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Tecnologia  
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O iPhone do Google
O maior site de busca enfrenta a Apple com um celular que opera de graça

TATIANA DE MELLO

ALBERT GEA/REUTERS

Difícil imaginar quem poderia concorrer com a Apple e seu celular iPhone, o aparelho que virou ícone nos quatro cantos do mundo. Na enxuta lista de fortes oponentes, sem dúvida o mais apto a entrar nessa disputa é o Google, empresa que se consolidou como o maior site de busca na internet, disponibilizando gratuitamente bons programas de computador. Pois bem, é de fato o Google que acaba de migrar para a telefonia e vai mesmo concorrer diretamente com a Apple numa briga que promete ser boa: as duas empresas estão entre as mais modernas do mundo e volta e meia nos surpreendem com tecnologias revolucionárias. A resposta do Google ao iPhone veio no formato de um programa para celulares. Parece pouco, mas pode ser muito, uma vez que a empresa entra nesse filão se valendo de sua velha e eficiente receita: softwares simples, inteligentes, gratuitos e inovadores.
“Ele é muito mais ambicioso do que um aparelho poderia ser”, declarou Eric Schmidt, presidente do Google. O novo sistema integra as funções comuns de um telefone (fazer ligações e montar agendas, por exemplo) com soluções propostas pelo Google. Com o Android é possível, com um toque na tela, encontrar o endereço de uma pessoa no localizador Google Maps ou no ambiente virtual 3D do Google Maps Street View. “Está-se criando um novo ambiente de computação móvel que vai facilitar a maneira de acessar e compartilhar informações pelo celular”, diz Schmidt. De modo geral, as novidades apresentadas assemelham- se às propostas pelo iPhone. Um dos pontos fortes do Android, no entanto, é que ele é totalmente gratuito. Mais: o celular é distribuído com seu código-fonte aberto e, assim, poderá ser aprimorado por qualquer especialista. Isso permite que o programa seja sempre atualizado e, regra número um do Google, possa ser disponibilizado aos clientes via internet e sem custo. Para incentivar programadores de todo o mundo a melhorar os seus próprios programas, o Google criou um prêmio espetacular: US$ 10 milhões pelo melhor aplicativo do Android que for apresentado.
O que o Google ganhará com um programa que será distribuído de graça e poderá ser modificado? Eis a resposta: atualmente existem no planeta três vezes mais aparelhos celulares do que computadores. Ao ingressar na telefonia, o Google tenta conquistar um mercado gigantesco para a publicidade, sua principal fonte de renda. A estimativa mundial é que, daqui a três anos, um bilhão de pessoas acesse a internet pelo celular e não através do computador, movimentando cerca de US$ 13,8 bilhões em anúncios. Nos EUA o Android chega ao mercado dentro de três meses, ao preço de US$ 399. O Brasil o conhecerá em meados de 2009.

 

21/8/2008


 
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