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As forças leais ao líder líbio Muamar Kadhafi atacavam com artilharia pesada a cidade de Misrata, a leste de Trípoli, nesta quarta-feira, indicou à AFP um porta-voz da rebelião na cidade. "A cidade de Misrata foi alvo novamente das forças de Kadhafi, que dispararam uma série de obuses e foguetes contra vários setores da cidade", indicou o porta-voz. Por outra parte, um médico de Misrata indicou à AFP que os ataques das forças de Kadhafi na terça-feira provocaram a morte de 18 pessoas.

Coalizão

Bélgica e Dinamarca, que participam na intervenção internacional na Líbia, descartaram nesta quarta-feira armar os rebeldes líbios que lutam contra o regime de Muamar Kadhafi. Ajudar a rebelião com um fornecimento de armas é uma etapaa que "vai muito longe", declarou em uma rádio belga o ministro das Relações Exteriores, Steven Vanackere. "Isto nos custaria o apoio do mundo árabe", disse. "O objetivo não é utilizar a força até que Kadhafi deixe o poder", destacou o chefe da diplomacia belga.

A Dinamarca se pronunciou no mesmo sentido em uma declaração do ministério das Relações Exteriores. "Afirmamos claramente que não desejamos ser parte de uma guerra civil", afirma a nota. Itália, Noruega, Rússia e o próprio secretário-geral da Otan, que coordena a operação, Anders Fogh Rasmussen, expressaram a mesma opinião, mas a Grã-Bretanha não descartou a possibilidade.

ONU

Os bombardeios aéreos na Líbia podem violar o espírito da resolução da ONU, declarou o presidente chinês, Hu Jintao, ao receber o colega francês, Nicolas Sarkozy, segundo a televisão estatal chinesa. "O objetivo da resolução é parar a violência e proteger os civis", disse o chefe de Estado chinês, de acordo com o canal CCTV. "Mas se as ações militares levarem o desastre aos civis inocentes e agravarem a crise humanitária, poderiam violar o espírito original da resolução do Conselho de Segurança".

A aprovação da resolução 1973 da ONU abriu o caminho para os bombardeios contra o regime do coronel Muamar Kadhafi – que enfrenta uma rebelião sem precedentes – por uma coalizão internacional dirigida por Estados Unidos, França e Grã-Bretanha. A resolução adotada em 19 de março autoriza "todas as medidas necessárias" para proteger as populações civis, mas deu lugar a interpretações divergentes, segundo o país. A China optou pela abstenção e não exerceu o direito de veto como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.