No tocante ao caso Opportunity, Chicaroni diz ter sido procurado por um desembargador aposentado, chamado Pedro Rota, para que tentasse obter informações sobre o caso. A primeira coisa que fez foi procurar Protógenes, que, dias depois, o apresentou ao delegado Victor Hugo, titular da investigação. Já naquele encontro, os dois teriam exigido, segundo afirma Chicaroni no segundo depoimento, a quantia de R$ 50 mil. E, em seguida, os dois delegados teriam ido numa "Mercedes-Benz preta" ao seu apartamento para pegar o dinheiro. A partir daí, Protógenes teria ligado diversas vezes a Chicaroni para conseguir um encontro entre alguém do Opportunity e o delegado Victor Hugo. No dia do jantar filmado pela PF, realizado no restaurante El Tranvia, em São Paulo, Protógenes teria até o alertado, com antecedência, sobre o pedido de US$ 1 milhão que seria feito a Humberto Braz. O delegado, por sua vez, tem evitado falar com a imprensa desde que passou a se dedicar a um curso na Academia de Polícia.
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O ATUAL DEFENSOR Alberto Carlos Dias passou a disparar contra os delegados da PF |
No segundo depoimento, além de comprometer seu "ex-amigo", o professor pediu ao delegado Ricardo Saadi, novo titular do inquérito da Satiagraha, a quebra do seu próprio sigilo telefônico. "Isso deixará claro quantas vezes o Protógenes me procurou antes daquele jantar", disse Chicaroni à ISTOÉ. "Minha ligação era com ele." O professor hoje diz que nem sequer tem certeza de que a origem do dinheiro deixado em sua casa seja mesmo do grupo Opportunity, embora isso conste do seu primeiro depoimento. Segundo ele, eram pessoas desconhecidas que ligavam para a sua casa e deixavam os pacotes de dinheiro na portaria do seu prédio, dizendo agir em nome de Humberto Braz, assessor de Dantas. De qualquer forma, é difícil entender por que uma pessoa recebe pacotes de dinheiro em casa, sem se preocupar, ao menos, em checar a procedência.
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| PROTÓGENES: O delegado está na mira de Chicaroni |
Se tudo isso não bastasse, o professor Chicaroni também passou a questionar a conduta do primeiro advogado que se apresentou em seu nome, chamado Jean Menezes de Aguiar, e que deu entrevistas às televisões na porta da Polícia Federal no momento em que ele estava preso. "Jamais dei uma procuração a ele", disse Chicaroni. Procurado por ISTOÉ, Aguiar disse que não havia mesmo procuração, porque não houve tempo para uma negociação formal. "Hugo é amigo do nosso escritório e, inclusive, nomeou meu sócio como sua testemunha na Polícia Federal", diz o advogado. Hoje, quem defende Chicaroni é o criminalista Alberto Carlos Dias. Outro furo na versão do professor - desta vez presente nos dois depoimentos - tem a ver com parte do dinheiro que ele mantinha em casa, referente a supostos honorários de consultoria pagos pela empresa Frango Forte. "Ele não tem qualquer relação conosco", disse à ISTOÉ Danilo Martins, responsável pelo marketing da empresa avícola. A ex-mulher do professor, Eleniza Sammarco, também o acusa de possuir três fazendas não declaradas em Mato Grosso e de não ter incluído os bens no processo de separação do casal.
Em vários aspectos, a história do professor surpreende. Depoimentos contraditórios, conflitos entre as versões dos advogados e uma amizade de sete anos com o delegado que o prendeu são elementos incomuns em investigações da Polícia Federal. Uma hipótese é a de que, em seu segundo depoimento, o professor tenha combinado a sua defesa com os advogados do grupo Opportunity. Chicaroni nega. "Eu estava preso, incomunicável e nem sequer tenho os telefones deles", diz o professor. "O que eu quero é a verdade", insiste. As múltiplas versões de Chicaroni só tornam a história ainda mais nebulosa. Caberá ao juiz Fausto De Sanctis, que preferiu não falar sobre as contradições dos depoimentos, dissipar a cortina de fumaça do homem- bomba.
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