O partido dos militares
Oficiais, soldados e mulheres de integrantes das Forças Armadas e das polícias militares criam uma nova legenda para tentar voltar ao poder agora pelo voto
Claudio Dantas Sequeira
Na terça-feira 5, a presidente Dilma Rousseff foi homenageada com a maior das condecorações militares, a Grã Cruz. Diante dos comandantes das Forças Armadas, ela fez uma referência aos anos de chumbo da ditadura, ao ressaltar que o Brasil soube corrigir seus caminhos e alcançou a maturidade institucional. O País vive dias de democracia plena e houve, sem dúvida, importantes mudanças nas casernas. Tanto assim que militares planejam agora voltar à política, mas sem truculência. Até o fim do mês será criado o Partido Militar Brasileiro, legenda que antes mesmo do registro oficial já conta com 17 mil pré-filiados, entre oficiais da reserva do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e integrantes da Polícia Militar e dos Bombeiros. Há diretórios sendo criados em 27 Estados, site na internet e até hino, gravado no YouTube, em que um coro entoa palavras de ordem como soberania, democracia, igualdade e segurança pública. O novo partido terá como bandeira o combate à violência e à corrupção. Não aceitará filiação de fichas-sujas e nem fará coligações majoritárias se não for cabeça de chapa. “Os políticos não têm coragem para combater o crime organizado e estão mais interessados em se servir do poder”, diz o presidente do PMB, Augusto Rosa, que é capitão da PM em Ourinhos (SP). Ele afirma que o partido é de centro-direita, apesar de defender a política econômica e os programas sociais do governo. Rosa faz um mea-culpa: “O golpe de 1964 foi um erro”. Mas sua posição não é majoritária. Também devem aderir à legenda vários generais da reserva, inclusive dirigentes dos clubes militares, tradicionais redutos do conservadorismo. Além disto, o PMB pretende lançar como candidato a presidente da República em 2014 o general Augusto Heleno, que na semana passada foi proibido pelo comando do Exército de fazer uma palestra intitulada “A contrarrevolução que salvou o Brasil”. Rosa e seus companheiros de farda defendem posições tão polêmicas como as do deputado federal Jair Bolsonaro (DEM-RJ). “Somos contra o casamento gay, a legalização do aborto e da maconha, e a favor da redução da maioridade penal”, afirma. Apesar das restrições legais à atuação política de militares, Rosa, graças a providenciais licenças, concorreu a deputado federal nas eleições de 2002 pelo PDT, nas de 2006 pelo PV e, finalmente, em 2010 pelo PSB. A presidente do diretório do PMB no Distrito Federal, Ivone Luzardo, mulher de militar, também foi candidata a deputada distrital no ano passado pelo DEM. Apesar da frustração nas urnas, tanto Rosa como Ivone acham que o PMB não terá dificuldade em reunir as 500 mil assinaturas para o registro oficial. 
PERSISTÊNCIA
Mulher de militar, Ivone Luzardo já foi candidata a deputada e agora preside o comitê do PMB no DF
Brovine
EM 22/05/2012 14:04:01
Também não considero o governo militar, oriundo de 64, um erro. Talvez o "erro" foi ter ficado tanto tempo. A circunstância política daquele momento da história do Brasil exigia que assim o fosse. Porém não se pode condenar um grupo de idéias por uma só. Vale a pena conhecer e discutir a plataforma.
Irineu
EM 16/05/2012 22:00:46
Já está começando mau esse partido ao dizer que 64 foi um erro(???).Já não tem meu apoio.Não contem comigo e todos que pensam como eu e olha que não são poucos.
Luiz Neto
EM 09/05/2012 22:38:23
Estão dando um tiro no pé. A contra-revolução de 1964 não foi um erro, erro seria ficar impassível perante o golpe comunista iminente que se os militares não agissem iriam transformar nosso país numa ditadura comunista que provavelmente estaria nos governando até hoje. Sou militar e não vou apoiar.
Claudio S Paz
EM 18/04/2012 11:48:50
A iniciativa é muito interessante e os fundamentos bastantes relevantes, contudo não compreendo o entendimento do evento de 1964 ser considerado um erro, haja vista que as Forças Armadas Brasileiras cumpriram sua função constitucional de garantir as Instituições e manter a Lei e a Ordem.
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