ISTOÉ - Independente
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA & TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
  COLUNISTAS
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Brasil  
Imprimir
 
A estranha história do homem-bomba
Hugo Chicaroni tem duas versões: uma contra Daniel Dantas e outra contra Protógenes Queiroz. Onde está a verdade?

LEONARDO ATTUCH

De todos os personagens trazidos a público pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, nenhum ocupa uma posição tão relevante na trama quanto o professor Hugo Chicaroni, que se apresenta como coordenador de desenvolvimento de projetos de um núcleo da Universidade de São Paulo. Ao ser filmado na companhia de Humberto Braz, assessor direto do banqueiro Daniel Dantas, Chicaroni se transformou na testemunha-chave do caso. O vídeo da PF seria a prova de que o dono do grupo Opportunity teria mandado oferecer suborno de US$ 1 milhão aos delegados Victor Hugo Ferreira e Protógenes Queiroz para que ele e seus familiares fossem excluídos das investigações. O grande enigma, no entanto, é que o professor já prestou dois depoimentos - e as versões são contraditórias. Chicaroni falou pela primeira vez na noite de 9 de julho, logo após o habeas-corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em favor do banqueiro. Naquela ocasião, quando estava preso na superintendência da PF em São Paulo, o professor foi ouvido pelos delegados e confirmou a oferta de suborno, feita em nome do Opportunity. Foi essa "confissão" que levou o juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, a determinar a segunda prisão de Dantas, abrindo um confronto direto com o STF. Um mês depois, no dia 7 de agosto, Chicaroni voltou a falar. Desta vez, na presença do juiz De Sanctis, já como réu no processo por corrupção ativa. Sua nova versão é a de que não houve oferta de suborno - ao contrário, o dinheiro teria sido pedido pelos delegados. Protógenes, segundo o professor, seria seu amigo há sete anos. Num dos trechos, Chicaroni afirma: "Eu não dei um passo nesse caminho que não tenha sido orientado pelo delegado Protógenes Queiroz."

O EX-ADVOGADO Jean Aguiar atuou na primeira fase, sem procuração de Chicaroni

Os passos jurídicos de Chicaroni na Operação Satiagraha oscilaram como ao som de um bolero - dois pra lá, dois pra cá. Procurado por ISTOÉ, o professor falou rapidamente com a reportagem, pelo telefone. Disse que sua segunda versão é a verdadeira, mas não soube explicar por que deu o primeiro depoimento. Perguntado sobre eventuais pressões sofridas quando estava sob a custódia da PF, preferiu não responder. Da sua palavra pode-se definir tanto o destino do banqueiro Daniel Dantas como o do delegado Protógenes Queiroz. "Estou em busca da verdade", garante Chicaroni.

Hoje, a verdade do professor pende mais para o lado do banqueiro do que do delegado. À ISTOÉ, o professor disse que foi "traído" e "usado" numa arapuca montada pelo ex-amigo Protógenes. "Até agora não consigo entender por que ele me envolveu nessa história", disse. Ao depor pela segunda vez, o professor revelou detalhes da sua relação com o delegado que conduziu a primeira fase de investigações da Satiagraha. Chicaroni disse que o conheceu há sete anos, quando treinou funcionários da PF no combate a crimes financeiros e à falsificação. Num episódio, Protógenes lhe pediu ajuda. Sua esposa havia sofrido um acidente automobilístico e o delegado pretendia apoio para obter uma perícia dos pneus no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). A partir daí, nasceu a amizade, que teria se tornado estreita. Os dois jantavam com freqüência, em Brasília ou em São Paulo.

JF DIORIO/AE


PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
 

21/8/2008


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
       

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions