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Na boléia do caminhão
Foto:MAX PINTO
O assunto ecopirataria demanda cada vez mais atenção,
tanto no Brasil quanto internacionalmente. Quando a repórter
de ISTOÉ Luiza Villaméa me contou uma história,
concordamos imediatamente: alí estava uma grande pauta.
Índios brasileiros e guianos, todos da etnia Waipixana,
tiveram pirateados (leia-se patenteados) os princípios ativos
de duas plantas que, já há muitas gerações,
faziam parte do seu uso cotidiano. Usavam suas qualidades medicinais
e práticas para a pesca, como cicatrizante de cortes, anticoncepcional,
tratamento de feridas, etc...
Mas grandes pautas de ecopirataria demandam, além de muita
atenção, muito trabalho operacional. Precisa-se vencer
as grandes distâncias, a dificuldade de acesso, as barreiras
da língua (índios não falam o português!),
e, se você conseguir chegar lá, aí sim começar
a trabalhar.
Foram quase 7 horas de vôo (duas escalas) de São Paulo
a Boa Vista, no estado de Roraima. Mais 2 horas de carro até
a fronteira com a Guiana Inglesa. Uma travessia de balsa, mais 20
minutos até Lethem. Após obtermos autorização
com a polícia local e transporte poderíamos começar
as 4 horas de estrada de terra bem esburacada até Sand Creek,
aldeia de índios waipixanas no interior da Guiana. Na boléia
de um velho caminhão militar inglês.
Sob o céu estrelado da Guiana, era quase meia noite quando,
na travessia do segundo rio, o motorista errou o caminho sobre as
lajes de pedras e o caminhão, naquele escuro, no meio da
água, começou a virar. Todos na boléia corremos
para o outro lado. Graças a Deus o caminhão estancou.
Chegamos à pé, com nossos calçados molhados,
a um grupo de casas, próximo a Sand Creek. Uma boa noite
de sono em rede nos separava de nossa matéria. Tudo isso
para voltar no dia seguinte.
MAX PINTO
Repórter fotográfico
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