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Entrevista  
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Entrevista Hermano Tavares
''A psiquiatria está reduzida a dar o remédio''
Médico do Hospital das Clínicas (SP) diz que não basta eliminar a tristeza. É preciso ensinar as pessoas deprimidas a ter prazer

Por SUZANE FRUTUOSO



DIVULGAÇÃO
"O médico fala: 'Está deprimido? Toma aqui esse remédio e em quatro semanas você estará melhor da depressão"

ISTOÉ - O sr. vai contra a idéia pregada pela maior parte dos psiquiatras.
Tavares - Eu sei. Mas os dados mostram que 25% da população têm ou terão um quadro depressivo ao longo da vida. Não haverá psiquiatras suficientes no mundo. As outras especialidades médicas devem ser iniciadas minimamente na arte de diagnosticar e tratar uma depressão.

ISTOÉ - O sr. não é contra tirar das mãos dos psiquiatras a decisão de diagnosticar e tratar doenças mentais?
Tavares - De jeito nenhum. Médicos não psiquiatras prescreverão remédios, em determinadas situações, quando não for necessário. Mas ainda é um preço menor diante das pessoas que ficarão sem tratamento se a prescrição for restrita ao especialista. Apesar de entender o discurso de que é preciso cuidado na administração de antidepressivos, tenho receio de que seja uma tentativa de reserva de mercado de alguns profissionais.

ISTOÉ - Mas médicos de outras especialidades precisam de um conhecimento sobre saúde mental que não recebem na faculdade.
Tavares - Sim, sem dúvida alguma. Mas eu, como psiquiatra, preciso entender as variações de humor na mulher durante o ciclo hormonal. Seria legal ir à Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia fazer um curso sobre essas questões. E igualmente interessante que os ginecologistas aprendessem conosco, psiquiatras, sobre as doenças do humor mais comuns. Se toda paciente que tiver alterações de humor próximo ao período menstrual chegar ao psiquiatra, não daremos conta da demanda.

ISTOÉ - O sr. diz que não existem psiquiatras suficientes para a demanda de problemas mentais no mundo. A que leva isso?
Tavares - Um estudo conduzido pela USP na Grande São Paulo mostrou que 48% da população teve um diagnóstico psiquiátrico ao longo da vida. É o habitual em qualquer grande centro urbano. Inclui tabagismo, alcoolismo, depressão e ansiedade. Depois, vem compulsão por jogo, transtornos alimentares, esquizofrenia, entre outros. Todas essas pessoas vão merecer tratamento psiquiátrico. E não daremos conta.

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1/8/2008


 
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