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Salto de ouro
Depois de ser barrada nos Jogos Olímpicos de Atenas, Maurren Maggi lava a alma e salta para a eternidade ao se tornar a primeira brasileira campeã olímpica em uma prova individual

MÁRIO SIMAS FILHO Enviado especial a Pequim (China)

AP/LUCA BRUNO/IMAGEPLUS

Olhos fixos à frente, antes da primeira participação na final do salto em distância realizada sexta-feira 22, nos Jogos Olímpicos de Pequim, Maurren Maggi tinha em mente vencer não apenas os metros que a separavam da caixa de areia. Depois de uma dura preparação feita nos últimos meses, ela sabia que estava pronta a dar volta por cima em sua própria vida. Quatro anos antes, tinha sido excluída da delegação brasileira enviada à Olimpíada de Atenas acusada de doping por usar um creme cicatrizante com a substância proibida clostebol. Quem esteve com ela antes da competição, pôde testemunhar sua determinação. “Vou brigar por medalha”, disse a atleta a ISTOÉ. “Mereço uma compensação por ter ficado tanto tempo longe de Sophia”, disse, referindo-se à sua filha de três anos, que ficou no Brasil. A previsão se cumpriu. Já na primeira tentativa, Maurren saltou 7,04m, sua melhor marca em cinco anos. Com esse resultado, um centímetro à frente da russa Tatyana Lebedeva, a atleta de 32 anos se tornou a primeira mulher brasileira a conseguir uma medalha de ouro numa Olimpíada em esporte individual. Ela comemorou o feito dando a volta olímpica no Ninho do Pássaro envolta na bandeira brasileira e segurando também o pavilhão chinês. Quando o hino brasileiro ecoou no estádio, na cerimônia de entrega da medalha, Maurren não sabia se sorria ou se chorava. As lágrimas dessa vez, ao contrário de 2004, também eram sinal de alegria.

PFAFFENBACH/REUTERS/LATINSTOCK
VITÓRIA A primeira na prova acima dos sete metros, Maurren em nenhum momento perdeu a liderança

De quebra, a conquista de Maurren serviu para lavar a honra do atletismo, que não havia subido ao pódio uma vez sequer nesses Jogos. “Me sinto mais madura agora, sabia que estava melhor preparada”, disse. A atleta mostrou-se agradecida aos seus colegas de esporte. “Todos no atletismo me deram muita força, devo isso a eles”, diz. Dessa vez, parece que tudo conspirou a favor dela. Sua principal oponente, a portuguesa Naíde Gomes, que cravou o melhor salto do ano (7,12 m) não disputou a final. Durante as eliminatórias ela queimou os primeiros saltos e chegou a errar completamente a distância. A partir dali, bastava a Maurren confirmar na final a sua boa preparação, o que acabou acontecendo. Em meio à comemoração, a atleta certamente lembrou-se da imagem de sua filha agarrada à sua perna, quando, no fim de julho, se despediu da menina no Aeroporto de Guarulhos. Para consolar a pequena, Maurren explicou: “Vou trazer uma medalha”. Ao que Sophia respondeu, inconformada: “Não quero medalha, quero você”. A atleta embarcou triste, deixando a filha para trás. Ainda bem. Agora Sophia poderá ter a mãe de volta e a medalha dourada como prêmio de consolação. Graças à determinação de Maggi, o Brasil ganhou uma nova heroína.

 

21/8/2008


 
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