Comportamento
|  N° Edição:  2154 |  18.Fev.11 - 21:00 |  Atualizado em 25.Out.14 - 03:31

Casas pré-fabricadas, mas sofisticadas

Esqueça os chalés rústicos. Empresas apostam em construções modulares de vidro, metal e madeira com muita tecnologia

Claudia Jordão

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Se até pouco tempo atrás, casa pré-fabricada era sinônimo de ausência total de estilo, paredes com cupins, cheiro de mofo e durabilidade zero, hoje pode-se dizer que elas se reinventaram completamente. Na última década, empresas americanas, canadenses e australianas investem em projetos arrojados de design contemporâneo e tecnologia de ponta para levantar moradias que aliam charme e durabilidade e são sustentáveis. E a tendência acaba de chegar ao Brasil. Uma empresa curitibana contratou um escritório de arquitetura para assinar os primeiros projetos – há dois modelos básicos, que permitem adaptações, disponíveis para a venda. A tecnologia utilizada é a americana wood frame, que garante paredes, pisos e tetos estruturados, duradouros e bem-acabados. “O design contemporâneo das novas pré-fabricadas reflete a sua modernidade”, diz Caio Bonatto, diretor e sócio da TecVerde. “Elas são tecnológicas e sustentáveis, uma tendência na construção civil.” Para trabalhar com o produto no Brasil, Bonatto e sua equipe receberam dois anos de treinamento de uma empresa alemã. 

O novo estilo só é possível graças ao wood frame, que substitui a madeira das antigas pré-fabricadas. A tecnologia é usada em cerca de 90% das moradias nos Estados Unidos e tem se popularizado também na Ásia. São chapas usadas como piso, teto e parede, feitas de um sanduíche de materiais: madeira (responsável pela estrutura), lã de vidro (isolamento térmico e acústico) e uma película especial, que controla a umidade e o vapor. Aceitam acabamentos como o gesso, na parte interna da casa, e o concreto, no exterior dela. Por isso, a aparência é a mesma de uma casa de alvenaria. Protegida contra a umidade, a madeira do wood frame não corre o risco de rachar ou apodrecer. O material também garante a redução do impacto ambiental desse tipo de construção, graças à baixa geração de resíduos, sistema de aquecimento solar e captação de água.

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Além disso, essa tecnologia permite rapidez na construção da obra. Quem optar por uma casa modelo Slim, da linha contemporânea, vê o lar de 152,8 m² de pé em três meses. O custo é de R$ 1,35 mil a R$ 1,6 mil, o m², dependendo do material usado no acabamento. Graças ao sistema modular do wood frame, é possível construir qualquer tipo de casa. Com tantas vantagens, por que o material só chegou ao Brasil recentemente? Segundo o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), Gilson José Paranhos, a demora tem razões culturais. “O brasileiro não está acostumado ao material, que ainda está ligado a uma arquitetura tipicamente americana”, diz ele. “A partir do momento que ele ganhar força em projetos realizados no Brasil, deve se fortalecer.”

Nos Estados Unidos, a empresa ItHouse, em parceria com os arquitetos da Taalman Kock, também desenvolveu moradias com excelência em design através de uma técnica de construção modular. É o caso da Three Rivers ItHouse, a charmosa casa de veraneio de um casal de artistas plásticos de Los Angeles. Com 110 m², situada no deserto da Califórnia, foi construída através do encaixe de módulos de alumínio e vidro, que recebem acabamento como cimento queimado no piso. “O casal costumava acampar no lugar”, diz Linda Taalman, diretora de criação e arquiteta da Taalman Kock. “Ao encomendarem a casa, eles pediram integração total com o meio ambiente, sem abrir mão do conforto.” As ItHouses são feitas sob encomenda e montadas a partir de módulos pré-fabricados. É possível encomendar piso, teto, paredes e janelas, além de móveis e objetos de decoração, como cortinas – indispensáveis para casas de vidro. Nos Estados Unidos, uma ItHouse é levantada em 12 semanas, incluindo o tempo de entrega do material. E, segundo a empresa, dá para montar sem mão de obra especializada, apenas com a ajuda de alguns bons (e dispostos) amigos.

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Há oito anos na Nova Zelândia, a BachKit também tem a bandeira da sustentabilidade a seu favor. Desenvolve casas iluminadas, com varandas amplas, que funcionam bem no verão e são aconchegantes no inverno. Também são feitas de módulos de alumínio e vidro e construídas em 12 semanas. Assim como as casas da TecVerde e da ItHouse, as construções BachKit são consideradas verdes. Outra vantagem é que podem ser remontadas. A canadense BritCo foi a responsável por construir as instalações para os Jogos Olímpicos de Vancouver, no Canadá. Com o fim da competição, as construções de wood frame foram transformadas em moradia popular. Práticas, rápidas, tecnológicas, sustentáveis e charmosas. Nada mais atual. 

Marcos Cruz

EM 03/12/2012 16:05:26

Gostaria se saber se são resistentes a ventanias forte (tempestades). Onde moro há muitas


Luis Felipe Torres

EM 30/03/2011 18:02:45

Excelente reportagem! Que esta idéia "pegue" logo na cabeça dos brasileiros e principalmente dos norte-americanos!


Francisco

EM 21/02/2011 23:15:33

Adorei esta notícia! Já tempos sonho com uma casa de campo mas dentro de um conceito totalmente sustentável. Agora acho que finalmente meu sonho pode se tornar realidade.


Paulo Cruz

EM 21/02/2011 23:13:06

Com certeza a construção CES(Construção Energitérmica Sustentável), ou seja, construção com perfis de aço leve e constraventada(travada)com painéis OSB HOME, são + resistentes/confortáveis quanto construções em alvenaria.Só precisamos tirar o preconceito dos brasileiros para esse tipo de construção.


Rafael

EM 21/02/2011 11:43:12

Excelente Notícia!! Hoje com o uso de materiais tecnológicos como o OSB na construção destes tipos de residências, ganha-se e muito em outros aspectos como velocidade construtiva e racionamento dos materiais na obra.





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