A partir dessa nova investigação, o Ministério Público deve receber cópias de diálogos da Satiagraha que incluem grampos com conversas sobre os assassinatos dos prefeitos Celso Daniel e de Toninho do PT, de Campinas, amigos de Carvalho. O que chama a atenção da PF é que Dantas, em escutas gravadas em dezembro, se mostra interessado em levantar informações sobre os assassinatos de Celso Daniel e de Toninho do PT. Numa conversa com a advogada Danielle Silbergleid Ninio, no dia 13 de dezembro, Dantas diz o seguinte: "Ok, não... é, tudo bem, mas eu quero saber o de Santo André... é como se dissesse pra ele o seguinte: olha... no rastro desse negócio de dinheiro de campanha já tem tantos mortos, tá...". No dia 17 de dezembro, Daniele responde: "Oi... é só pra te dar uma informação que no caso do Celso Daniel é que tem essas dos itens seis ou sete... é que tem mais um caso, eu não sei se você lembra... que é do prefeito de Campinas... aquele Toninho do PT, aí...". A PF também analisa o conteúdo desses diálogos. Procurado por ISTOÉ, Carvalho se recusou a falar sobre as acusações do deputado Sampaio e a investigação do MPF.
Tiros para todo lado
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ACUSADOR Daniel Dantas dispensou o silêncio proporcionado por um habeas-corpus |
O banqueiro Daniel Dantas tirou bom proveito da viagem a Brasília na quarta-feira 13. Mesmo protegido por um habeas- corpus do Supremo Tribunal Federal que lhe garantia o direito de permanecer em silêncio, Dantas disparou sua metralhadora giratória ao depor na CPI dos Grampos, na Câmara. E acusou o diretor da Abin, delegado Paulo Lacerda, de articular a Operação Satiagraha em represália a um suposto dossiê sobre contas de autoridades do governo no Exterior. "O que diziam é que isso tinha sido pedido pelo diretor da Abin, doutor Paulo Lacerda", disse Dantas. Lacerda, que será ouvido na CPI na quartafeira 20, já reagiu às acusações do banqueiro: "O depoimento do Dantas é teatral, ele mente descaradamente", disse o delegado a assessores. "Desviar o foco é estratégia de defesa."
Dantas afirmou que a Telecom Italia, com quem disputou o controle da BRTelecom, teria usado homens da PF e da Abin para monitorar o Opportunity. Segundo a agência, houve realmente as contratações pela Telecom Italia, mas de policiais aposentados, como um ex-agente da PF em Goiânia. Agora, a CPI pode chamar os ex-contratados do grupo italiano para prestar esclarecimentos. Dantas afirmou que a Telecom teria distribuído 25 milhões de euros a autoridades e políticos brasileiros. |
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