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| Com afeto: o analista Sidney
Fratucci, 47 anos, não vê desvantagens em morar
com a mãe, Victória. Ao contrário, quando
ela viaja, ele sente falta “até das brigas”.
“Se não morasse com ela, acho que sentiria solidão” |
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| Filhos da mãe |
| Na barra da saia |
Eles estão crescidinhos, mas não querem saber
de sair da casa dos pais. Saiba por quê |
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| Juliana Villas |
Com eles, não tem essa história de conflito de gerações.
Os jovens dos dias de hoje não acham que sair logo da casa
dos pais seja fundamental para conquistar autonomia e a auto-afirmação.
Pelo contrário, valorizam – e muito – a relação
familiar. De acordo com uma pesquisa da Fundação Perseu
Abramo, 43% dos jovens entre 15 e 24 anos não têm planos
de sair da casa dos pais. Sinal dos tempos. Os pais de hoje também
são bem diferentes dos de ontem. Muitos permitem que seus
rebentos levem os parceiros para dormir em casa, não controlam
tanto os horários e fazem questão de dar, quando podem,
respaldo emocional e financeiro e liberdade para os filhos investirem
na própria carreira. O mercado de trabalho cada vez mais
difícil e inseguro é um dos motivos que levam os jovens
a retardar a saída de casa, já que, enquanto moram
com os pais, podem juntar dinheiro, estudar, viajar e alcançar
uma situação estável antes de encarar, sozinhos,
a manutenção da casa. “Os jovens não
têm nada a ganhar saindo de casa, só aborrecimentos,
responsabilidades, gastos e chatices. A casa da mãe é
como um hotel cinco estrelas sem muitas restrições”,
compara a psicóloga Magdalena Ramos, do Núcleo de
Estudos da Família, da PUC-SP. A família Minami, composta
de quatro filhas com idades entre 17 e 31 anos, ilustra bem essa
tese. Os pais, Salete e Roberto, acham que as filhas só devem
sair para a carreira solo com muito planejamento e depois de formadas,
pós-graduadas e com a “vida ganha”. E jamais
pagar aluguel. Elas não discordam. A dentista Roberta Akemi,
31 anos, vai casar daqui a alguns meses. Só está esperando
terminar a reforma de sua casa própria, já quitada.
“Pude juntar dinheiro, me planejar e não vou pagar
aluguel, que é dinheiro jogado fora. Morando aqui, fiz duas
faculdades e me estabilizei profissionalmente”, conta. Sua
irmã, a advogada Flávia Tamiko, 29 anos, também
está com o pé
no altar e procura uma casa para comprar, antes de juntar as escovas
de
dentes com o namorado. “Meu pai ensinou a não dar um
passo maior do que
as pernas, por isso eu não iria me comprometer com dívidas
antes de ter uma
vida financeira estável”, conta.
Outro motivo que segura os filhos em casa é a tranquilidade
de não se preocupar com responsabilidades domésticas.
Sobra mais tempo para cuidar dos interesses pessoais. A fisioterapeuta
Fernanda Naomi, 25 anos, nunca pensou em sair de casa, nem tem planos.
Formada há três anos, já fez pós-graduação
e abriu sua clínica. Namora há três anos, mas
não pensa em casar. “Não estou preparada para
lavar cuecas. Aqui, eu só arrumo minha cama e nada mais ”,
brinca. A liberdade também é um fator importante para
as irmãs. Apesar de não levarem os namorados para
dormir em casa, todas têm liberdade para viajar e saem sem
horário para voltar. Para a psicóloga Magdalena, “antes
os filhos saíam de casa em busca de liberdade, sobretudo
sexual. Mas, hoje, os pais não tiram a liberdade dos filhos.
Eles têm tudo em casa, além da mordomia”, explica.
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Economia: as irmãs
Fernanda, 25 anos, Flávia, 29, e Roberta, 31, ainda estão
grudadas em dona Salete. Para sair de casa, só quando
estiverem com
a vida financeira estável.
A ordem é: “Nada de pagar aluguel” |
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Há um risco, porém, em manter o filho na barra da saia
por muito tempo: ele pode se tornar acomodado e, muitas vezes, incapaz
de gerenciar a própria vida. Para Magdalena, “o risco
é criar um panorama perverso porque esses jovens amadurecem
tarde e na casa dos pais não se confrontam com dificuldades,
o que pode torná-los pouco ou nada ousados”, explica.
Na prática, morar com os pais
tem lá suas desvantagens, como a falta de privacidade, por
exemplo.
O analista de sistemas Sidney Fratucci, 47 anos, é o filho
mais novo de uma família de quatro irmãos. Ele é
o único que não se casou – porque ainda “não
encontrou a pessoa certa” – e depois que o pai morreu
ficou morando com a mãe, Victória, 80 anos. O elo
emocional com ela, sem dúvida, é o que o mantém
em casa até hoje. “Quando minha mãe viaja, sinto
muita falta, até mesmo das brigas. Se não morasse
com ela, acho que sentiria solidão”, conta ele, que
não vê nenhuma desvantagem em morar com a mãe,
já que sempre faz tudo o que quer. Magdalena explica que,
no caso de pessoas com mais de 35 anos que ainda vivem com os pais,
o vínculo é estritamente afetivo, ao contrário
dos filhos mais jovens, que, quando demoram para sair de casa, é,
muitas vezes, por questões financeiras. Os chamados “solteirões”
geralmente não cortam os laços com os pais, que são
muito fortes e, por isso, dificilmente podem ser superados por um
novo núcleo familiar. Outro fator relevante na hora de deixar
a casa materna é a solidariedade prática – o
que, para quem vive numa cidade como São Paulo, é
importante. Sidney leva dona Victória ao médico, faz
compras e leva e pega a mãe no aeroporto quando ela vai ou
volta das excursões com as amigas. Na casa dos Minami, Roberta
pega o pai no trabalho, Flávia leva a mais nova para o colégio,
que nas horas vagas ajuda a mãe a organizar a casa, Fernanda
dá carona quando Roberta vai a algum lugar difícil
de estacionar e assim vai. Mas, de todos os motivos que mantêm
os filhos na casa dos pais, sem dúvida um é consenso:
ter sempre por perto o acolhedor e insuperável colo da mamãe.
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