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Tortura não é crime político
A punição de torturadores da ditadura pode ser um caminho para o Brasil conhecer verdades ainda ocultas do regime de 1964

ALAN RODRIGUES E OCTÁVIO COSTA

Menos expostos à disciplina que pesa sobre os militares da ativa, os oficiais da reserva fizeram pulsar a velha veia autoritária. "Se eu tivesse uma arma, eu dava um tiro na cara dele", disse o coronel Lício Maciel, oficial do Exército que atuou na Guerrilha do Araguaia. "Esse ministro é um canalha, um revanchista", acusou o coronel Juarez Gomes da Silva. A rebelião do pijama reuniu cerca de 800 pessoas, entre civis e militares, entre eles, o general Leônidas Pires Gonçalves, ministro do Exército do governo José Sarney.

A idéia dos militares é lançar, nos próximos dias, uma campanha publicitária, começando pelo Rio, mostrando que vários "terroristas" estão no poder (leia quadro acima). "Será a abertura dos arquivos militares que eles tanto queriam", diz o coronel Gomes da Silva, um dos idealizadores da campanha. O projeto será encampado pelo site Ternuma - Terrorismo Nunca Mais, contrapartida dos militares ao movimento Tortura Nunca Mais. "Vamos mostrar que, na verdade, são eles que merecem estar no banco dos réus", disse o coronel.

RICARDO MARQUES/FOLHA IMAGEM
JUSTIÇA Genro quer cumprir tratados internacionais

O presidente do clube, general Gilberto Figueiredo, disse que o ministro da Justiça "quis lamber as feridas que já estavam cicatrizando". Para Figueiredo, Genro deveria se preocupar com feridas "recentes", como o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, o escândalo do mensalão, os "dossiês produzidos por aloprados" e "indícios da ligação de membros do governo com as Farc". Tudo certo, mas uma coisa não substitui a outra. Não é por causa das Farc que o governo deveria deixar de lado a defesa da responsabilização pelos crimes do passado.

Em resposta à manifestação dos saudosistas da ditadura, estudantes e membros do movimento Tortura Nunca Mais realizaram um protesto em frente à sede do Clube Militar. Os manifestantes aguardavam a saída do coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi de São Paulo, notório centro de torturas entre 1970 e 1976. Ustra, fervoroso defensor da repressão e um dos processados pelo Ministério Público por violação de direitos humanos, não deu entrevistas e saiu, à moda antiga, por uma porta dos fundos. Quando o deputado federal Jair Bolsonaro deixou o local, a polícia teve que escoltá-lo até seu veículo. "O erro foi torturar e não matar", disparou Bolsonaro contra os manifestantes.

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8/8/2008


 
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