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Cultura  
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A explosão do entretenimento
A entrada de grandes investidores no setor cultural aquece o cenário das artes e cria novo e lucrativo filão na economia

Por IVAN CLAUDIO E NATÁLIA RANGEL

ROGÉRIO ALBUQUERQUE/AG. ISTOÉ
"O setor de shows era muito informal, carecia de investimentos profissionais"
Cássio Maluf (de gravata), economista e dono da Via Funchal

A sensibilidade na identificação de nichos de público é outro fator que vem contribuindo para a profissionalização do setor cultural. Há cinco anos, quando morava em Buenos Aires, a advogada e hoje empresária Fernanda Feitosa percebeu que existia um tipo de consumidor que era pouco explorado no Brasil: o colecionador de obras de arte. Foi observando o sucesso de vendas na feira de arte da capital argentina que ela, ao retornar a São Paulo, criou a SP Arte, maior evento comercial do gênero no País que em maio acolheu num único fim de semana 12,5 mil pessoas entre artistas, críticos, marchands, curadores e, especialmente, compradores - gente que prefere adquirir uma tela de um jovem pintor por R$ 12 mil em vez de, por exemplo, um sofá de grife do mesmo preço. "Se eu não criasse a feira, outra pessoa o faria", diz Fernanda. No terreno musical, dando de ombros diante do desmantelamento da chamada indústria fonográfica, a empresária Kati Almeida Braga, do banco Icatu, decidiu investir e criou a gravadora Biscoito Fino. Levou para o seu catálogo pesos pesados da MPB, como Chico Buarque e Maria Bethânia, e hoje é líder naquilo que faz. Outra empresa que decidiu investir pesado na área cultural foi a Gávea Investimentos, de Armínio Fraga: no ano passado, ele adquiriu por US$ 150 milhões, em sociedade com o empresário Fernando Altério, a Corporação Interamericana de Entretenimento, que reúne, entre outras casas, o Credicard Hall e o Citibank Hall, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro.

Tantos investidores mostram o status em que se encontra o mercado de produtos culturais. Trata-se do reflexo de um movimento que já vinha acontecendo com o patrocínio via leis de incentivo, como provam as pesquisas desenvolvidas pela agência Significa, que trabalha com a atitude de marca. Segundo esses estudos anuais, com dados das 500 maiores empresas do País, existe um progressivo deslocamento das verbas para projetos culturais. No ano passado, 77% das empresas investiram na área, batendo o esporte e a ecologia. "Vivemos numa sociedade focada no espetáculo e o entretenimento tem se desenvolvido e profissionalizado numa velocidade incrível. Isso atrai a adesão de empresas que buscam agregar valor à sua marca", diz Yacoff Sarkovas, presidente da Significa. Nessa mesma onda de otimismo, o publicitário Nizan Ganaes já lançou a sua campanha: quer mudar o selo comercial "Made in Brazil" (fabricado no Brasil) para "Created in Brazil" (criado no Brasil). É uma das grandes provas de que a economia cultural vai de vento em popa.

Colaboraram: Adriana Prado e Renata Cabral

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8/8/2008


 
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