Comportamento
|  N° Edição:  2141 |  19.Nov.10 - 21:00 |  Atualizado em 24.Abr.14 - 06:32

Jovens, covardes e homofóbicos

Quem são os acusados de espancar quatro rapazes na capital paulista só porque achavam que eles fossem gays

Bruna Cavalcanti e Solange Azevedo

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VIOLÊNCIA
Betonio foi agredido por jovens de classe média. Câmeras
de segurança gravaram o ataque (acima). Soraia
(abaixo), mãe de um deles, reclamou de uma das vítimas por ter feito BO

 

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"Tudo não passou de uma briga boba." Foi assim que a publicitária Soraia Costa, 37 anos, classificou a série de espancamentos protagonizada pelo seu filho – de 16 anos – e mais quatro amigos. Todos estudantes de classe média, baladeiros e com histórico de rebeldia. Uma das vítimas foi Luis Alberto Betonio. Ele saía de uma delegacia na região central de São Paulo – com o rosto todo inchado, cheio de curativos e uma porção de hematomas pelo corpo – quando foi abordado por Soraia. Era domingo 14. De maneira autoritária, a publicitária reprimiu a atitude do rapaz. “Você não precisava ter feito um boletim de ocorrência.”

Soraia é bonita, moradora de um bairro nobre da capital e cultiva um estilo autoconfiante. Betonio leva uma vida bem mais modesta. Tem 23 anos, estuda numa universidade popular e reside em Parelheiros, uma das áreas mais pobres da cidade. “Fiquei tão indignado que não consegui responder”, contou Betonio à ISTOÉ. O pai de um dos agressores ainda reclamou com o delegado: “O senhor não é médico. Como pode autuar meu filho em flagrante alegando que ele causou uma lesão corporal gravíssima?”

 

Os cinco adolescentes, quatro deles menores de idade, passaram pouco mais de 24 horas detidos. Atrás das grades, choraram. “A carceragem é para chorar mesmo. Ainda mais para quem está acostumado com papai e mamãe sempre socorrendo”, disse o delegado Renato Felisoni, que investiga o caso. “Eles chamaram as vítimas de ‘bichas’ e as espancaram porque achavam que fossem homossexuais.” Além de Betonio, o grupo é acusado de atacar outros três rapazes. Um lavador de carros e dois jovens que esperavam por um táxi na avenida Paulista. “Não sou gay, mas um amigo que estava comigo é”, conta Betonio. “Eu tinha acabado de sair de uma lanchonete. Percebi esses jovens vindo no sentido contrário ao meu. Estavam bem vestidos, pareciam pessoas normais.” Logo que passou pelo bando, o universitário foi surpreendido com golpes na cabeça. Jonathan Domingues, 19 anos, o atacou com duas compridas lâmpadas fluorescentes. “Os outros quatro adolescentes assistiam a tudo dando risadas”, lembra a vítima. A pancadaria começou em seguida.

Apesar de os pais dos agressores alegarem que eles são “bons meninos” e que nunca se envolveram em grandes confusões, amigos relatam que não é bem assim. O filho de Soraia passou por várias escolas de São Paulo e, por mais de uma vez, acabou expulso. Desde o início deste ano, é aluno do Colégio Avanço, na zona sul da cidade. “Ele já foi retirado da sala algumas vezes por causa de indisciplina. Costuma ficar rindo das professoras e jogando bolinhas de papel”, revela uma colega. Depois das agressões, ele continua frequentando as aulas normalmente. Amigos próximos têm se divertido com o garoto dizendo que, se acontecer alguma briga, irão chamá-lo para participar. O adolescente vive com a mãe. Ele é filho de Carlos Massetti, acusado pela polícia italiana de ter ligações com a máfia siciliana, e neto de Gaetano Badalamenti. Conhecido como Dom Tano, Badalamenti morreu em 2004, numa prisão americana, onde cumpria pena por assassinatos e tráfico de drogas. Procurada por ISTOÉ, Soraia negou que seu ex-marido tenha dívidas com a Justiça. “Não temos mais nada para falar. Estamos todos bem”, disse.

Jonathan, o mais velho do grupo, é praticante de artes marciais e também teve problemas na escola. “No ano passado, o pai queria mandá-lo para Curitiba, para a casa de uma irmã”, afirma o instrutor Reinaldo Dutra, proprietário de uma academia de jiu-jítsu na zona sul de São Paulo. “Ele foi aluno durante uns seis meses e já não aparecia havia algum tempo. Não parecia brigão. Mas ouvi dizer que costumava beber quando ia para as baladas.” Jonathan mora com o pai e um irmão num confortável apartamento numa área nobre de São Paulo. Perto dali, vivem os outros três agressores. Um deles, também adepto do jiu-jítsu e de muay-thai. O garoto, de 16 anos, que reside com a mãe, passou a se apresentar na rede social Orkut como “o moleque doido da avenida” assim que foi libertado da Fundação Casa (ex-Febem).

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Os cinco companheiros de farra compartilham gostos e problemas. Todos são filhos de pais separados e apreciam lutas. Mas a violência protagonizada por eles é apenas uma pequena amostra do que ocorre País afora. Na semana passada, o estudante Douglas Igor Rodrigues, 19 anos, levou um tiro na barriga. O disparo foi feito por um militar do Exército no Rio de Janeiro (quadro ao lado). Segundo um levantamento do Grupo Gay da Bahia, pelo menos 3.371 gays, travestis e lésbicas foram assassinados no Brasil desde 1980. “Esses espancamentos, infelizmente, não são casos isolados”, afirma a pesquisadora Regina Facchini, do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da Universidade Estadual de Campinas. “Cadê os pais desses pequenos selvagens?”, pergunta o psicanalista gaúcho Mário Corso. “Esses jovens são de uma miséria psíquica incrível. Quando um homem precisa agredir um homossexual é porque não está seguro da própria masculinidade.”

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HOMOFOBIA DE FARDA

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TIRO
Marques (acima) foi baleado por um militar do Exército no Rio de Janeiro

 

Mais um caso chocante de homofobia abalou a reputação do Rio de Janeiro, cidade eleita o melhor destino gay do mundo por um site e um canal de tevê internacionais. Um dos mais bonitos cartões-postais da cidade, o Arpoador, na orla de Ipanema, foi palco da cena ocorrida no domingo 14, quando um grupo de 20 jovens homossexuais que tinha participado, pouco antes, da passeata do Orgulho Gay estava reunido no local e foi abordado pelos sargentos Ivanildo Ulisses Gervásio e Jonathan Fernandes da Silva. Armados e trajando fardas camufladas, os militares insultaram e expulsaram o grupo. O estudante Douglas Igor Marques, 19 anos, ousou questionar a truculência e, em resposta, foi baleado na barriga. Por sorte, o tiro pegou de raspão. “A motivação foi homofóbica”, afirmou o delegado Fernando Veloso, da Delegacia do Leblon, que autuou os sargentos por tentativa de homicídio duplamente qualificada (motivo torpe e sem dar chance de defesa à vítima). “O cara me empurrou no chão, falou que eu era uma vergonha para a minha família, e atirou”, contou Douglas. Os agressores estão presos preventivamente e podem ser expulsos da instituição.

Para a mãe de Douglas, Viviane da Silva, 37 anos, a identificação e prisão dos agressores conforta a família, embora não cure a dor. “Ficava com medo de ele ser uma pessoa infeliz por causa do preconceito. Essa era a minha maior preocupação, e acabou acontecendo.” Muitas outras famílias choram as agressões e assassinatos cometidos contra filhos por homofóbicos. Em junho, o adolescente Alexandre Thomé Ivo Rajão, 14 anos, foi torturado e morto após uma briga envolvendo jovens gays, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio. “Ele nunca nos disse que era homossexual, por isso, para nós, não era gay. Alexandre foi morto porque tinha amigos homossexuais. Acharam que ele era também”, afirmou à ISTOÉ a irmã do adolescente, Paula. A primeira audiência do caso só será realizada no mês que vem. Os três acusados do crime chegaram a ser presos preventivamente, mas hoje estão livres. “Antes disso tudo eu nem conhecia a palavra homofobia e peço perdão pela minha ignorância. Agora só sinto dor. Saber como meu filho sofreu e que o ser humano pode sentir tanto ódio e matar alguém por um motivo tão banal é muito dolorido”, acrescentou a mãe de Alexandre, Angélica Ivo.

O Estado do Rio foi o primeiro a criar um programa de combate à homofobia, seguindo os passos do governo federal. Nos últimos 12 meses, o “Rio sem Homofobia” registrou 600 denúncias de agressão contra homossexuais — recebidas tanto por um disque-cidadania gay como por registros policiais. “Somos o primeiro Estado a incluir a homofobia como possível motivo de crime nos boletins de ocorrência. Em janeiro do ano que vem, pretendemos inaugurar um núcleo de monitoramento de crimes homofóbicos”, explicou Cláudio Nascimento, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT do Rio.

Adriana Prado e Wilson Aquino

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