Comportamento
|  N° Edição:  2022 |  06.Ago.08 - 10:00 |  Atualizado em 20.Nov.14 - 16:57

Só para mulheres

Cansadas do assédio masculino, mexicanas têm agora ônibus exclusivos na capital do país

CAMILA PATI

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Com 22 milhões de habitantes, ônibus e metrô lotados são comuns na Cidade do México, uma das cinco metrópoles mais populosas do mundo. Lá, as mexicanas ainda têm de lidar com uma situação conhecida de muitas brasileiras: o assédio sexual durante as viagens. Por isso, desde o início do ano, a cidade oferece 65 ônibus reservados apenas às mulheres. Ali homem não entra e sem eles a tranqüilidade reina, segundo as mexicanas. Apesar de representar só 5% da rede e de o tempo de espera nos pontos ser de 30 minutos, a iniciativa foi bem recebida. A idéia partiu de uma mulher que já sofreu na pele os abusos nos transportes públicos. A mexicana Ariadna Montiel, 33 anos, que hoje é a responsável pelo controle das redes de ônibus da capital, conta que nunca vestia saias, quando sabia que ia usar ônibus ou metrô, na época em que ainda freqüentava a faculdade de arquitetura.

A proposta de ônibus exclusivos é nova, mas vagões especiais para mulheres e crianças no metrô, em horários de pico, já existem na Cidade do México há dez anos. Outros países como Japão, Índia, Taiwan, Filipinas e Egito também oferecem o serviço. No Brasil, no Rio de Janeiro, uma lei estadual de 2006 obriga as empresas de metrô e trens a disponibilizarem vagões exclusivos para as mulheres, em dias úteis, das 6h às 9h e das 17h às 20h. Em cada composição, há um carro identificado com um adesivo com o símbolo feminino. A SuperVia, concessionária dos trens no Rio, orienta os homens a não embarcarem nesses vagões nos momentos de pico. “Enfrentar transportes superlotados já é um desconforto em si, e não precisa ser somado ao constrangimento e à humilhação causados por indivíduos que se aproveitam deste fato para ultrapassar os limites e abusar das mulheres”, justifica Jorge Picciani, deputado estadual pelo PMDB.

Em São Paulo, a prática do assédio sexual levou a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) a testar vagões exclusivamente femininos na década de 90. Eles existiram no metrô e nos trens da CPTM entre outubro de 1995 e setembro de 1997 e foram implantados depois que um homem ejaculou em uma mulher dentro de um vagão. A proposta não vingou porque a CPTM alegou que não poderia ferir o artigo 5o da Constituição, que estabelece igualdade de direitos entre os cidadãos, e alguns casais também reclamaram. Hoje, na capital, existem apenas vagões reservados, nas estações mais cheias – nos horários de pico da manhã e noite –, para gestantes, idosos, portadores de deficiência física e pessoas com crianças de até cinco anos.

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