156606 de outubro de 1999  
Leopoldo Silva
LARANJA - Aleksandro mal assumiu e já pode ser cassado

 C R I M E
A política bandida

Isabela Abdala e Sônia Filgueiras

No Congresso, o deputado José Aleksandro (PFL-AC), substituto de Hildebrando Pascoal, já está na corda bamba. Foi só ele tomar posse no último dia 25 para pipocar uma avalanche de denúncias que expõem sua longa ficha corrida. No Acre, há cinco inquéritos envolvendo-o em crimes como extravio de documentos, peculato, falsidade ideológica e material e formação de quadrilha. Na última semana, o Ministério Público acusou-o de nomear dois laranjas na Câmara Municipal de Rio Branco, onde ocupava o cargo de primeiro-secretário até a cassação de Pascoal, que está preso em Brasília, acusado de liderar um grupo de extermínio e tráfico de drogas. Através dos laranjas, o deputado teria desviado R$ 2 milhões, dos quais R$ 263 mil foram diretamente para a sua própria gráfica.

Em depoimento na CPI do Narcotráfico na última quarta-feira, Aleksandro caiu na casca de banana preparada pelos deputados e acabou assumindo ter sonegado o Imposto de Renda. Na sua declaração de bens apresentada à Câmara, constam apenas duas linhas telefônicas, mas à Comissão ele acabou admitindo ser dono de uma casa, uma chácara e uma caminhonete Ranger. A CPI, no entanto, recebeu informações de que o patrimônio do sucessor de Pascoal é ainda maior. Com base na falta de decoro parlamentar (por mentir ao Congresso), a Comissão encaminhou à mesa da Câmara a abertura do processo de cassação.

O envolvimento de políticos na criminalidade não é uma exclusividade acreana. A bancada do Piauí busca ajuda federal para tentar destruir uma rotina sanguinária do Estado: o assassinato de políticos pelos seus adversários. Nos últimos dez anos, oito prefeitos morreram e outros 15 estão jurados. O caso mais recente ocorreu em janeiro, quando o prefeito de Capitão de Campos, a 134 quilômetros de Teresina, foi fuzilado na porta de casa. O principal suspeito é o vice, acusado de usar dinheiro da prefeitura para pagar o crime, combinado em R$ 3 mil. A regra é o envolvimento da polícia nos assassinatos. “Não é só. Há uma verdadeira indústria de notas frias no Estado usadas pelos prefeitos para desviar dinheiro público”, relata o deputado Wellington Dias (PT-PI). Rondônia também tem o seu rosário de crimes. Há nove anos, o senador Olavo Pires, então candidato ao governo do Estado, foi morto com 14 tiros de metralhadora. O crime continua impune.

 

 
Publicidade Estacao da Luz Foto da Semana Fale com a gente Expediente Assinaturas Arquivo Busca Pulbicidade Estacao da Luz Foto da Semana Expediente Assinaturas Arquivo Busca