agrovila de madeira, com serraria, escola, posto de saúde e várias outras casas, nunca foi usada. Os moradores reclamam que a madeireira Canaã desapareceu depois de retirar a madeira, sem pagar o que prometera à comunidade, e a mata de 11 mil hectares perdeu todas as suas árvores centenárias. “Eles disseram que em 25 anos dá para tirar de novo árvores do mesmo porte. Duvido. Já faz sete e as que ficaram, de tão finas, só servem para cabo de vassoura e palito de dente”, diz o agricultor Arnôr Nascimento Barreto. O sentimento do agricultor é respaldado por estudos técnicos. A Escola de Agricultura da USP acompanhou ações de manejo e concluiu que o prazo de 30 anos considerado ideal para que as matas se recuperem é curto demais. Segundo o estudo técnico, a exploração controlada é uma ilusão e o manejo sustentável não se sustenta. 
NA MIRA DO MP
A empresa Triunfo Laminados, de Jandir Santin, teria provocado o entupimento de córregos e rios
A primeira entidade a levantar suspeitas foi o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), ONG que nos últimos anos distribuiu às empresas o selo verde responsável por atestar a qualidade da madeira acriana nos mercados europeu e asiático. Representante no Brasil da ONG FSC, de renome mundial, o Imaflora recusou-se a certificar uma nova área de manejo florestal à Laminados Triunfo Ltda. Maior madeireira da Amazônia, a Triunfo pertence ao empresário Jandir Santin, amigo e aliado bem próximo do senador Jorge Viana (PT-AC), que, quando governador, lançou o conceito de gestão conhecido como “florestania”. A Triunfo é o principal alvo das investigações do Ministério Público. As inspeções iniciais já encontraram mostras da ação predatória da empresa em diferentes áreas cuja exploração está sob sua responsabilidade. Além do entupimento de córregos e rios, houve migração da caça e pagamentos irrisórios às comunidades pela madeira retirada. As empresas concessionárias pagam, por exemplo, cerca de R$ 20 por árvore branca e de R$ 50 por madeira dura, a grande maioria delas com idade de 200 anos. Segundo especialistas, uma árvore com seis metros cúbicos vale perto de R$ 3.500.
DESALENTO
Para o agricultor, as árvores que restaram só servem para “cabo de vassoura e palito de dente”
abdalla
EM 18/02/2012 18:03:45
e dout.... jandir santin quem diria sempre o dono da razao...honestidade nao era seu lema,,,,,,,,
Mariana
EM 28/12/2011 17:31:42
E ainda existem grandes distribuidoras de madeiras que compram deste tipo de fornecedor. Um absurdo! Todos na cadeia deveriam ser punidos.
Rozangela de Melo Martins
EM 31/10/2011 23:02:11
Amigos, isso não acontece só no Antimay. A Triunfo também retirou madeira perto da minha casa, Ramal Santa Rita, Bujari-Acre. Aqui os igarapés estão quase todos aterrados e ainda existe tora de madeira abandonadas por todos os cantos. Estão acabando com nossas florestas.
Carlos
EM 28/10/2011 17:50:58
O Slogan do governo era "ACRE - GOVERNO DA FLORESTA". A prole ainda continua a final Tião e Jorge são irmãos. Segue minha Sugestão de novo slogan: "PT O Governo que acaba com a Floresta" fica mais adequado a matéria. Cumpram seu dever que é cuidar e proteger do Estado e não fazê-lo de moeda de troca
Carlos
EM 28/10/2011 17:45:13
Essa é a realidade do Estado do Acre e isso não é de hoje. Acontece as claras por lá e só agora tem se tornado publico. É triste um Estado com uma história de luta~tão bacana ter seu nome manchado por pessoas que visam tão somente se beneficiar com o erário publico e sem pensar nas consequencias.
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