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Brasil  
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Quer um vice? Chame um evangélico
Entenda por que eles estão tão bem cotados em quatro capitais

CAMILA PATI

MAX HAACK
Pastor da Universal, Márcio Marinho, vice de ACM Neto, diz que tem apoio dos terreiros

Como era costume do avô, ACM Neto (DEM) foi pedir a bênção nos dois mais importantes terreiros de Salvador no final de semana de 16 e 17 de agosto. Esteve no Gantois, onde recebeu os afagos de mãe Carmen, e no Ilê Axé Opó Afonjá. Na capital de todos os santos, a chapa de ACM Neto pretende agradar a gregos e troianos. Enquanto Neto, que é católico, tentava garantir os votos da comunidade do candomblé, seu vice, o deputado federal Márcio Marinho (PR), participava de cultos na Igreja Universal do Reino de Deus, da qual é pastor. “Em Salvador há uma pluralidade de religiões e etnias e cada um se respeita”, diz Marinho, que ainda afirma ter uma relação estreita com os candomblesistas e umbandistas. “Nas eleições passadas, vários terreiros me apoiaram.” Para a escolha de Marinho para vice, o que pesou, além da grande liderança que ele tem na Igreja Universal que se traduziu em cerca de 50 mil votos em 2006, foi o fato de o deputado ser bem articulado, negro – o que traz apoio da comunidade afrodescendente da capital baiana – e ter muita força nas comunidades mais carentes da cidade.

Candidatos evangélicos a vice também têm chance em Belo Horizonte (Cláudio Sampaio, vice de Jô Moraes), Porto Velho (o pastor João Leão, do PTB, vice de Lindomar Garçon, do PV) e em São Luís (o pastor Fábio Leite, do PPS, vice de Clodomir Paz, do PDT). Para a cientista política Maria do Socorro Braga, da Universidade de São Paulo, o grande número de candidatos a vice-prefeito membros de igrejas evangélicas pode significar uma nova estratégia de ascensão social via participação política em cargos majoritários, e não só em cargos proporcionais. “Como conseguir um cargo eletivo é muito mais difícil do que conseguir um cargo proporcional, nesse caso entrar como vice é mais fácil porque ele não entra tão fortemente na disputa de votos como o cabeça de chapa, mas consegue ganhar visibilidade política ao longo do mandato, pois em diversas ocasiões pode vir a substituir o prefeito por alguma eventualidade.”

Sabedora da crescente força política dos evangélicos, a comunista Jô Moraes (PCdoB), que lidera as pesquisas em Belo Horizonte, quis um religioso na sua chapa. Seu vice é o pastor da Convenção Batista Nacional, Cláudio Sampaio, do PRB. “O segmento tem crescido muito no País e é um percentual importante da população brasileira”, diz ele, justificando sua escolha como vice pela comunista Jô Moraes. A visão das igrejas evangélicas fica evidente na fala do ex-presidente do Conselho Nacional dos Pastores, o pastor da Assembléia de Deus Omar Costa. “Os evangélicos, como um grupo que chega a 33% da população brasileira, precisam ser representados na mesma proporção, ou seja, um terço dos políticos têm que ser evangélicos”, diz Costa, que é vereador pelo PTB em Ituiutaba (MG) e reitor do Seminário Internacional de Teologia.

 

21/8/2008


 
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