Comportamento
|  N° Edição:  2149 |  14.Jan.11 - 21:00 |  Atualizado em 28.Nov.14 - 01:42

O lado perverso da relação entre mulheres

Livro mostra até que ponto vai a amizade feminina e faz um alerta sobre as crueldades praticadas por elas contra elas

Claudia Jordão

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EXPERIÊNCIA
Aos 25 anos, a escritora Paolla Arnoni já se
decepcionou com três amigas. Agora aprendeu
a confiar desconfiando
 

"Enquanto os homens são capazes de machucar o meu corpo, as mulheres têm o poder de destruir a minha alma.” É com essa frase de efeito que a autora americana Kelly Valen inicia o livro “Twisted Sisterwood” (algo como irmandade distorcida), que acaba de ser lançado nos Estados Unidos. Muitos artigos, teses e livros já trataram da complexidade da convivência entre mulheres. Mas, pela primeira vez, uma obra mostra o que elas pensam sobre a relação com as amigas, colegas e conhecidas do sexo feminino, e os efeitos devastadores que comportamentos negativos são capazes de produzir. O que se vê está longe de ser um mundo cor-de-rosa, onde todas se respeitam, se apoiam e se unem na guerra dos sexos. A partir de um questionário de 50 perguntas, respondido por mais de três mil entrevistadas, “Twisted Sisterwood” revela que 90% delas percebem “correntes de maldade e negatividade emanando de outras mulheres” de maneira frequente. Além disso, 85% afirmaram ter sido vítimas de grandes golpes, que mudaram suas vidas, de outras colegas. E mais: 75% disseram ter sofrido com o comportamento de amigas íntimas ciumentas e competitivas. Casada e mãe de quatro filhos (três meninas), Kelly esclarece que acredita na amizade sincera entre pessoas do mesmo sexo e no poder desse tipo de relação. Mas que igualmente crê que moças podem ser cruéis umas com as outras, em determinadas situações, como quando sentem ciúme ou são ameaçadas. E que, em muitos casos, essa crueldade deixa marcas emocionais de lenta cicatrização.

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GOLPE
A empresária Suzana Leal confiou seu negócio a
uma amiga e foi enganada. Mas ainda confia nas mulheres
 

Por causa do livro, que não tem previsão de lançamento no Brasil, Kelly vem sendo chamada de heroína. A apresentadora americana Oprah Winfrey agradeceu a autora pela coragem de “colocar o dedo na ferida de algo que tem sido escondido debaixo do tapete”. “É leitura obrigatória”, sentenciou Oprah. Outros famosos também se posicionaram sobre o assunto. A atriz Sienna Miller disse à revista “In Style” que estava vivendo “uma guerra”. “Descobri o que é ser julgada por mulheres. Não há irmandade”, afirmou.
Mas nem sempre Kelly foi alvo de elogios. Em 2007, três anos antes de lançar o livro, ela escreveu um artigo, pessoal e visceral, sobre a relação entre mulheres, para o jornal americano “The New York Times”. Nele, contou que, numa festa da faculdade, acabou bebendo demais, foi abusada sexualmente por um colega e traída pelas amigas. Além de não lhe prestarem socorro, elas repreenderam Kelly e a expulsaram do alojamento. Também passaram a falar mal dela pelas costas, criando uma rede de intrigas que se estendeu por todo o curso. “Falar mal e fazer fofoca são comportamentos comuns entre mulheres, que desde meninas agem de tal forma, na escola, contra as colegas”, comenta o psiquiatra Antônio Flávio Testa, professor da Universidade de Brasília (UnB). “Isso acontece porque, diferentemente dos homens, que geralmente partem para a porrada, elas internalizam, remoem, permanecem magoadas.” Muitos dos que leram o relato de Kelly no periódico acusaram-na de destilar heresias e de ser desleal com o seu gênero. “O que vivi na faculdade mudou a minha vida. Por cerca de dez anos tive dificuldade de confiar nas pessoas, especialmente nas mulheres, e me fechei”, disse a autora à IstoÉ. “Apesar de o garoto ter cometido o crime, doeu o comportamento das minhas amigas, principalmente porque eu confiava muito e esperava demais delas. Foi uma facada.”

Através de relatos, o livro mostra que as facadas são proporcionais à intimidade. Quanto mais próxima a mulher é daquela que lhe faz mal, mais ferida ela sai de uma relação que dá errado. “Acontece que muitas mulheres, disfarçadas de amigas, se aproveitam da intimidade que têm com a outra em benefício próprio”, diz Testa. “É o lado mais dissimulado da relação e o mais cruel, pois quem se abre confia e não espera ser traído.” A atriz Franciely Freduzeski, 31 anos, viveu esse tipo de traição. Uma amiga íntima se aproveitou da proximidade para sabotar o seu namoro com um rapaz que ela havia conhecido pouco tempo antes. “Lembro que, próximo do meu aniversário, ele quis saber o que eu gostaria de ganhar e foi apurar com ela”, conta Franciely. “Ela sabia que gosto de saltos altos, mas disse a ele para comprar uma rasteirinha.” Com o tempo, Franciely descobriu que a outra se encontrava às escondidas com o namorado dela e contava segredos de seu passado. Resultado: a amizade e o namoro acabaram. “Engana-se quem pensa que as mulheres se ajudam só porque são do mesmo gênero”, diz a historiadora e estudiosa do universo feminino Mary Del Priore. “Elas competem por tudo, a diferença é que algumas jogam limpo e outras não.”

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TRAIÇÃO
Uma amiga íntima se encontrava às escondidas
com o namorado da atriz Franciely Freduzeski para
sabotar seu relacionamento
 

Mas o que move as mulheres a se comportar dessa forma? “Inveja, ciúme ou competição”, diz Testa. “Em geral, as amizades vão bem até que uma se sinta ameaçada pela outra.” As decepções com o sexo feminino da escritora Paolla Arnoni são a prova de que interesses em comum, em especial pelo mesmo homem, são incompatíveis com amizades duradouras. Apesar de ter apenas 25 anos, Paolla já se decepcionou com três amigas próximas – uma delas, ela conhecia havia 19 anos. “Nos três casos, namorados meus, ou de uma delas, estavam envolvidos”, conta Paolla. “Hoje, para evitar que queiram roubar o que é meu, não conto intimidades do meu namoro, não faço propaganda dos meus relacionamentos e confio desconfiando”, diz ela, com a sabedoria de quem viu um paquera e um namorado serem disputados por amigas íntimas. O psiquiatra Testa explica que a competição é mais forte entre as mais novas. E lembra que, apesar de estar faltando homem e emprego no mercado, como muitas gostam de dizer, nada justifica golpes baixos.“Há uma fase na qual as mulheres precisam se estabelecer, casar, ter um bom emprego”, explica ele. “Com a maturidade, as relações tendem a se acertar e a se tornar mais éticas.”

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NA PELE
Kelly Valen transformou
uma experiência ruim em livro de sucesso
 

Apesar da maturidade, a empresária Suzana Leal, 55 anos, não se livra da maldição das falsas amigas. “Sempre tive azar”, diz. Recentemente, ela confiou o seu negócio, uma confecção de lingeries, a uma amiga próxima, pois passaria um mês viajando fora do País. “Acho que por inveja ou ciúme, ela contou coisas íntimas, de maneira distorcida, para clientes minhas. Foi muito constrangedor”, conta Suzana. Além disso, a “amiga da onça” vendeu produtos próprios com a etiqueta da marca de Suzana.
Mesmo com os altos e baixos, Suzana, que até já procurou a cabala, vertente mística do judaísmo, para entender a sua sina, continua confiando nas mulheres. “Quem tem amiga de verdade tem ouro em suas mãos”, diz ela, que possui cinco irmãs, todas muito próximas, parceiras e confiáveis, e conhece, assim, os dois lados da mesma moeda. É com esse tipo de relação que sonha Kelly Valen. “O objetivo do meu livro é fazer as mulheres refletir sobre o seu comportamento”, diz ela. “Sou do tipo que acredita que elas devem se unir só pelo fato de serem do mesmo gênero.” Em tempo: após dez anos de reclusão, a autora americana voltou a confiar na amizade feminina. E ainda lucra com seu livro.

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