Transparência é importante, mas às vezes não contar a verdade inteira pode ser o mais adequado. No caso de uma separação, sobretudo se houver traição, os pais não precisam entrar em detalhes dos motivos. "Isso não é da competência dos filhos, pode até gerar raiva neles", afirma a educadora Tânia Zagury. Da mesma forma, não precisam falar que estão namorando até se sentirem seguros no novo relacionamento. A empresária Nelcy Del Grossi, 45 anos, chegou a levar três meses para contar às filhas adolescentes que tinha um namorado. "A gente saía e eu dizia que outros amigos iam junto", conta. "Depois foi algo natural, fizemos um almoço em família e deu tudo certo."
O caminho a seguir é mais obscuro quando se entra no pantanoso terreno das drogas. A atual geração de pais é a primeira em que maconha e afins não eram tabu na juventude, pelo contrário. A probabilidade de terem experimentado é grande. O que fazer se for confrontado sobre seu passado pelo filho? "Esta é uma decisão que os pais têm de pesar muito bem", opina Tânia. "Existem pais que fumaram e se sentem desonestos ao negar. Mas há o risco de o adolescente decodificar esta mensagem como 'se ele usou e está tudo bem, por que não posso usar?'", diz Tânia, lembrando que a maconha hoje é manipulada quimicamente e é sete vezes mais potente do que nos anos 70.
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O importante é ter em mente que é algo a ser tratado em uma conversa longa, com calma. "É preciso aproveitar a pergunta para estruturar um diálogo", diz o hebiatra Ramos, da Asbra. "Se for admitir que usou drogas, explique antes o contexto e qual era o momento da sua vida, faça-o refletir para não chocálo", aconselha. Na opinião dele, se o pai nega ter experimentado e o filho depois descobre a mentira, pode ser mais complicado clarear a situação. Educar nem sempre é preto no branco. Cabe aos pais encontrar o equilíbrio na missão de criar os adultos de amanhã.
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