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Explosão dos novos-ricos
A atual geração de bilionários já representa quase metade das fortunas do mundo. Diferentemente dos emergentes do passado, é discreta e faz bons negócios sem alarde

Por SUZANE FRUTUOSO

HAMILTON KARIE/CORBIS/SIGMA/LATINSTOCK
REFINAMENTO Como Bill Gates, os bilionários dos anos 2000 gostam de jogar golfe e tênis

Essa é também a primeira geração que sentiu no cotidiano estafante como é difícil ganhar dinheiro e fazer fortuna. Seus expoentes não esbanjam à toa. E, enquanto não fecham um negócio, guardam segredo. "Eles não querem perder oportunidades e boa parte opta por fazer investimentos sozinha ou, no máximo, com membros da família", diz Rossi, da Sotheby's. A empresária chinesa Zhang Lan, por exemplo, abriu em sociedade com o filho Danny, um jovem e educado executivo de 28 anos, o Lan Club, que se tornou referência em alta gastronomia entre os restaurantes de Pequim. Eles gastaram US$ 30 milhões no lugar, projetado pelo designer Philippe Starck.O investimento em imóveis exemplifica o objetivo dos novos bilionários. Ao escolherem um lugar para morar ou trabalhar, se certificam de que a compra será um bom negócio a médio e longo prazo. De alguma maneira, o imóvel deve valorizar e gerar rentabilidade. Locais como Nova York, Londres e sul da França são e continuarão sendo tradicionais no mundo dos bilhões - venha do dinheiro novo ou não. Regiões que tragam status também mantêm a preferência. Entram aí mansões que pertenceram a astros do cinema na Califórnia ou um castelo no interior da Itália. Depois, os bilionários atuais garantem a mansão que tenha a ver com o estilo de vida que levam. Quem gosta de andar a cavalo, procura uma fazenda. Os que preferem velejar, uma casa próxima ao mar. Os jogadores de golfe vão para o campo, onde haverá espaço para seu hobby. Nesse quesito, não importa o país. Precisa oferecer o belo e estrutura para o lazer que desejam.
O Brasil começa a entrar nessa rota. Os especialistas do setor imobiliário garantem que há bilionários estrangeiros à procura de ilhas em Angra dos Reis, mansões no litoral do Nordeste e fazendas produtivas no interior do País (que faz parte da idéia de rentabilidade para o futuro). "Não se trata de um boom. O crescimento é gradativo e constante", diz Rossi. Para Passarelli, São Paulo também está no foco dos novos e endinheirados investidores. "A cidade é cada vez mais apontada como a capital da América Latina em cultura, negócios e com imóveis sofisticados a preços acessíveis", afirma. Um apartamento no Complexo Cidade Jardim, em São Paulo, um dos maiores empreendimentos de luxo construídos no País, custa até R$ 16 milhões. Acessível, claro, para quem chegou ao primeiro bilhão.

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21/8/2008


 
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