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|  N° Edição:  2058 |  22.Abr.09 - 10:00 |  Atualizado em 17.Dez.14 - 17:31

O filho do bispo

Presidente do Paraguai assume ser pai de uma criança de dois anos, concebida quando ele ainda era um religioso católico

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SEDUÇÃO: Lugo, 32 anos mais velho, se envolveu com Viviana quando ela tinha 16 anos

Histórias envolvendo jovens mulheres, filhos bastardos e presidentes da República já têm ingredientes suficientes para detonar um escândalo de dimensões explosivas. Se o mandatário do país for um ex-bispo católico, as proporções aumentam consideravelmente. Foi o que aconteceu com Fernando Lugo, oito meses depois de assumir o poder no Paraguai. Na semana passada, ele reconheceu a paternidade de um menino de dois anos, fruto de um relacionamento com uma jovem de 26. "Assumo todas as responsabilidades e reconheço a paternidade do garoto", disse o presidente. A admissão, opção adotada depois de advogados o denunciarem em tribunal exigindo o reconhecimento do filho, dividiu opiniões. Alguns representantes da Igreja local classificaram Lugo como um mau exemplo, outros enxergaram valentia e sinceridade na sua declaração.

"Dada a minha juventude e inexperiência, fui seduzida pelo seu jeito de falar, suas palavras bonitas e suas promessas de que renunciaria ao cargo"

Viviana Carrillo, 26 anos

A criança, Gillermo Armindo, é filha de Viviana Carrillo, com quem Lugo se envolveu há dez anos. Ele, na época, com 47 anos e bispo de São Pedro, e ela uma adolescente de 16 que se preparava para a crisma. A jovem relatou ter sido conquistada pelo então bispo na casa de sua madrinha. "Tudo começou quando fui levar roupa de cama para ele, perguntei se ele precisava de mais alguma coisa e ele disse que precisava de mim", disse Viviana. Segundo ela, a partir daquele momento o assédio foi constante. "Dada a minha juventude e inexperiência, fui seduzida pelo seu jeito de falar, suas palavras bonitas e suas promessas de que renunciaria ao cargo para compartilhar uma vida comigo." Entretanto, a desistência da batina só veio duas semanas antes de Lugo tomar posse como presidente, em 2008. Em decisão rara no meio clerical, ele foi dispensado pelo Vaticano e se tornou um leigo.

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A Igreja Católica não deve tomar nenhuma medida punitiva, já que agora Lugo é um católico comum - muito embora a prevaricação tenha se consumado durante o exercício do sacerdócio. O Vaticano limitou-se a pedir perdão pelos pecados cometidos pelos seus membros. "É mais uma questão de consciência", diz o padre Luiz Ferracini, doutor em direito canônico. "Quem estiver livre de pecado que atire a primeira pedra", disse em defesa do presidente Mercedes Lugo, sua irmã, que já declarou que não vai mais se pronunciar sobre o assunto.

O caso veio à tona em um momento delicado do governo, com a renúncia do chefe de gabinete, Miguel López Perito, e às vésperas de uma reforma ministerial. Após quebrar uma hegemonia de 60 anos do Partido Colorado no Paraguai, Lugo assumiu em clima de grande expectativa, mas não tem conseguido apoio do Congresso para avançar nas reformas. Resta saber quanto o escândalo pessoal pode agravar a crise.




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