Comportamento
|  N° Edição:  2154 |  18.Fev.11 - 21:00 |  Atualizado em 01.Jul.15 - 08:19

Casas pré-fabricadas, mas sofisticadas

Esqueça os chalés rústicos. Empresas apostam em construções modulares de vidro, metal e madeira com muita tecnologia

Claudia Jordão

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Se até pouco tempo atrás, casa pré-fabricada era sinônimo de ausência total de estilo, paredes com cupins, cheiro de mofo e durabilidade zero, hoje pode-se dizer que elas se reinventaram completamente. Na última década, empresas americanas, canadenses e australianas investem em projetos arrojados de design contemporâneo e tecnologia de ponta para levantar moradias que aliam charme e durabilidade e são sustentáveis. E a tendência acaba de chegar ao Brasil. Uma empresa curitibana contratou um escritório de arquitetura para assinar os primeiros projetos – há dois modelos básicos, que permitem adaptações, disponíveis para a venda. A tecnologia utilizada é a americana wood frame, que garante paredes, pisos e tetos estruturados, duradouros e bem-acabados. “O design contemporâneo das novas pré-fabricadas reflete a sua modernidade”, diz Caio Bonatto, diretor e sócio da TecVerde. “Elas são tecnológicas e sustentáveis, uma tendência na construção civil.” Para trabalhar com o produto no Brasil, Bonatto e sua equipe receberam dois anos de treinamento de uma empresa alemã. 

O novo estilo só é possível graças ao wood frame, que substitui a madeira das antigas pré-fabricadas. A tecnologia é usada em cerca de 90% das moradias nos Estados Unidos e tem se popularizado também na Ásia. São chapas usadas como piso, teto e parede, feitas de um sanduíche de materiais: madeira (responsável pela estrutura), lã de vidro (isolamento térmico e acústico) e uma película especial, que controla a umidade e o vapor. Aceitam acabamentos como o gesso, na parte interna da casa, e o concreto, no exterior dela. Por isso, a aparência é a mesma de uma casa de alvenaria. Protegida contra a umidade, a madeira do wood frame não corre o risco de rachar ou apodrecer. O material também garante a redução do impacto ambiental desse tipo de construção, graças à baixa geração de resíduos, sistema de aquecimento solar e captação de água.

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Além disso, essa tecnologia permite rapidez na construção da obra. Quem optar por uma casa modelo Slim, da linha contemporânea, vê o lar de 152,8 m² de pé em três meses. O custo é de R$ 1,35 mil a R$ 1,6 mil, o m², dependendo do material usado no acabamento. Graças ao sistema modular do wood frame, é possível construir qualquer tipo de casa. Com tantas vantagens, por que o material só chegou ao Brasil recentemente? Segundo o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), Gilson José Paranhos, a demora tem razões culturais. “O brasileiro não está acostumado ao material, que ainda está ligado a uma arquitetura tipicamente americana”, diz ele. “A partir do momento que ele ganhar força em projetos realizados no Brasil, deve se fortalecer.”

Nos Estados Unidos, a empresa ItHouse, em parceria com os arquitetos da Taalman Kock, também desenvolveu moradias com excelência em design através de uma técnica de construção modular. É o caso da Three Rivers ItHouse, a charmosa casa de veraneio de um casal de artistas plásticos de Los Angeles. Com 110 m², situada no deserto da Califórnia, foi construída através do encaixe de módulos de alumínio e vidro, que recebem acabamento como cimento queimado no piso. “O casal costumava acampar no lugar”, diz Linda Taalman, diretora de criação e arquiteta da Taalman Kock. “Ao encomendarem a casa, eles pediram integração total com o meio ambiente, sem abrir mão do conforto.” As ItHouses são feitas sob encomenda e montadas a partir de módulos pré-fabricados. É possível encomendar piso, teto, paredes e janelas, além de móveis e objetos de decoração, como cortinas – indispensáveis para casas de vidro. Nos Estados Unidos, uma ItHouse é levantada em 12 semanas, incluindo o tempo de entrega do material. E, segundo a empresa, dá para montar sem mão de obra especializada, apenas com a ajuda de alguns bons (e dispostos) amigos.

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Há oito anos na Nova Zelândia, a BachKit também tem a bandeira da sustentabilidade a seu favor. Desenvolve casas iluminadas, com varandas amplas, que funcionam bem no verão e são aconchegantes no inverno. Também são feitas de módulos de alumínio e vidro e construídas em 12 semanas. Assim como as casas da TecVerde e da ItHouse, as construções BachKit são consideradas verdes. Outra vantagem é que podem ser remontadas. A canadense BritCo foi a responsável por construir as instalações para os Jogos Olímpicos de Vancouver, no Canadá. Com o fim da competição, as construções de wood frame foram transformadas em moradia popular. Práticas, rápidas, tecnológicas, sustentáveis e charmosas. Nada mais atual. 




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