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EDIÇÃO EXTRA
 
 
EDIÇÃO HISTÓRICA DO PENTACAMPEONATO
30/06/2002

O primeiro mata-mata
Juiz ajuda, mas o Brasil mostra força no ataque, e
a entrada de Kléberson acerta o meio de campo

Edmundo Clairefont

  Thomaz Kienzle/AP - Asahi Shimbum/Schinichi Iizuka/AP
  Marcos garantiu o empate até Rivaldo fazer um golaço com um chute de fora da área

Para o Brasil, a Copa do Mundo começou aqui. Depois de uma primeira fase mamão-com-açúcar, a trupe de Scolari, em sua quarta pugna, finalmente enfrentaria um adversário com alguma tradição na competição.

A Bélgica, presente nos últimos seis campeonatos mundiais, vinha de um grupo modesto, em que se classificou ao lado do Japão. Seleção com a maior média de idade do mundial (29,4 anos), calcada no poder de definição de seu maior goleador em Copas, o atacante Wilmots. O quarto adversário a vestir cores carmesins no périplo rumo ao penta.

Já para o escrete verde-amarelo, a primeira fase serviu para sacramentar a campanha 100%, a melhor entre os 32 selecionados do mundial. Onze gols marcados, três sofridos. Alento ainda maior: enquanto passávamos tranquilos pela classificatória, no meio do caminho, entre frustrações e vexames, vimos três das seleções favoritas ao título terem seus passaportes de volta carimbados. A copa das savanas, em que as zebras eram pintadas ao sabor da ocasião: a França, de Zidane, em pífia campanha sem gols; a Argentina, da constelação liderada por Ortega, Batistuta e Verón, que, de tão brilhante, ficou cega; e Portugal, do melhor do mundo Figo. Times que decepcionaram e jogaram às favas a velha ordem mundial da bola. Sem contar com os trancos, barrancos e tropeços de Alemanha, Espanha e Itália.

Oitavas-de-final
Brasil 2 X 0 Bélgica 17 de junho Kobe, Japão

Contra os endiabrados vermelhos, Felipão repete a escalação que estreou na competição. Voltou a apostar no talento do incerto Edmílson. Antevendo um jogo duro e retrancado, o que de fato foi, escalou Gilberto Silva, sacou Anderson Polga, insistiu em Juninho, deixou Ronaldo isolado num ilharéu de beques rubros, e a Rivaldo coube todo o resto, ou seja, criar e carimbar as redes do goleiro De Vlieger. Tarefa ingrata, missão cumprida.

Como destaca o zagueiro do tetra Márcio Santos: “O Brasil não teve uma boa atuação. Foi um jogo bem difícil.” De fato, a Bélgica começou melhor, atacando, dominando a faixa de campo que separava um ataque insular e uma defesa perdida. Nesse embate, a Seleção passou por alguns de seus piores momentos no torneio.

Tanto que, aos 35 minutos do primeiro tempo, a nação tremeu com a subida de Wilmots, vencendo na impulsão Roque Júnior e carimbando a rede de Marcos, de cabeça. Coisa de inverter o ditado e sentir o bico da chuteira ciscar o coração. Aflição que durou um átimo. O juiz jamaicano Peter Prendergast, de posse de um insuspeito apito verde-amarelo, anulou o tento. Suspiros aliviados e a eterna discussão: teria ele errado?

Ricardo Mazalan/AP  
Roberto Carlos esteve bem tanto na defesa quanto nas arrancadas pela lateral  

Discussão que se apequenou, aos 21 minutos do segundo tempo, sob o talento de Rivaldo. No contra-ataque do Brasil, Rivaldo mata o lançamento de Ronaldinho no peito, gira, deixa a bola escorrer para o pé esquerdo e manda um tirambaço, com direito a desviada no zagueiro belga, que foi morrer no fundo da rede de De Vlieger. Brasil 1 a 0.

Alternando lampejos criativos e dormências, a seleção empolgava a torcida adversária (inclusive metade do time inglês presente à arena, vislumbrando seu próximo embate). Ronaldinho fez uma atuação apagada, com alguns lampejos. Não foi o único. Cafu, menos eficiente que de costume. A zaga, do desafinado terceto Lúcio, Roque Júnior e Edmílson, uma calamidade. Felipão, na pressão belga, fechava as porteiras com a substituição de Ronaldinho por Kléberson e arriscava o contra-ataque com Denílson, no lugar de Juninho.

Como destaques, Marcos, finalmente exigido, atuou com segurança. Ronaldo, mesmo sumido em boa parte do jogo, carimbou a rede adversária, após o cruzamento de Kléberson, e construiu o caminho para a briga pela artilharia contra o alemão Klose. E Rivaldo, sempre ele no comando, participando de todos os lances de perigo, além de abrir o marcador. Mais uma vez, o melhor em campo.

Para o técnico Paulo César Carpegiani, há de se ressaltar a mão forte de Felipão na condução da equipe. “Hoje, o futebol é exclusivamente resultado. O Felipe era a pessoa certa, na Copa certa. Um cara que centraliza os problemas e motiva a equipe. Contra a Bélgica, um time de futebol compacto, isso foi essencial.”

Na definição precisa de Márcio Santos, o resumo da ópera: “O time foi esforçado. Não jogou bem, mas contamos com Ronaldo e Rivaldo. Não precisa de muito mais. Eles carregaram o piano nas costas numa boa.”

Ademir da Guia, ex-jogador de futebol
Esse foi aquele jogo do gol de cabeça anulado, não? Olha, o juiz anulou mal.
Foi um gol legítimo. Mas é do futebol. Não estávamos bem em campo. Quando
falhamos, tivemos a sorte da ajuda do árbitro. Às vezes, para ganhar é preciso
ter sorte. O futebol é assim. Foi um momento importante. O Brasil teria dificuldades
de virar, caso o gol valesse. Em Copa do Mundo não tem jogo fácil. Todos dão
trabalho. O negócio é superar os problemas. O Brasil foi bem. Veio para o
torneio desacreditado, mas tinha os três ‘erres’ que desequilibram

 

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