"A água é o ambiente onde meu filho se sente melhor", conta Debbie, mãe de Phelps, que foi a Pequim com a família prestigiar o filho

Seguindo o caminho das irmãs que praticavam natação, o rapaz começou a nadar aos cinco anos. O esporte servia como válvula de escape para o stress constante entre sua mãe e seu pai, o policial Fred. Os dois discutiam diariamente e acabaram se separando em 1993. "Me sentia mais à vontade na água. Submerso, eu não tinha que ouvir ninguém gritando", diz ele. Phelps assistiu às seletivas da Olimpíada de Atlanta, em 1996, na qual sua irmã Withney tentou a classificação. Ela ficou na sexta colocação nos 200 m borboleta e não conseguiu a vaga. A família chorou na arquibancada. Por conta de quatro hérnias de disco, Withney teve de encerrar a carreira mais cedo e nunca disputou as Olimpíadas.

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Por sua vez, Phelps, aos 11 anos, já mostrava grande potencial. O técnico Bob Bowman insistiu para que passasse a treinar nas quatro modalidades de natação. Deu certo. Quatro anos depois, tornouse o mais jovem recordista mundial masculino. Começava aí uma sucessão de glórias nas piscinas e fora delas. Uma das homenagens que mais emocionaram o atleta foi prestada pela cidade de Baltimore, onde nasceu, que rebatizou uma rua com o seu nome.
O talentoso Phelps pôde realizar o sonho de sua irmã em 2000, quando disputou os jogos de Sydney. Desde então, bater recordes tornou-se rotina para o nadador e a busca da perfeição, sua obsessão. Para conseguir desenvolver uma virada eficiente, por exemplo, durante três anos Phelps investiu pesado em musculação, para adquirir força, melhorou sua impulsão e treinou sem parar a pernada de borboleta, movimento que eles fazem até emergir. Com isso, tornou-se um dos melhores nadadores de transição do mundo, capaz de chegar à marca de 15 metros nadando embaixo d'água (o permitido pela regra) em quase todas as viradas.
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Sua competitividade também o leva longe. Em 2003, o americano Ian Crocker venceu a prova de 100 m borboleta no Campeonato Mundial de Natação, impedindo-o de ganhar a sexta medalha de ouro e quebrar sua sexta marca mundial. Phelps colou uma foto de Crocker na parede, ao lado de sua cama. Durante quase um ano, a imagem de seu algoz era a primeira coisa que via pela manhã. A revanche veio na Olimpíada de Atenas, em 2004, quando Phelps derrotou Crocker por 0,4 segundo. "Odeio perder", justifica o atleta. Nos quatro anos que antecederam os Jogos de Atenas, Phelps escreveu em sua autobiografia Sob a superfície que, provavelmente, não tirou mais de quatro dias de folga. A versatilidade é outra de suas marcas. Enquanto a maioria dos nadadores se especializa em um determinado tipo de prova ou estilo, ele se inscreveu em oito categorias em Pequim. Para seu técnico, um conjunto de fatores faz do atleta o fenômeno que ele é, mas a condição psicológica é determinante. "Ele consegue relaxar e focar no que está fazendo", diz Bowman.
Calmo e afável, o rapaz raramente dá motivos de preocupação à família. Mas já se envolveu em pelo menos um episódio controvertido. Em novembro de 2004, foi preso em sua cidade natal por dirigir embriagado e por não parar em um sinal fechado. Uma dor de cabeça mais recente foi o acidente acontecido em 2006, no qual quebrou o pulso. Ao escorregar, tentou apoiar-se no braço e deu-se o pior. Tanto o atleta quanto seu técnico temeram que sua recuperação fosse demorada, mas ele voltou às piscinas em tempo recorde. No Campeonato Mundial de Melbourne, na Austrália, no ano passado, provou que estava recuperado. Tornou-se o único nadador a quebrar cinco recordes mundiais num mesmo evento.
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