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Comportamento  
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Tricô não é só para vovós
Na esteira das celebridades, os jovens descobrem o prazer de trabalhar com lã

CLAUDIA JORDÃO

FOTOS: RENATO VELASCO; ARNALDO MAGNANI/GETTY IMAGE
Esqueça a velha imagem da vovó sentada na cadeira de balanço, entretida com agulha e lã. Hoje em dia, fazer tricô não é exclusividade de senhoras que recorrem à técnica para matar o tempo. Pelo contrário, gente jovem descobriu na prática uma maneira de driblar o stress dos tempos modernos. E, de quebra, fazer peças de roupas e acessórios descolados. Estudante de medicina, a carioca Júlia Cruz, 20 anos, sempre admirou roupas feitas de tricô e, há dois anos, pediu que a tia, Shieley de Menezes, a ensinasse. Sua primeira peça foi um cachecol rosa, que estreou em uma viagem a Paris. "As pessoas não acreditam quando digo que eu mesma fiz." A atual febre do tricô nasceu nos Estados Unidos. Desde que celebridades como a cantora Madonna e as atrizes Uma Thurman, Sarah Jessica Parker e Kristin Davis foram fotografadas tricotando em público, tem crescido o número de vendas de novelos de lã e de matrículas em cursos no País. Com isso, de alguns anos para cá, também nasceram os knit cafes - bares e restaurantes onde a turma das agulhas se encontra para bebericar e trocar idéias sobre pontos. Apaixonada pelo tricô - e habituée dos knit cafes -, a atriz americana Julia Roberts comprou os direitos do best-seller The friday night knitting club (O clube do tricô de sexta-feira à noite, em tradução livre), de Kate Jacobs, para levar a história de um grupo de amigas que se encontra em um café para a tela de cinema.
FAMOSOS As atrizes Sarah Jessica Parker e Kristin Davis e a brasileira Daniela Escobar (à dir.) são entusiastas
No Brasil, ainda não há knit cafes. Mas, como o brasileiro é bom de improviso, é possível encontrar pelo menos um grupo de tricoteiras em um endereço da capital paulista. Liderado por Grace Karen Burns-Krebs, 49 anos, cerca de 20 pessoas se reúnem uma vez por mês num café na região central da cidade para bebericar, petiscar e tricotar. "É muito bom, vem gente de 20 a 60 anos", diz Grace. A atriz Daniela Escobar também se diverte entre novelos. "Tricoto porque me dá prazer e, além disso, reconheço o efeito terapêutico da prática", diz. Também é possível encontrar homens entre os adeptos. O vendedor Aloisio Santos, 29 anos, do Rio de Janeiro, aprendeu a arte com a tia e garante que não sofre preconceito. "No início meu avô não aprovou, depois viu que eu fazia direitinho e não implicou mais", conta. Santos tem um companheiro ilustre, o ator Russell Crowe, flagrado entre lãs e agulhas numa foto que correu o mundo. Segundo uma reportagem da rede BBC, a imagem foi uma brincadeira que o rapaz, bem-humorado, nunca fez questão de desmentir. Afinal, tricô é pop.
 

1/8/2008


 
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