Quanto vale este paraíso?
Como prefeituras e governos estaduais usam o dinheiro arrecadado com as taxas de preservação ambiental cobradas de quem visita santuários ecológicos
Michel Alecrim
Paisagens deslumbrantes são uma eficiente armadilha para fazer com que os turistas abram suas carteiras. A expectativa de ajudar na conservação da natureza aumenta a generosidade dos visitantes. Com essas iscas, locais de preservação ambiental em vários pontos do Brasil estabeleceram taxas especiais, que deveriam ser revertidas para fins ecológicos. O problema é que o dinheiro acaba servindo para custear serviços públicos comuns. Um exemplo está no arquipélago de Fernando de Noronha, onde as 60 mil pessoas que viajam para o local todos os anos pagam uma tributação imposta pelo governo pernambucano. O dinheiro é usado no calçamento das ruas, na coleta de lixo e em despesas com pessoal – serviços que outros impostos deveriam financiar. A partir do próximo ano, o governo federal, que efetivamente cuida da maior parte do território, é que vai cobrar a conta de quem se compraz em mergulhar no mar de poluição zero de Noronha. O privilégio ficará mais caro. O acesso fechado e pago também funciona em Ilhabela (SP) e em Morro de São Paulo (BA). Vários destinos no Brasil planejam fazer o mesmo. "Nossa principal preocupação é prestar um bom
SALGADO
Quem visita Fernando de Noronha paga R$ 40,40 por dia de taxa ambiental
Em Noronha, quem se hospeda por até quatro dias paga taxa diária de R$ 40,40. A tabela varia de acordo com a permanência, mas se o encanto fizer o turista ficar mais tempo do que o previsto, os valores dobram. A quantia apurada na cobrança da taxa de deslumbramento é usada em serviços rotineiros, nada vai para o Parque Nacional Marinho, de atribuição do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O órgão do Ministério do Meio Ambiente fez licitação e entregou para uma empresa privada a cobrança de ingresso a partir de março de 2012. O custo vai variar de R$ 65 (brasileiros) a R$ 130 (estrangeiros). “Esse custo acaba espantando os turistas, que preferem muitas vezes ir para o Caribe”, protesta Francisco Ferreira da Silva, dono de uma pousada local.
serviço para o visitante e estimular o ecoturismo"
Ernesto Viveiros de Castro, coordenador de visitação do ICMBio
Cercada de polêmica também está a taxa de Ilhabela, balneário do litoral norte de São Paulo invadido por dois milhões de pessoas todos os anos. Ao chegar à ilha, os veículos de passeio pagam R$ 5. A principal destinação dos recursos também é a coleta de lixo, que ganhou veículos novos. Em Morro de São Paulo, na ilha baiana de Boipeba, a recepção para quem chega após cansativa travessia de duas horas de catamarã desde Salvador é o pagamento da taxa de R$ 10. A Prefeitura de Cairu, responsável pelo território, tem uma longa lista de destinações para a verba, que inclui até o atendimento médico.
Os pedágios ambientais devem se espalhar pelo País. O ICMBio cobra ingresso em 22 de seus 67 parques nacionais e tem projeto de instituí-los em praticamente todos. A maior arrecadação entre as unidades está no Parque da Tijuca, no Rio de Janeiro, cuja principal atração é a estátua do Cristo Redentor, um santuário da Igreja Católica. “Nossa principal preocupação é prestar um bom serviço para o visitante e estimular o ecoturismo”, argumenta o coordenador de visitação, Ernesto Viveiros de Castro. No Brasil, como em outras partes do mundo, respirar ar puro tem seu preço – e ele está cada vez mais alto.
Robson de Locksley
EM 24/08/2011 13:38:39
eu nem vou comentar nada, não por que, certa vez, fui numa agência de viagens e perguntei quanto seria uma viagem para Noronha (sonhando!). A menina que me atendeu me olhou com uma carinha de pena! (como se dissesse: não é pra voce!) EU SEI QUE NÃO É PRA MIM!
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