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Monumentos Coloridos
Estruturas iluminadas trazem brilho às cidades e mudam a cara da arquitetura urbana no século XXI

CARINA RABELO

FERNANDO DONASCI/FOLHA IMAGEM

Tradicionalmente caracterizada pelo estilo, cores e materiais das obras públicas, a arquitetura urbana nunca teve a iluminação como foco principal. Seu papel sempre foi secundário diante do traço. Recentemente, porém, a luz mudou de status e se tornou protagonista em grandes construções das cidades graças às novidades tecnológicas de iluminação em LEDs (Lightemitting diode) - um emissor de luz que produz milhões de cores diferentes com forte intensidade e economia. "O futuro da arquitetura urbana é associar a construção à luz, que toca as emoções, principalmente à noite", reflete o arquiteto Plínio Godoy, autor do projeto de iluminação da Ponte Octavio Frias, novo cartão-postal da cidade de São Paulo, inaugurada em maio passado.

A estrutura de 1,6 metro de extensão e 138 metros de altura é sustentada por 144 cabos de aço iluminados, que emitem, a cada dez minutos, 14 variações cromáticas. A cada hora, as luzes consomem apenas sete kW/h - o equivalente a um chuveiro elétrico no mesmo período. Outra vantagem dos LEDs é não necessitar de manutenção constante. "Nas iluminações noturnas, as lâmpadas duram 13 anos", atesta o gerente de produtos da Philips, Eduardo Polidoro. As cores podem variar de acordo com as estações, datas comemorativas e até eventos esportivos.

CROMÁTICO A ponte Octavio Frias (acima) e a Sala São Paulo (acima) exibem diferentes tons de cores. Na Opera House, de Sydney, a estrutura ganha dramaticidade com a iluminação


Na Sala São Paulo, que ganhou nova iluminação em junho, foram investidos R$ 4 milhões no sistema e na climatização, incluindo cores na fachada do prédio. A Eletropaulo estima que a substituição das 2,4 mil luminárias internas e dos 200 conjuntos de lâmpadas externas pelos LEDs gere uma economia anual de 76% no consumo de energia, o equivalente ao gasto energético de mil residências. Projetos semelhantes serão aplicados no Teatro Municipal, na Pinacoteca do Estado e na Cinemateca na capital. O viaduto Laurão, em Campinas (SP), e a ponte que liga Aracaju, capital de Sergipe, ao município da Barra dos Coqueiros, no recente projeto de revitalização da orla da cidade, também foram contemplados.

As cidades brasileiras seguem a tendência mundial de iluminação urbana com cores. Entre as intervenções consagradas estão o Empire State Building (leia quadro), em Nova York, a Torre Eiffel, em Paris, a Opera House, em Sydney, e a Bolsa de Valores de Frankfurt. O sistema de iluminação do prédio da seguradora Generali, localizado na avenida Champs-Elysées, coração da capital francesa, inaugurado em julho, apresenta cores nas fachadas de vidro dos dois últimos andares do prédio, que transformaram a construção numa espécie de farol noturno. Há dois anos, o Palácio de Buckingham, na Inglaterra, também ganhou luzes coloridas.

Lâmpadas subaquáticas iluminando rios e telões gigantes no topo dos prédios são outras propostas de intervenção urbana com cores em LED. Semelhante ao que já ocorre na Time Square, em Nova York, os televisores podem transmitir imagens coloridas em videoclipes, anunciar produtos e oferecer informações jornalísticas e de trânsito à população. Mas há sempre o risco da poluição visual, como ocorre com os outdoors. "Deve haver equilíbrio na iluminação e escolha de cores, além de uma regulamentação do uso. Nem todas as cidades combinam com excessos, como Las Vegas (EUA). A iluminação deve respeitar a relação cultural do povo daquela cidade com as cores e os elementos", avalia o arquiteto Plínio Godoy.

BETH A. KAISER/AP/IMAGEPLUS
CARTÃO-POSTAL O Empire State segue um complexo calendário de cores anual determinado por feriados religiosos, datas comemorativas e estações do ano

 

 

O pioneiro das luzes

O Empire State Building, arranha-céu nova-iorquino de 102 andares, foi o precursor da iluminação em cores no mundo. Inaugurado em 1931, o prédio exibiu as suas primeiras luzes coloridas em 1976, na comemoração do bicentenário da independência, com o vermelho, branco e azul, as cores da bandeira norte-americana. No ano seguinte, foi instalada a iluminação em nove tons. Até hoje, em 200 datas anuais, operários se arriscam no parapeito do edifício para trocar as 310 lâmpadas, cuja luz é visível em um raio de 483 quilômetros. A substituição das lâmpadas por iluminação em LED está em estudo.

 

8/8/2008


 
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