Comportamento
|  N° Edição:  2172 |  23.Jun.11 - 21:00 |  Atualizado em 25.Out.14 - 17:39

Milionários antes dos 30 anos

No ano passado, o Brasil ganhou 23 novos milionários por dia, muitos com menos de 30 anos. Conheça a receita de quem chegou lá tão cedo

João Loes e Wilson Aquino

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SUANDO A CAMISA
Thiago Monsores, 23 anos: pelo menos 14
horas de trabalho por dia e carrão na garagem

Quando o assunto é dinheiro, o primeiro US$ 1 milhão (R$ 1,59 milhão) é das marcas mais almejadas. Com o forte crescimento da economia nos últimos anos, tem aumentado em ritmo acelerado o número de felizardos que conseguem atingi-la no Brasil. No ano passado, 8,4 mil brasileiros entraram para esse seleto grupo, que hoje soma 155,4 mil pessoas – são 23 novos milionários por dia, segundo dados das consultorias Capgemini e Merril Lynch divulgados na semana passada. Pode parecer pouco, principalmente se comparado a países desenvolvidos como os Estados Unidos e a Alemanha ou ao total da população nacional. Porém, ao examinar a série histórica, iniciada em 2002, pode-se constatar a crescente importância dos países emergentes. Há oito anos, havia 75 mil milionários no Brasil. Em menos de uma década, o número mais do que dobrou. “A participação dos países desenvolvidos no bolo mundial continuará diminuindo diante do crescimento veloz dos novos mercados”, confirma Jean Lassingnardie, chefe de vendas e marketing global da Capgemini Global Financial Services.

A pesquisa não apresenta um perfil dos que atingiram o primeiro US$ 1 milhão. Mas especialistas em gestão de empresas ouvidos por ISTOÉ dizem que a tendência é a diminuição da idade desses milionários. “Os jovens têm crédito para abrir empresas e as perspectivas no Brasil são melhores do que em muitos lugares no mundo”, diz Antônio André Neto, coordenador do MBA de gestão estratégica e econômica de negócios da FGV Management em São Paulo. “Vivemos um momento excelente e único para empreender.”

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PRECOCE
Aos 5 anos, Marina Gheler vendia as roupas usadas da mãe para
comprar brinquedos. Hoje, aos 28, é dona de franquias no interior de SP


O surgimento de novas áreas de negócios, como a internet, na qual o investimento é baixo e o retorno pode ser rápido, também propicia a proliferação de jovens milionários. O carioca Edgard Nogueira, 28 anos, criou o site de buscas Aonde.com com apenas 14 anos e custo inicial mensal de R$ 50 para hospedar o site nos Estados Unidos. A empresa começou a dar lucro no terceiro mês, e ele multiplicou seu capital. “Romper a barreira do milhão era uma meta, vi que isso aconteceria. Era questão de tempo”, diz ele. “Mas nem por isso estou tranquilo”, conta o rapaz, que hoje tem seis sites filhotes do Aonde.com.

Os jovens empreendedores são inquietos e tendem a transformar projetos em realidade rapidamente. “Boas ideias todo mundo tem, o segredo é colocá-las em prática”, diz o carioca Bruno Grossman, 29 anos e dono da Yoggi, a primeira empresa 100% nacional no ramo de frozen yogurt, uma mistura de iogurte com sorvete que caiu no gosto do brasileiro. Antes de abrir o próprio negócio, Grossman trabalhava ajudando terceiros a ser empresários bem-sucedidos, seja estruturando a empresa, seja apontando os caminhos do lucro. O período serviu de escola para a criação da Yoggi. Em 2008, ele investiu R$ 400 mil no empreendimento e, em apenas dois anos, seu faturamento anual alcançou R$ 96 milhões. Atualmente, a marca tem 80 lojas espalhadas pelo Brasil e deve fechar o ano com 100. “Você tem que ter coragem para ousar e, principalmente, acreditar e insistir nos seus objetivos”, ensina ele.

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EXPERIÊNCIA
Depois de transformar ideias em empresas para os outros, Bruno
Grossman, 28 anos, abriu a própria e faturou R$ 96 milhões em 2010

Outro ponto em comum entre eles é o fato de não terem cifras como metas. Por isso, quando ganham o primeiro US$ 1 milhão, preferem reinvestir na empresa a ostentar – afinal, a ideia é ter muitos milhões no futuro. “O objetivo é simples e único: ser um empresário completo e de sucesso”, diz André Martins, presidente da JLide, que reúne jovens líderes empresariais. A empresária Marina Gheler, 28 anos, descobriu cedo sua veia empreendedora. Aos 5 anos, já vendia as roupas que sua mãe não queria mais para comprar brinquedos. Aos 17, começou como estagiária em uma empresa de produtos odontológicos e, dois anos depois, já era diretora de vendas. Com tino comercial apurado, montou seu próprio negócio voltado para semijoias e acessórios e hoje tem franquias pelo interior de São Paulo. O primeiro R$ 1 milhão veio três anos depois da criação do empreendimento. “Reinvesti tudo na empresa”, diz Marina

Também precoce, Thiago Monsores, 23 anos, começou a trabalhar desenvolvendo ações de marketing promocional antes mesmo de terminar a faculdade de propaganda, concluída no final do ano passado. “Crescemos 300% desde então”, garante ele, dono de um belo escritório no centro do Rio, com vista para o Pão de Açúcar e o Corcovado, abastecido por computadores e videogames. Com a conta bancária recheada, o jovem milionário comprou um Audi A4 no início do ano e aplicou o resto na empresa. Monsores sabe que é hora de suar a camisa para crescer e, por isso, trabalha pelo menos 14 horas por dia. “E, quando não estou aqui, continuo pensando no negócio”, afirma.

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FOCO
Rafael Liporace, 30 anos, comprou e transformou uma
empresa falida e pensa em se aposentar daqui a cinco anos


É uma atitude comum entre os jovens empreendedores. Segundo João Bonomo, professor de administração do Ibmec em Belo Horizonte, muitos preferem deixar vida conjugal e família para outro momento. “O foco é todo para o negócio e é assim que tem que ser, principalmente entre os que querem ótimos resultados em pouco tempo”, explica Bonomo. Quem trabalha muito e ganha dinheiro cedo muitas vezes também pensa em parar de trabalhar logo para curtir a vida. É o caso do carioca Rafael Liporace, 30 anos, que pretende pendurar as chuteiras em 2016.

Filho de professores, criado no subúrbio, Liporace tem como mérito ter transformado uma empresa falida em uma das mais criativas agências brasileiras, a Biruta Ideias Mirabolantes, especializada em projetos de comunicação e propaganda. Quando ele começou na empresa, em 2003, ela estava endividada e era apenas uma firma de propaganda aérea, que contrata aviõezinhos para sobrevoar as cidades com faixas de publicidade. Agora, deve fechar o ano com faturamento de R$ 25 milhões. “Tem que estudar, se relacionar muito bem, liderar e, principalmente, se entregar”, ensina Liporace, que em março vendeu 20% da empresa para o grupo de investimentos Fox por R$ 5 milhões. Hoje, morador de uma cobertura na Barra da Tijuca, e com três carros importados na garagem, sonha ser presidente do Flamengo, seu clube de coração. Com a economia estabilizada e a promessa de crescimento, o mercado brasileiro continuará como terreno fértil para novas ideias e espírito empreendedor. O número de milionários no Brasil continuará crescendo – e um deles pode ser você.

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Colaborou Rodrigo Cardoso

 

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