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O
primeiro mata-mata
Juiz
ajuda, mas o Brasil mostra força no ataque, e
a entrada de Kléberson acerta o meio de campo
Edmundo
Clairefont
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Marcos
garantiu o empate até Rivaldo fazer um golaço com
um chute de fora da área |
Para o Brasil, a Copa do Mundo começou aqui. Depois
de uma primeira fase mamão-com-açúcar,
a trupe de Scolari, em sua quarta pugna, finalmente enfrentaria
um adversário com alguma tradição na
competição.
A Bélgica, presente nos últimos seis campeonatos
mundiais, vinha de um grupo modesto, em que se classificou
ao lado do Japão. Seleção com a maior
média de idade do mundial (29,4 anos), calcada no poder
de definição de seu maior goleador em Copas,
o atacante Wilmots. O quarto adversário a vestir cores
carmesins no périplo rumo ao penta.
Já para o escrete verde-amarelo, a primeira fase serviu
para sacramentar a campanha 100%, a melhor entre os 32 selecionados
do mundial. Onze gols marcados, três sofridos. Alento
ainda maior: enquanto passávamos tranquilos pela classificatória,
no meio do caminho, entre frustrações e vexames,
vimos três das seleções favoritas ao título
terem seus passaportes de volta carimbados. A copa das savanas,
em que as zebras eram pintadas ao sabor da ocasião:
a França, de Zidane, em pífia campanha sem gols;
a Argentina, da constelação liderada por Ortega,
Batistuta e Verón, que, de tão brilhante, ficou
cega; e Portugal, do melhor do mundo Figo. Times que decepcionaram
e jogaram às favas a velha ordem mundial da bola. Sem
contar com os trancos, barrancos e tropeços de Alemanha,
Espanha e Itália.
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Oitavas-de-final
Brasil 2 X 0 Bélgica 17 de junho Kobe,
Japão
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Contra os endiabrados vermelhos, Felipão repete a
escalação que estreou na competição.
Voltou a apostar no talento do incerto Edmílson. Antevendo
um jogo duro e retrancado, o que de fato foi, escalou Gilberto
Silva, sacou Anderson Polga, insistiu em Juninho, deixou Ronaldo
isolado num ilharéu de beques rubros, e a Rivaldo coube
todo o resto, ou seja, criar e carimbar as redes do goleiro
De Vlieger. Tarefa ingrata, missão cumprida.
Como destaca o zagueiro do tetra Márcio Santos: O
Brasil não teve uma boa atuação. Foi
um jogo bem difícil. De fato, a Bélgica
começou melhor, atacando, dominando a faixa de campo
que separava um ataque insular e uma defesa perdida. Nesse
embate, a Seleção passou por alguns de seus
piores momentos no torneio.
Tanto que, aos 35 minutos do primeiro tempo, a nação
tremeu com a subida de Wilmots, vencendo na impulsão
Roque Júnior e carimbando a rede de Marcos, de cabeça.
Coisa de inverter o ditado e sentir o bico da chuteira ciscar
o coração. Aflição que durou um
átimo. O juiz jamaicano Peter Prendergast, de posse
de um insuspeito apito verde-amarelo, anulou o tento. Suspiros
aliviados e a eterna discussão: teria ele errado?
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| Roberto
Carlos esteve bem tanto na defesa quanto nas arrancadas
pela lateral |
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Discussão que se apequenou, aos 21 minutos do segundo
tempo, sob o talento de Rivaldo. No contra-ataque do Brasil,
Rivaldo mata o lançamento de Ronaldinho no peito, gira,
deixa a bola escorrer para o pé esquerdo e manda um
tirambaço, com direito a desviada no zagueiro belga,
que foi morrer no fundo da rede de De Vlieger. Brasil 1 a
0.
Alternando lampejos criativos e dormências, a seleção
empolgava a torcida adversária (inclusive metade do
time inglês presente à arena, vislumbrando seu
próximo embate). Ronaldinho fez uma atuação
apagada, com alguns lampejos. Não foi o único.
Cafu, menos eficiente que de costume. A zaga, do desafinado
terceto Lúcio, Roque Júnior e Edmílson,
uma calamidade. Felipão, na pressão belga, fechava
as porteiras com a substituição de Ronaldinho
por Kléberson e arriscava o contra-ataque com Denílson,
no lugar de Juninho.
Como destaques, Marcos, finalmente exigido, atuou com segurança.
Ronaldo, mesmo sumido em boa parte do jogo, carimbou a rede
adversária, após o cruzamento de Kléberson,
e construiu o caminho para a briga pela artilharia contra
o alemão Klose. E Rivaldo, sempre ele no comando, participando
de todos os lances de perigo, além de abrir o marcador.
Mais uma vez, o melhor em campo.
Para o técnico Paulo César Carpegiani, há
de se ressaltar a mão forte de Felipão na condução
da equipe. Hoje, o futebol é exclusivamente resultado.
O Felipe era a pessoa certa, na Copa certa. Um cara que centraliza
os problemas e motiva a equipe. Contra a Bélgica, um
time de futebol compacto, isso foi essencial.
Na definição precisa de Márcio Santos,
o resumo da ópera: O time foi esforçado.
Não jogou bem, mas contamos com Ronaldo e Rivaldo.
Não precisa de muito mais. Eles carregaram o piano
nas costas numa boa.
Ademir
da Guia, ex-jogador de futebol
Esse foi aquele jogo do gol de cabeça anulado, não?
Olha, o juiz anulou mal.
Foi um gol legítimo. Mas é do futebol. Não estávamos
bem em campo. Quando
falhamos, tivemos a sorte da ajuda do árbitro. Às
vezes, para ganhar é preciso
ter sorte. O futebol é assim. Foi um momento importante.
O Brasil teria dificuldades
de virar, caso o gol valesse. Em Copa do Mundo não
tem jogo fácil. Todos dão
trabalho. O negócio é superar os problemas. O Brasil
foi bem. Veio para o
torneio desacreditado, mas tinha os três ‘erres’
que desequilibram |
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