De primeira
Brasil terá 12 estádios novos ou completamente reformados para o espetáculo da Copa
Em pouco mais de três anos, o mundo todo olhará para o Brasil. Para o país do futebol fazer bonito, nada menos do que 12 estádios, em 12 cidades-sedes, estão sendo construídos ou reformados com o intuito de receber torcedores, craques e lances que entrarão para a história do esporte mais popular do planeta. Modernidade, sustentabilidade, segurança e conforto são alguns dos itens que não deverão faltar em cada um desses palcos. No entanto, o desafio do Comitê Organizador não para por aí. Precisa ir muito além e fazer com que as obras sejam aproveitadas pelos brasileiros quando a competição acabar. De olho nesse objetivo, os arquitetos envolvidos nos projetos para o Mundial se preparam para construir verdadeiras arenas multiuso, de fazer inveja a qualquer centro esportivo internacional de países mais desenvolvidos. “Acredito que a maioria dos projetos leva em conta o aspecto de arena multiuso, que é uma tendência mundial irreversível”, afirma Sérgio Coelho, arquiteto responsável pelo projeto da Arena Pantanal, em Cuiabá. Capacidade da Arena Pantanal, em Cuiabá, pode Segundo Coelho, a Arena Pantanal é um dos estádios que se propõem a oferecer diferentes alternativas de exploração. Após a Copa, o local poderá abrigar centro de convenções, faculdade de educação física, restaurante, bares, lojas e o museu do esporte mato-grossense. “A arena também receberá, além de jogos de futebol, outras disputas esportivas, como de motocross, além de concertos e peças de teatro”, completa o arquiteto. O estádio projetado por Coelho já chama a atenção antes mesmo de sair do papel. Foi escolhido para receber o America’s Property Awards na categoria empreendimentos públicos. E também é um dos três para o Mundial que estão em estágio avançado de obras, segundo Carlos de La Corte, arquiteto do escritório Arena - Consultoria, Projeto e Viabilidade, e consultor da Fifa para o assunto. “O estádio de Cuiabá, assim como o de Brasília e de Belo Horizonte, está com o processo de fundação adiantado”, afirma. E para quem indica que o estádio poderá se tornar um gigante sem utilidade no que diz respeito ao futebol, Coelho aponta que o “tamanho” das arquibancadas vai se adequar à demanda dos torcedores da região. “Um dos destaques do nosso projeto é o fato de a capacidade de público ser flexível, podendo ser diminuída dos aproximadamente 43.600 espectadores previstos no projeto feito para a Copa 2014 para até cerca de 27.000 no legado, adequando sua dimensão à demanda local”, conta. Impulsão em turismo e infraestrutura Em São Paulo, o novo estádio do Corinthians será o palco da abertura da competição. A obra é tocada no bairro de Itaquera, na zona leste da capital paulista. Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, também estão previstos para o bairro, que é formado em sua maioria pelas classes C e D, a criação de um grande centro de convenções, centro de pesquisas e tecnologia, faculdades, parques de lazer e melhorias consideráveis no transporte público e nas vias de acesso. Sem contar que as redes hoteleira e imobiliária registrarão um crescimento que vai impulsionar a geração de empregos na região. “As cidades que receberão a Copa também são alvo de muitos investimentos na área de infraestrutura que devem ser bem aproveitados, pois falamos de questões básicas que muitas vezes não saem do papel por falta de verba”, aponta Fernandes. São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Manaus, Curitiba, Cuiabá, Sobre os projetos das novas arenas, o especialista explica ainda que uma obra também pode influenciar outras que não estejam necessariamente ligadas ao esporte. “A construção dos estádios criará novos marcos arquitetônicos dentro das cidades e, muitas vezes, estará associada a outros empreendimentos que trarão desenvolvimento futuro para áreas ainda pouco ocupadas”, avalia. Além de Rio de Janeiro, São Paulo e Cuiabá, vão sediar jogos da Copa as cidades de Belo Horizonte, Curitiba, Natal, Manaus, Salvador, Brasília, Fortaleza, Recife e Porto Alegre. Cada uma dessas capitais contará com um estádio moderno, que, segundo Fernandes, serão melhores que os construídos na África do Sul para o Mundial de 2010. “Enquanto a África possui apenas três ou quatro estádios mais expressivos, o Brasil tem 12 que se tornarão marcos na história do país e de suas cidades. Além disso, todos os projetos brasileiros são únicos e com identidade própria, diferentemente dos estádios africanos, que, apesar dos esforços de seus criadores, acabaram saindo com DNA europeu”, comenta o arquiteto. Maracanã é exemplo a ser seguido Após o Maracanazzo, como ficou conhecido o frustrante episódio da derrota para os uruguaios, o maior estádio do mundo recebeu, além de memoráveis partidas de futebol, os mais variados shows de música, como os de Frank Sinatra, Tina Turner, Madonna, Rush, Roberto Carlos, Xuxa, Paul McCartney e Ivete Sangalo, entre outros, e eventos religiosos, como duas missas campais rezadas pelo papa João Paulo 2º. Ao longo dos anos, o estádio passou por reformas que aumentaram o conforto e diminuíram a capacidade, o que é uma tendência mundial, de estádios menores e confortáveis. O maior público oficial do Maracanã é de 183.341 pagantes, registrado em 31 de agosto de 1969, quando o Brasil venceu o Paraguai por 1 a 0 pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1970. Antes do início das reformas, cabiam pouco mais de 84 mil pessoas. Quando o estádio ficar pronto, em 2013, a capacidade será de 76 mil. Quem está envolvido no projeto, no entanto, afirma que vale a pena. “O Maracanã se tornará uma arena moderna, com bares, lojas e maior conforto. Espera-se que o estádio passe a atrair não só mais torcedores, mas também mais turistas”, afirma o presidente da EMOP (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro), Ícaro Moreno Júnior. Quem simplesmente acompanhar as partidas de futebol também sairá satisfeito com o novo Maracanã, segundo Moreno. “O torcedor terá mais conforto. A visibilidade será melhorada consideravelmente com a alteração no ângulo de inclinação das arquibancadas e a aproximação das mesmas em relação ao campo. Todos os assentos terão encosto, e a cobertura atenderá a todo o público. Nos setores VIPs, os camarotes terão um espaço interno maior.” Ainda de acordo com o presidente da EMOP, serão construídas quatro rampas novas. Na parte interna, aumentará o número de elevadores e escadas, essenciais para reduzir o tempo de evacuação do estádio, melhorando a segurança de todos os que estiverem na arena. 
Projeto da Arena Amazônia, estádio de Manaus 
ser reduzida de 43.600 durante o Mundial para
27.000 pessoas para se adequar à demanda 
Arena Pantanal (acima) e
projeto do Maracanã para a Copa
O turismo nas cidades-sedes é outro ponto que só tem a ganhar com os novos estádios. “Muitas regiões terão uma exposição nacional e internacional inédita, inviável de acontecer sem a existência do evento. Quando bem explorado, isso pode trazer retorno de vários tipos”, afirma Daniel Fernandes, arquiteto executivo da reforma do Maracanã e também responsável pelo projeto da Arena Recife.
Projetos do Mané Garrincha, em Brasília (acima),
e do Mineirão (abaixo), em Belo Horizonte

Porto Alegre, Natal, Fortaleza, Recife e Salvador vão sediar jogos
O principal exemplo de arena multiuso no Brasil é o Maracanã, que sediou a primeira e única Copa do Mundo no país até hoje. Foi em 1950, quando a seleção brasileira acabou derrotada surpreendentemente pelo Uruguai e ficou com o vice-campeonato.
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