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| PALCO Cerca de 15 mil figurantes dirigidos pelo cineasta Zhang Yimou contaram a milenar história da China |
Favorecidos pela disciplina que lhes é característica, os chineses fizeram no gramado do Ninho de Pássaro uma impecável festa orçada em US$ 100 milhões. Durante cerca de uma hora, efeitos luminosos e 15 mil figurantes dirigidos pelo conceituado cineasta Zhang Yimou contaram a milenar história da China até os dias atuais. Numa linguagem futurista, boa parte da encenação foi desenvolvida sobre um enorme papiro eletrônico e nas arquibancadas mais de uma centena de voluntários conduzia as reações do público. Em determinados momentos solicitavam aplausos. Em outros orientavam a levantar os braços. Terminada a apresentação, teve início o desfile das 205 delegações que estarão brigando pelas medalhas olímpicas. O Brasil, conduzido pelo velejador Robert Scheidt, foi o 39º país a se apresentar, uma vez que a ordem de entrada foi definida pelos hierogramas chineses e não pelo alfabeto romano. As exceções couberam à Grécia, tradicionalmente a primeira a desfilar por ser o país que apresentou a Olimpíada ao mundo, e à China, que, por ser a anfitriã, fechou o desfile. Cerca de 100 líderes mundiais estavam presentes, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Horas antes de declarar abertos os Jogos Olímpicos de Pequim, o presidente da China, Hu Jintao, abriu as portas do Grande Palácio do Povo para um banquete oferecido aos chefes de Estado que se deslocaram a Pequim. Além de Lula, compareceram George W. Bush, dos Estados Unidos, Nicolas Sarkozy, da França, e Vladimir Putin, da Rússia. Na ocasião, em uma linguagem coerente com o que foi mostrado na festa de abertura, Jintao reafirmou o compromisso de retirar a China do isolamento histórico e procurou mostrar que problemas internos como os dissidentes do Tibete, por exemplo, não ameaçam seu projeto de globalização. "Promover os Jogos Olímpicos é a oportunidade que tivemos para provar ao mundo que honramos todos os compromissos assumidos em 2001", afirmou. Em seguida, relatou que, para cumprir o que foi acertado há sete anos, a China investiu cerca de US$ 40 bilhões com a ampliação de 13 centros esportivos, a construção de outros 16, o maior aeroporto do planeta e cerca de 84 quilômetros de metrô. É a Olimpíada mais cara da história. Os números não assustaram o presidente Lula, em plena campanha para que o Brasil seja a sede da Olimpíada de 2016. "É preciso acabar com essa história de que só os ricos podem sediar as Olimpíadas. Tenho certeza de que o Brasil pode realizar um evento como esse e saio convencido de que conquistei o apoio da China para isso", disse Lula depois de uma conversa de aproximadamente uma hora com Jintao.
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| FORTUNA A China investiu US$ 40 bilhões em infra-estrutura para abrigar os Jogos Olímpicos. Só a festa de abertura custou US$ 100 milhões |
O presidente brasileiro desembarcou em Pequim na quinta-feira 7. Esteve reunido com o dirigente chinês e visitou os atletas brasileiros na Vila Olímpica. Acompanhado por três ministros e pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, fez a campanha olímpica brasileira e chegou a se irritar com um jornalista espanhol que questionou como uma cidade com problemas de segurança como o Rio pode ambicionar sediar uma Olimpíada. "Nosso problema é mais fácil de ser resolvido do que outros que andam por aí e vamos resolvê-lo. O importante é que no Brasil não existe terrorismo", disse Lula, referindo-se ao ETA, grupo separatista que atua na Espanha. Madri é uma das cidades que também disputam a Olimpíada de 2016.
Em Pequim, Lula não se limitou a se dedicar à campanha esportiva. Fez de seus aposentos no Hotel Legendale Beijing, um cinco-estrelas inaugurado em março, um QG para procurar articular uma retomada da fracassada Rodada de Doha, de comércio multilateral. Em reunião com o presidente chinês, Lula relatou que havia telefonado para o colega Bush com esse objetivo e prometeu ligar para o primeiro-ministro indiano. "Deixa destensionar um pouco e nós vamos retomar isso", explicou. EUA, China e Índia foram os principais protagonistas do fracasso de Doha e Lula acredita que poderá servir de mediador para um novo acordo.
Se encontrar em seus interlocutores o clima olímpico dos atletas em Pequim é possível que o presidente brasileiro tenha êxito. Mas, no terreno político, as relações são mais complicadas do que nas quadras de esportes. Em Pequim, enquanto no interior do estádio o clima era de tranqüilidade, do lado de fora, policiais não escondiam a tensão. Havia na China o temor de que atos terroristas pudessem comprometer a festa ou que ativistas contrários à política do presidente Hu Jintao tentassem promover alguma manifestação. Para se precaver, o governo espalhou 100 agentes de segurança pelas ruas da capital e equipamentos antimísseis foram estrategicamente distribuídos ao redor do Estádio Nacional. Agora, passada a tensão da abertura, cerca de dez mil atletas estarão em busca dos pódios. Que os Jogos Olímpicos de Pequim ocupem apenas as páginas esportivas.
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