Comportamento
|  N° Edição:  2143 |  03.Dez.10 - 21:00 |  Atualizado em 24.Out.14 - 06:35

A idade não está na cabeça

Numa inversão de conceitos sociais e padrões estéticos, jovens tosam os cabelos em ousados cortes curtos e mulheres maduras exibem suas longas madeixas

Paula Rocha

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PODEROSA
Aos 52 anos, Tereza Curi é adepta dos fios longos
como complemento de beleza: “Veste melhor”, diz

 

Quando a atriz Emma Watson, 20 anos, divulgou seu novo corte de cabelo, em agosto, fãs do mundo todo ficaram extasiados. Com o fim do contrato que a proibia de cortar suas madeixas onduladas durante os nove anos em que interpretou a personagem Hermione Granger, na série de filmes “Harry Potter”, a bela radicalizou e apostou em um visual conhecido no Brasil como “joãozinho”. Com nuca batida, costeleta desenhada e franja bem curta, Emma passou a integrar um hall de jovens celebridades que estão ditando tendência com seus cortes à la garçonne, ou seja, quase masculinos. As atrizes Carey Mulligan, Michelle Williams e Audrey Tautou são apenas algumas das beldades que, sem temer as tesouras, desfilam looks curtíssimos e influenciam mulheres de 20 a 30 anos do mundo todo a fazer o mesmo. Seguindo na direção oposta, a parcela feminina acima dos 50 anos tem procurado conservar os fios longos, com comprimento abaixo dos ombros, como forma de manter a jovialidade e a sensua­lidade em alta. Entre suas musas figuram as poderosas Demi Moore, Vera Fischer, Sonia Braga e Cher.

A inspiração para os cabelos curtinhos das jovens de hoje vem dos anos 1960. Naquela época, a atriz Mia Farrow e a modelo britânica Twiggy causavam sensação com seus cortes de cabelo considerados extremamente ousados. Mia exibiu fios curtos e bem loiros no filme “O Bebê de Rosemary”, enquanto Twiggy influenciou gerações com sua combinação de franja lateral longa e parte de trás mais curtinha, estampada em vários editoriais de moda. “O corte estilo Twiggy é atemporal, versátil e ainda hoje moderno”, explica a cabeleireira Gabi Diomkinas, do Bardot Salão, em São Paulo. “E de um ano para cá tenho atendido mais meninas dispostas a encarar esse look.” Entre elas está a decoradora Anne Rammi, 30 anos, que já teve os cabelos em todos os tipos de comprimento. “Quando tinha cabelão, sempre deixava preso. O visual curto é bem mais leve e prático”, diz. “Mas tem que ter coragem, porque nem todo mundo aprova.”

O mesmo olhar de desaprovação destinado às meninas de cabelo curto também atinge mulheres com mais de 50 anos que ostentam fios longos. A ideia de que as madeixas grandes são vetadas para as maduras é antiga, mas ainda hoje encontra adeptos. “Dizer que uma mulher com mais de 50 não pode ter cabelo comprido é muito retrógrado”, afirma o cabeleireiro Bruno Di Maglio, do salão paulistano 1838. “Antigamente essa afirmação até podia fazer algum sentido, pois não havia técnicas para mantê-los bonitos à medida que envelheciam. Mas, com os tratamentos de hoje, qualquer mulher pode ter fios longos e lindos.” Os cabelos da empresária Tereza Curi, 52 anos, são a prova disso. A elegante cinquentinha, que já desfilou cortes estilo “joãozinho” na juventude, cultiva há dez anos um look que varia da altura dos ombros à linha do busto. “Cabelo comprido veste melhor. Para mim, é um complemento, um artifício a mais de beleza”, diz.

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RESOLVIDA
Anne Rammi, 30 anos, diz que é preciso ter coragem para
exibir um visual “joãozinho”: “Nem todo mundo aprova”

 

Segundo a especialista em história do corpo Denise Sant’­Anna, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), há muitas mensagens escondidas por baixo das madeixas curtas das jovens e longas das mulheres maduras. Que vão além da questão meramente estética. “Não estamos mais na era da transgressão, mas sim da afirmação. Por isso, cabelos curtos reforçam uma imagem de independência, seja erótica, seja de trabalho ou intelectual”, afirma. “Enquanto os fios mais longos evocam mistérios, segredos. E ainda demonstram que aquela mulher está à vontade com seu próprio corpo e desejo sexual”, diz Denise. Di Maglio confirma o poder de atração de ambos os estilos. “Cabelos compridos chamam muito a atenção dos homens. Mas os curtos têm um charme natural, quase irresistível.” A atual democracia vigente nos salões permite que se escolha independentemente da idade. Apenas o que se quer.

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EM 24/06/2012 18:36:00

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EM 24/06/2012 15:11:22

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Deejay

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Gertrude

EM 21/10/2011 12:02:34

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