ISTOÉ Online |  30.Set.11 - 09:38 |  Atualizado em 06.Abr.12 - 18:25

Dilma vai à Bulgária e participa de cúpula Brasil-UE em plena crise

AFP

A presidente Dilma Rousseff viaja no sábado a Bruxelas para participar da cúpula Brasil-UE em plena crise no Velho Continente, em uma viagem que a levará também para a Bulgária, terra de seu pai, e para a Turquia, onde poderá reforçar uma significativa aliança política.

Inaugurada em 2007, quando a Europa quis estabelecer uma aliança estratégica com o Brasil, a cúpula que reúne os 27 países da União Europeia e o Brasil deve ser dominada pelo tema da crise econômica.

"Certamente haverá um diálogo sobre a crise econômica" entre Brasil e Europa, apesar de o Brasil chegar também com ambições de "ampliar o comércio e o investimento", informou nesta sexta-feira o porta-voz da Presidência, Rodrigo Baena.

O governo brasileiro informou semanas atrás que as grandes nações emergentes poderiam ajudar a Europa nesse momento de crise, tema que segundo Baena não está descartado da agenda.

"A crise mudou radicalmente o cenário, e as posições se tornaram mais cautelosas dos dois lados (Brasil e Europa), mas o importante é que não se rompa o processo de aproximação dos últimos dois anos", disse à AFP a chefe de negociações internacionais da Confederação Nacional de Indústria (CNI), Zoraia Rosar.

O Mercosul e a UE retomaram em 2010 as negociações de um acordo de livre-comércio paralisadas em 2004, mas estas claramente não avançam.

A Europa terá que decidir se colocará sobre a mesa seus receios originados pelas recentes medidas do Brasil para proteger sua indústria, com exonerações fiscais e o aumento do imposto à importação de automóveis, consideradas protecionistas.

"Há uma preocupação europeia, mas temos que deixar claro que são medidas conjunturais, com um prazo" diante da acelerada perda de competitividade da indústria exportadora brasileira por conta da apreciação do real, disse Rosar.

O Brasil é o quarto principal destino dos investimentos europeus, e o sexto maior investidor na Europa, segundo o governo brasileiro. O país se tornou no primeiro semestre de 2011 o nono parceiro comercial da UE.

Um tom mais pessoal terá a passagem de Dilma pela Bulgária, apesar de uma alta fonte da chancelaria ter revelado à AFP que o Brasil também explora uma aliança estratégica com esse país do leste europeu.

A presidente de 63 anos estará em Sofia na quarta-feira, e na quinta viajará a Gabrovo, terra de origem de seu pai, no centro do país e aos pés dos Balcãs, onde se encontrará com familiares.

"A viagem da presidente à Bulgária terá um forte componente pessoal, emocional, dados os laços familiares com o país", informou Baena.

A vitória eleitoral de Dilma há um ano provocou comoção na Bulgária, e suas primas búlgaras declararam ter a esperança de conhecê-la.

O pai de Dilma, Petar Rusev, emigrou em 1929 para França, Argentina e, finalmente, Brasil, onde constituiu família com uma brasileira. Em 1948 voltou a se comunicar com sua família na Bulgária, onde tinha deixado uma esposa grávida, informaram familiares de Dilma à imprensa búlgara.

A visita à Bulgária pode abrir portas para uma maior presença da Embraer no país e à venda de ônibus brasileiros, informou o governo.

Dilma se reunirá com o presidente turco, Abdullah Gül, e com o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, em Ancara na próxima sexta-feira, com a meta de fortalecer uma aliança inaugurada por seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Brasil e Turquia negociaram com o Irã, em 2010, um acordo sobre o alcance do programa nuclear iraniano não aceito pela comunidade internacional.

Os dois países "darão continuidade ao diálogo estratégico bilateral (...). A Turquia é um ator privilegiado em questões de Oriente Médio, e certamente haverá um diálogo sobre esses assuntos", disse o porta-voz.

"São dois líderes regionais, com afinidades econômicas razoáveis e lideranças respeitadas", destacou à AFP o cientista político Christian Lohbauer.

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