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Comportamento  
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Você é o que você fala
Dicas para ser ouvido e compreendido num mundo em que cada palavra conta

Por CARINA RABELO Ilustrações: MARCELO BRAGA


Projetos e sonhos: Troque os verbos no tempo futuro pelo tempo presente/ Troque o objeto pela sensação

SITUAÇÃO 1: Uma pessoa sonha em viajar para a Europa e diz com freqüência: "Um dia conhecerei a Europa." A expressão no futuro e sem uma data definida gera no cérebro uma programação vaga, sem clareza quanto à concretização do fato.

SOLUÇÃO: "Dia 10 de dezembro de 2009 e estou em Paris." A afirmação no tempo presente faz com que o cérebro se prepare para realizar a ação. Com uma data determinada, a pessoa vai agilizar a preparação para a viagem. Obter informações, estabelecer prazos, elaborar os roteiros e economizar. A probabilidade de a viagem se concretizar é maior.

SITUAÇÃO 2: "Quero uma mansão de R$ 1 milhão." Ninguém quer um objeto, mas o que ele pode proporcionar. No caso da mansão, alguns querem espaço para reunir os amigos, outros querem um quarto para cada um dos filhos e há quem queira simplesmente mostrar aos outros quanto venceram na vida.

SOLUÇÃO: Defina exatamente por que quer uma mansão (e se quer mesmo). Talvez descubra que a sensação que terá com o objeto não necessita dele para se realizar. É possível que os seus amigos se sintam à vontade em um apartamento ou que seus filhos se relacionem melhor dividindo o mesmo quarto numa casa. E existem várias formas de obter o reconhecimento dos outros sem, necessariamente, ostentar.

Segundo a PNL, o cérebro funciona a partir de uma relação contínua entre os cinco sentidos e a leitura mental (ou interpretação) que a pessoa faz do mundo, o que os estudiosos chamam de "significação". O indivíduo recebe os estímulos através da visão, audição, tato, olfato e paladar e gera um modelo de realidade com base em suas experiências passadas, crenças e valores. Essa interpretação reforça a percepção das próximas experiências, como se a pessoa criasse um filtro. O olho de um esquimó, por exemplo, vê diversos tons de branco porque tem uma vivência maior com a neve do que uma pessoa que mora numa metrópole. "Uma grávida enxerga muitas iguais a ela pela rua. Parece que o mundo inteiro engravidou. Como está completamente imersa na gestação, sua visão se condiciona a enxergar apenas aquilo", explica Regina Maria Azevedo, mestre em programação neurolingüística pela Universidade de São Paulo (USP), que introduziu o tema na grade curricular de faculdades da instituição.
Pesquisas também indicam que a linguagem reforça o processo mental. É o caso de um negro que tenha sofrido algum tipo de discriminação de um branco e, após a experiência negativa, passou a afirmar que "todos os brancos são preconceituosos". Com o modelo definido, ele tenderá a ser reativo com qualquer indivíduo de pele clara. "As palavras restritivas criam significados internos que levam algumas partes do cérebro a serem desativadas e isso gera a distorção na percepção", complementa o psicólogo George Vittorio Szenészi, diretor do Instituto Metaprocessos Avançados, especializado em cursos de PNL em Florianópolis (SC).
Os padrões negativos de comportamento são reforçados pelo uso de algumas palavras "vilãs", como "jamais"; "nunca", "sempre"; "todos" e "nenhum", que generalizam situações e eliminam as demais possibilidades. Outras ainda são responsáveis por distorções na construção da auto-imagem durante o diálogo, como "vou tentar", que sugere ao ouvinte que o interlocutor não vai se esforçar. Já o "eu acho" reflete incerteza. "A pessoa passa uma imagem de comodismo. O ideal é substituir o 'tentar' pelo 'conseguir' e o 'achar' pelo 'pensar', até para que o cérebro dela reaja com segurança", recomenda a psicóloga Clô Guilhermina. Segundo os especialistas, o grande desafio da PNL é fazer com que as pessoas ampliem seu modelo de mundo. Assim, garantem, elas conseguirão encontrar outras interpretações para aquilo que as incomoda e remodelarão o uso da linguagem. A essa mudança comportamental é dado o nome de "ressignificação", que pode começar com uma simples alteração na fala. A pessoa deve substituir frases como "sou obrigado a fazer isso" por "decidi fazer isso", para que tenha confiança na sua autonomia. "Mesmo que alguém tenha que fazer alguma coisa contra a sua vontade, geralmente pode escolher como fazer", avalia Szenészi.
A PNL promete conseguir resolver frustrações, traumas e fobias rapidamente. A base da técnica é descolar as experiências ruins das sensações e palavras, até que o indivíduo elimine a memória desagradável. "O sofrimento é gerado pela associação do fato negativo com uma imagem, som, cheiro, gosto ou sensação. Quando a pessoa consegue fazer esse descolamento, supera o problema", garante Szenészi. A linguagem ainda pode reforçar padrões de atividade ou passividade. "Pessoas que usam muitas palavras para dizer o que querem geralmente são reativas e motivadas pelo medo. Aquelas que falam o que querem com objetividade são pró-ativas e empreendedoras", afirma o cardiologista Lair Ribeiro, especialista em PNL. Segundo os pesquisadores, uma vez dominadas, as técnicas podem ser aplicadas sem auxílio profissional.

Relações sociais: Troque o "MAS" pelo "E"

SITUAÇÃO: A conjunção "mas" remete à idéia de oposição. Se você pretende elogiar alguém e diz: "Você é muito bonita, mas muito jovem. Será ainda mais experiente na sua profissão daqui a dez anos." No lugar do elogio, o ouvinte entenderá uma crítica ("sou bonita, porém, inexperiente").

SOLUÇÃO: Se o interlocutor substitui o "Mas" pelo "E", confere a idéia de inclusão, de soma. "Você é bonita, jovem e imagine a profissional que será daqui a dez anos." O ouvinte entende o elogio. ("Sou bonita, jovem e terei um futuro brilhante").
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15/8/2008


 
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