EUA precisam respeitar decisões da OMC, diz Lula
Anne Warth
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que o Brasil não tem nenhum interesse em confrontar os Estados Unidos no contencioso sobre o algodão, vencido pelo País na Organização Mundial do Comércio (OMC). O presidente, contudo, cobrou respeito dos norte-americanos aos países economicamente menores e às regras comerciais internacionais. Lula disse que o objetivo do Brasil é que os Estados Unidos diminuam os subsídios aos produtores norte-americanos de algodão, permitindo que países mais pobres, sobretudo africanos, consigam exportar sua produção. "As nações prejudicadas são principalmente as africanas, os países pequenos", ressaltou. O presidente também mandou um recado ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a quem Lula chamou de "companheiro Obama". "Obama e os Estados Unidos são muito ricos e podem fazer o que quiserem na economia", afirmou. "Mas se os Estados Unidos tivessem feito um acordo com o Brasil na Rodada Doha, em 2008, nós não estaríamos agora brigando e o povo africano estaria vendendo o seu algodão na Europa e nos Estados Unidos", cobrou. E o presidente emendou com um pedido: "Eu queria pedir ao Obama que colocasse suas pessoas para negociar rapidamente porque o Brasil não tem nenhum interesse em confrontar os Estados Unidos. O Brasil tem interesse de que os Estados Unidos respeitem as regras da OMC tanto quanto o Brasil respeitará quando a OMC decidir contra nós", explicou. "Ou nós obedecemos as instituições multilaterais ou o mundo vai ficar desgovernado. O mundo vai virar, eu diria, uma bagunça." De acordo com o presidente, o produtor brasileiro não precisa tanto do fim do subsídio norte-americano ao algodão quanto o produtor africano. "Acho que está na hora de a gente dar chance para que o pequeno produtor africano coloque o seu produto nos mercados mais ricos do mundo, que são os Estados Unidos e a União Europeia", afirmou. Lula e a pré-candidata do PT à sucessão no Palácio do Planalto, ministra Dilma Rousseff, participaram hoje da cerimônia de inauguração da Usina Termoelétrica Euzébio Rocha, obra da Petrobras integrante do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e dentro das instalações da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão. Copyright © 2010 Agência Estado. Todos os direitos reservados.
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Victor Belaciano
EM 10/03/2010 15:37:32
E o Brasil não precisa respeitas nem a OMC nem os EUA.
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