Antropologia
|  N° Edição:  2131 |  10.Set.10 - 21:00 |  Atualizado em 10.Fev.12 - 09:12

A balada de 12.000 anos

Restos achados em caverna de Israel revelam como as festas ajudaram a consolidar as primeiras sociedades

André Julião

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SALÃO DE FESTAS
Pesquisadores no sítio arqueológico israelense

Um grupo de antropólogos da Universidade de Connecticut (EUA) anunciou há poucos dias uma descoberta que atesta algo que todo brasileiro aprende desde pequeno: celebrações comunitárias são fundamentais para a construção de uma sociedade minimamente organizada e feliz. Escavações realizadas em uma caverna israelense revelaram que o local serviu como um salão de festas há 12.000 anos, logo depois do advento da agricultura. Segundo os pesquisadores, os restos mor­tais de uma mulher de meia-idade – provavelmente a líder espiritual de seu grupo –, dispostos ao lado dos ossos de uma vaca e de tartarugas, revelam que cerca de 35 pessoas reuniram-se no local para um banquete realizado du­rante seu funeral.

“A transição para a agricultura está associada à organização de vilarejos mais ou menos permanentes”, disse à ISTOÉ a antropóloga americana Natalie Munro, líder do estudo. Segundo ela, as interações sociais entre humanos mudaram progressivamente a partir do momento em que nossos ancestrais trocaram uma dieta baseada na caça por alimentos cultivados. De forma natural, a competição deu espaço à colaboração – e, por consequência, às celebrações. “Além disso, a abundância de produtos agrícolas também levou à criação das classes sociais e à divisão do trabalho”, afirma Natalie.

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HOMENAGEM
A caverna foi usada para um banquete funerário

Segundo o estudo, publicado na revista científica “PNAS” – publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos EUA –, os indícios encontrados no sítio arqueológico de Israel comprovam ainda que nossos antepassados aproveitavam festividades desse tipo para resolver diferenças tribais de forma, digamos, mais civilizada. “Banquetes são ótimas oportunidades para aliviar tensões e integrar comunidades”, diz Natalie. Ela ainda lembra de mais um detalhe que reforça a teoria de que a agricultura foi decisiva para o processo de assentamento de populações. “Antes disso, grupos menores de humanos tinham de migrar depois de entrar em conflito com seus vizinhos na disputa pela caça. Com a fartura de comida, foi possível sentar e discutir os problemas de barriga cheia.”




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