O racha dos verdes
Alijada da direção nacional do PV, Marina Silva declara guerra ao presidente da sigla e começa a articular a criação de um partido para chamar de seu
Hugo Marques
Há 15 dias, a Executiva Nacional do Partido Verde decidiu adiar por um ano qualquer discussão sobre mudanças internas. Sepultou, de vez, as perspectivas de renovação da cúpula da legenda, defendida pelo grupo de ex-senadora Marina Silva e levou a ex-senadora a comentar com correligionários que já pensa em deixar a sigla. Antes disso, no entanto, ela e seu grupo decidiram entrar em confronto direto com a atual Executiva Nacional do partido. Sem espaço para realizar a tão prometida refundação, os aliados de Marina declararam guerra ao deputado José Luiz Penna (SP), há 12 anos no comando do PV. Um dos políticos mais afinados com a ex-senadora, o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) diz que o grupo de Penna é fechado e protegido por uma burocracia que tem por objetivo a preservação de seus cargos. “O adiamento foi uma manobra oportunista, visando à presidência vitalícia, o que vai contra o ideário do partido inteiro”, critica Sirkis. Marina tem se mantido relativamente longe da polêmica, mas silenciosamente prepara seu desembarque da breve aventura verde que a levou a conquistar 20 milhões de votos como candidata à Presidência da República. A exemplo do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, Marina estuda a possibilidade de criar um partido para chamar de seu. A ex-parlamentar já começou a fazer consultas informais com aliados políticos e especialistas em direito eleitoral sobre a possibilidade de construção de uma nova sigla. Apesar de ainda não ter um plano de voo claro, Marina já teria decidido o nome da legenda que gostaria de criar: Partido da Sustentabilidade. O movimento ainda é muito embrionário, mas mostra que o clima no PV azedou de vez. No mais recente encontro, que decidiu postergar qualquer mudança na estrutura partidária, Penna convocou seus correligionários para uma “reunião circunstancial” e ninguém do grupo da senadora foi avisado de que haveria uma votação. O presidente do PV considerou sua atitude legítima: “Eles entraram agora no ônibus e já querem ir para a janela”, comentou Penna em conversa com filiados do PV. Marina deu o troco: “Há um grupo no PV que tratou de se encastelar em suas posições e não quer largar o poder.” O plano da ex-senadora e principal nome do PV para futuras eleições era colocar na presidência do partido o secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, Sérgio Xavier, alinhado com o PSB do governador Eduardo Campos. Avesso às mudanças, José Luiz Penna tem dito a outros parlamentares do PV que não vai bater boca em público. Considera que há temas mais importantes para resolver. A ex-senadora, no entanto, tenta forçar um debate fora das salas fechadas da Executiva Nacional, rumo ao que ela chama de modernização do partido. Em seu site oficial, Marina publicou uma carta lamentando a posição da cúpula da legenda. Para ela, deixar de lado a renovação política do PV é acabar com a moral dos “verdes” para falar em ética e sonhos. Do outro lado da trincheira, Penna não está sozinho. Para garantir sua cadeira na presidência do PV, ele tem o apoio do deputado Sarney Filho (PV-MA). Durante a campanha eleitoral, Sarney evitou pedir votos para Marina nos palanques que ele dividiu com a irmã, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, que apoiou na campanha a presidente Dilma Rousseff. Sem saber quem, ao fim e ao cabo, vai vencer essa queda de braço, outros setores do partido preferem ficar o mais longe possível do tiroteio. Não militam nem de um lado nem do outro. Optaram pelo caminho da neutralidade, por exemplo, os candidatos do PV que perderam as eleições e, portanto, saíram do pleito fragilizados. Candidato derrotado ao governo do Rio de Janeiro, o ex-deputado Fernando Gabeira revela descontentamento com a decisão da legenda contrária à renovação interna, mas prefere não polemizar. “Adiaram o prazo da convenção do partido. Queríamos fazer a convenção agora. Estamos tentando fazer de tudo para que se chegue a um entendimento”, disse Gabeira, sem a paixão que marcou os tempos de fundação do PV.
FRUSTRAÇÃO
Marina esperava ter espaço para reformular o PV
“Eles entraram agora no ônibus e já querem ir para a janela”
José Luiz Penna, deputado e presidente do PV
Marcos Taron
EM 22/04/2011 20:48:23
A Marina Silva tem a cara e os ideais do Partido Verde, o que não podemos deixar acontecer é que as pessoas tomem conta do poder, sem democracia e com o olho apenas no proprio umbigo, precisamos renovar, mudar, oxigenar o Partido Verde, porem a companheira tem que vir ao debate e não desistir da lut
Cristiano Carrilho
EM 07/04/2011 17:46:39
Sou do PV-PE e acho este processo de reengenharia do partido normal num processo democrático. Marina tem o espaço dela no PV legitimado pelos milhões de votos. Desejo a todos que fazem o PV bom senso.
stefania
EM 05/04/2011 23:10:29
ha uma cupula dentro do proprio partido...rs
Tania Rosa
EM 05/04/2011 17:39:34
Quando abandonou o Ministério do Meio Ambiente já tinha planos?Qual seria o próximo passo? Quando ficou neutra entre Dilma e Serra conseguiu esconder sua EGOCENTRICIDADE? A máscara caiu dona Marina! Funda seu partido e carregue seus aliados. Faça bom proveito.
Angelo
EM 04/04/2011 09:52:28
Parafraseando o poeta Marina, morena faça tudo Mas faça um favor Tome cuidado com o que Penna criou.. Me aborreci, me zanguei Já não posso pensar E quando eu me zango, Marina Não sei votar Eu já desculpei muita coisa Mas uma nova legenda pode ser uma bomba. Sustentável só no nome...
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