IstoÉ especial copa 2014
|  ISTOÉ Online |  11.Jan.11 - 17:51 |  Atualizado em 20.Ago.14 - 16:13

Muito mais do que um torneio

Países que sediaram megaeventos esportivos mostram que benefícios para a população podem durar décadas

chamada.jpg
Estação central de Berlim, cidade-sede da final da Copa de 2006

São os especialistas internacionais que dizem: o verdadeiro legado de um megaevento esportivo não é o significativo dinheiro movimentado nas semanas de competição, mas o que vem depois – os benefícios econômicos, sociais e culturais que ocorrem, ao longo de décadas, no país que sediou o torneio. E para que o resultado seja realmente positivo a fórmula é uma só: planejamento, planejamento e planejamento. Esse é o principal conselho dado pelo alemão Holger Preuss, que pesquisa há mais de uma década a gestão dos legados desse tipo de evento, aos brasileiros diretamente envolvidos, desde outubro de 2007, na organização da Copa 2014. 

Quando esteve no Brasil a convite do Ministério dos Esportes, Preuss também alertou: “Cada caso é um caso”. Ou seja: não dá para adaptar ao Rio de Janeiro de 2014 o que foi feito, por exemplo, em Barcelona nos Jogos Olímpicos de 1992 – projeto considerado nota 10 para a revitalização da cidade espanhola. Ou em Pequim, que, para a Olimpíada de 2008, teve uma zona verde erguida para novas arenas, como o Ninho do Pássaro, e as instalações para a imprensa. Nem pensar também que a elevação da autoconfiança e do orgulho de um povo em exibir sua bandeira possa ser o principal, ainda que intangível, legado – como ocorreu com os alemães, ainda fortemente marcados por seu papel na Segunda Guerra, depois da Copa 2006. Mas vale aprender com a experiência dos países ou cidades que já sediaram Copas do Mundo e Olímpiadas, analisando seu balanço de erros e acertos, diretamente proporcional ao realismo de metas e cifras. 

img4.jpg
Para a Olimpíada de 2008, Pequim criou uma zona
verde para abrigar o Ninho  do Pássaro (acima) ; Berlim remodelou o estádio
Olímpico, construído nos anos 30, para a Copa de 2006 (abaixo)


img3.jpg


Além de beneficiar-se, durante os anos seguintes, com as cenas de hospitalidade transmitidas sem parar aos vizinhos europeus – um forte incentivo ao turismo –, a Alemanha estabeleceu em 2006 realizações sofisticadas, como a primeira Copa verde, que passaram a integrar a agenda permanente do evento. Mais do que novos estádios e equipamentos, colocou em prática propostas inovadoras, como a abertura de espaços públicos com telões para receber confortavelmente os milhares de turistas sem ingresso – para as chamadas Fan Fests, sucesso também encampado, a partir daí, pela Fifa. Mas se a construção de uma nova imagem internacional surgiu como grande legado para um país desenvolvido, que não enfrenta gargalos de infra-estrutura ou graves demandas sociais, a Copa da África do Sul em 2010, a primeira realizada no continente africano, longe das comodidades do Primeiro Mundo, estabeleceria, como definiu a Fifa, “novos parâmetros” para os próximos Mundiais. Que passam a levar em conta com destaque o legado social que o megaevento é capaz de proporcionar à população. É esta concepção, que também orienta a preparação da Copa no Brasil. 

O nível de erros e acertos no legado de uma Copa ou Olimpíada
está diretamente ligado ao realismo das metas e cifras



Segundo anunciaram recentemente a Fifa e o governo da África do Sul, um fundo milionário, originário de recursos da Copa 2010, será destinado a programas de educação para aproximadamente 72 milhões de crianças que não frequentam a escola no continente. Houve também investimentos em unidades hospitalares nas cidades-sede dos jogos – iniciativa fundamental no país onde a contaminação pelo vírus HIV atinge 18% dos adultos. Os organizadores da Copa 2010 sustentam ainda que as melhorias da infraestrutura do país, a recuperação de áreas degradadas e a demonstração de que as cidades são seguras para os estrangeiros incentivarão o turismo local nos próximos anos. A ideia de que há paz na África do Sul pós-apartheid parece ter saído vitoriosa: no final da Copa, 83% dos visitantes, de acordo com pesquisa da Fifa, disseram que pretendem voltar; 94% informaram que recomendariam uma visita ao país aos seus amigos e familiares. 

img2.jpg

img1.jpg

img.jpg
Cidade do Cabo (primeira foto), Leipzig, na Alemanha (segunda foto),
Barcelona melhoraram a estrutura devido a megaeventos

Essa tendência de planejar megaeventos esportivos levando em conta as necessidades reais da população é adotada também pelas grandes metrópoles de países ricos que abrigam extensas periferias de baixas escolaridade e renda. Citando textos de autoridades de seu país, o professor da Universidade de East London Gavin Poynter, que acompanha todo o projeto da candidatura para a Olímpiada de 2012, evidenciou aos organizadores da Copa 2014 no Brasil o que garantiu a escolha de Londres: “Apresentamos a visão de uma Olimpíada que não representaria apenas uma celebração do esporte, mas uma força de regeneração. Os Jogos irão transformar uma das mais pobres e carentes áreas de Londres. Serão criados milhares de empregos, erguidas milhares de moradias e oferecidas novas oportunidades de negócios”, destacou. O planejamento dos ingleses, que estão com seu calendário de obras em dia e sua planilha de gastos sob controle, chegou ao esmero de construir um estádio com uma parte permanente e outra temporária para que, após os Jogos, o espaço originalmente destinado ao atletismo possa ser adaptado, sem custos, para o futebol – verdadeira demanda dos moradores locais, com rentabilidade garantida. 

Os especialistas também sustentam que os megaeventos podem acelerar projetos de desenvolvimento social e renovação urbana. Sem ambiente favorável e esforços reunidos, eles demorariam muito mais para serem concretizados, mesmo que já tivessem sido planejados. As pesquisas mostram ainda que, da década de 90 para cá, cidades empreendedoras têm disputado a indicação para sediarem Mundiais e Jogos Olímpicos não somente para responder às suas necessidades domésticas de reestruturação econômica e de modelos de consumo, mas também para se beneficiar das mudanças na economia internacional, marcada pelo avanço global de setores como telecomunicações, lazer, viagens e turismo. 

Um estudo da FGV aponta que o Brasil vai movimentar
R$ 142 bilhões a mais entre 2010 e 2014, por causa
da organização da Copa



Para maximizar todas essas oportunidades de negócios, é preciso medir custos e benefícios. De acordo com estudo recente feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a consultoria Ernst & Young, o Brasil movimentará R$ 142,39 bilhões adicionais no período entre 2010 e 2014, gerando 3,63 milhões de empregos por ano e R$ 63,48 bilhões de renda para a população, além de uma arrecadação tributária adicional de R$ 18 bilhões. Com os investimentos nacionais em infraestrutura, estádios e segurança, a expectativa, segundo o documento, é que o Brasil consiga reverter, ao ser alvo também de R$ 6,5 bilhões de investimentos de mídia e publicidade internacional, a estagnação de cinco anos no fluxo de turistas estrangeiros, passando dos atuais 5 milhões para 7,48 milhões até 2014 e 8,95 milhões em 2018. 

O estudo sobre impactos socioeconômicos da Copa 2014 defende, por fim, que se busque um efeito. “A ideia é que o Brasil se prepare desde já para que o evento não seja de apenas alguns dias, mas de muitos anos, deixando um legado positivo para o conjunto da sociedade. Mais importante do que só corresponder às expectativas externas é criar um ambiente interno para que todas as obras de infraestrutura e os impactos sobre a macro e a microeconomia gerem condições melhores de vida à sociedade brasileira.” Como se vê, o que está em jogo é realmente bem mais do que um campeonato mundial de futebol. 

 

Acesse todas as reportagens e fotos da edição especial de ISTOÉ Copa 2014

cheap backlinks

EM 17/07/2014 09:37:26

vw97kW I really liked your article.Really looking forward to read more. Cool.


Jigarvavecha

EM 10/03/2014 00:26:52

pour info ,ce n est pas une fleur de pale9tuvier ,mais de frangipanier ou plume9ria qui est d aireluls tre8s belle et qui a une odeur tre8s subtile http://stueaxnw.com [url=http://wdovfk.com]wdovfk[/url] [link=http://pqzmpawcl.com]pqzmpawcl[/link]


Fumito

EM 06/03/2014 05:13:08

why did 3mp closedown it has been a great siatton since july 1976 what hashappened to all the announcers and where are they now, what do we listen to withsimilar music that 3mp provided it will be gratly missed . thanks 3mp for all you,re music and presenters John Eisman


stunning seo guys

EM 21/01/2014 18:38:15

Cu4vP7 Looking forward to reading more. Great blog. Great.


Bobbi

EM 09/09/2011 18:56:27

Life is short, and this article saved vlaauble time on this Earth.





publicidade