A cara da seleção
Vencedor de quatro Copas do Mundo, Zagallo, que trabalhou no Maracanã e assistiu à derrota de 1950, confia no hexa em 2014
A imagem de Mario Jorge Lobo Zagallo quase se confunde com a da seleção. Tetracampeão mundial nos anos de 1958, 1962 (como jogador), 1970 (técnico) e 1994 (coordenador técnico), o Velho Lobo, como é chamado, nunca escondeu de ninguém a sua identificação com a camisa amarela, principalmente quando o assunto é Copa do Mundo. Ele ainda participou dos Mundiais de 1974 e 1998 como treinador, além de 2006, como auxiliar. O que pouca gente sabe é que esse alagoano de coração carioca estava presente na final de 1950 no Maracanã e acompanhou de perto a fatídica partida em que o Brasil perdeu de virada para o Uruguai por 2 a 1. Detalhe: os donos da casa jogavam pelo empate. Lenços distribuídos para enfeitar o Maracanã viraram Na época, com 18 anos, ele jogava pelo time da categoria juvenil do América-RJ e servia a polícia do Exército Brasileiro. Para sua sorte, ou azar, o seu pelotão foi escalado para trabalhar na segurança da decisão. Franzino e apaixonado por futebol, o Velho Lobo tratou logo de assistir ao jogo sem se preocupar muito com a atividade para a qual havia sido designado. “A torcida era praticamente toda brasileira, então não tinha muito para fazer, apenas ficar ali parado”, confessou. Na entrevista a seguir, Zagallo conta um pouco do ambiente que cercou aquele jogo, quais imagens ficaram marcadas na sua memória e como a partida influenciou o restante da sua carreira. ISTOÉ - Quando você ficou sabendo que trabalharia na final da Copa de 1950 para ajudar na segurança do jogo? ISTOÉ - O que você fazia no seu trabalho de segurança? ISTOÉ - E onde exatamente você ficou postado? ISTOÉ - Você conseguia ver o jogo ou tinha que ficar de costas para o gramado? ISTOÉ - Qual imagem te marcou mais naquele dia? ISTOÉ - E você, chorou? ISTOÉ - De alguma forma a tristeza deste jogo influenciou o seu patriotismo? ISTOÉ - Nas outras vezes em que você enfrentou o Uruguai, como jogador ou como técnico, você manteve esse espírito de revanche? ISTOÉ - Na época você era juvenil do América-RJ. Conseguia se imaginar campeão com a camisa da seleção oito anos depois? ISTOÉ - Como foi ter concorrência de Pepe e Canhoteiro, dois craques da época, por uma vaga no time titular da seleção? ISTOÉ - E para a Copa de 2014, qual a sua expectativa? Acesse todas as reportagens e fotos da edição especial de ISTOÉ Copa 2014
‘imenso lençol’ para enxugar lágrimas, diz Zagallo

Seleção inglesa perfilada para jogo na Copa de 1950 (acima);
Goleiro uruguaio Maspoli pula na decisão (abaixo).
Zagallo - Na época, estava com 18 anos e servia a polícia do Exército, no sexto pelotão, onde ficavam os esportistas. Justamente por isso, nos avisaram que ajudaríamos na organização. Naquele dia, o pessoal que servia em Santa Catarina foi chamado também. Mas como tinham um porte físico mais forte, ficaram com a parte da segurança externa, e nós, os franzinos, fizemos o trabalho interno.
Zagallo - A torcida era praticamente toda brasileira, então não tinha muito para fazer, apenas ficar ali parado, com uniforme verde-oliva, cassetete, capacete e tudo o que tinha direito.
Zagallo - Fiquei no anel superior, ao lado do gol onde estava o Barbosa (goleiro da seleção brasileira), no canto oposto ao que Ghiggia (atacante uruguaio) avançou e marcou o gol da virada.
Zagallo - Não, não. Fiquei de frente pro campo. Uma oportunidade daquelas, você acha que ficaria de costas? (risos)
Zagallo - Chegamos cedo ao Maracanã para ocuparmos nossos postos. Observei as 200 mil pessoas chegando em festa, com um lenço branco na mão. Acho que foram distribuídos na entrada para enfeitar o espetáculo. O povo inteiro delirando, não tinha visto nada parecido, uma festa fora de série mesmo. Estava tudo preparado para o título. Mas infelizmente, depois do apito final, o Maracanã se transformou no maior cemitério do planeta. O lenço branco que estava na mão de cada um para os festejos acabou por se transformar em um imenso lençol para enxugar as lágrimas de todos os brasileiros.
Zagallo - Tive de segurar meu choro. Estava servindo o Exército Brasileiro, com uniforme verde-oliva, precisava manter a compostura. Mas o choro contido naquele dia foi esbanjado nos anos em que fui campeão.
Zagallo - Fortaleceu sim. Qualquer pessoa presente no Maracanã naquele dia representava não só o Brasil, como pátria, mas também todos os demais brasileiros que não puderam estar presentes.
ISTOÉ - Você sempre se identificou com a amarelinha e é muito supersticioso. Você acha que o Brasil fez bem em aposentar a camisa branca depois daquele jogo? Você teria feito o mesmo?
Zagallo - Não tenha dúvida de que faria o mesmo. O branco na nossa bandeira é diminuto. Só está escrito “ordem e progresso”. Mas o azul, o amarelo e o verde predominam.
Zagallo - Sempre, principalmente quando o jogo era disputado no estádio Centenário (em Montevidéu), onde a paixão deles é tão grande que estendem até hoje uma grande bandeira lembrando a nossa derrota na final da Copa do Mundo de 1950. Mas procuro não ser muito saudosista. Eu digo sempre que a Saudade fica logo acima da Barra Mansa (uma referência à localização de duas estações ferroviárias no Rio de Janeiro).
Zagallo - Tinha o sonho desde criança, mas não imaginava, porque só fui convocado para a seleção brasileira quando tinha 26 anos. Já pensava em seleção desde o América-RJ, quando jogava com a camisa 10 e pedi para ficar com a 11, porque sentia que o caminho seria mais fácil. Mais para frente, tive que enfrentar a concorrência de dois craques da posição, o Pepe e o Canhoteiro. Mas fui convocado e me mantive como titular, até porque tinha uma condição física muito boa e conseguia fazer o vai e vem dentro do campo.
Zagallo - Tenho um orgulho muito grande disso, porque os dois jogadores eram fora de série. O Feola (Vicente Feola, técnico do Brasil em 1958) tinha sido treinador do São Paulo e conhecia muito bem o Canhoteiro (São Paulo) e o Pepe (Santos). Só que eu era um jogador diferenciado, corria os 100 metros do campo, enquanto que a maioria estava acostumada a correr apenas os 50 metros. Eles não participavam do jogo sem a bola. Com esse meu vai e vem, acabei provocando uma grande mudança tática no futebol brasileiro. Fui fazer uma função que antigamente era desempenhada por dois jogadores, o que permitiu a entrada de mais um no setor do meio de campo. Tenho certeza de que esse novo jeito de jogar ajudou nas conquistas que o Brasil teve em 1958, na Suécia, e 1962, no Chile.
Zagallo - Temos que ganhar de qualquer maneira. Gostaria, inclusive, de poder ajudar. Gosto deste barulho. É isso que me dá forças.
MAZINHO
EM 14/01/2011 10:26:16
BRAZIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIL... ZAGALOOOOOOOOOOOOO NA COPA 2014...
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