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O caso dos grampos de ACM
Ministério Público confirma denúncia de ISTOÉ e acusa arapongas que atuaram para o senador

Cinco anos depois, a denúncia de ISTOÉ sobre a existência de um esquema de grampos telefônicos para municiar perseguições a adversários do senador Antônio Carlos Magalhães – falecido em 2007 – provoca resultados na Bahia. Na terça-feira 29, o Ministério Público Federal denunciou o delegado da Polícia Civil e ex-assessor técnico da Secretaria de Segurança Pública do Estado Valdir Gomes Barbosa e o ex-vice-diretor da Central de Comunicações da mesma secretaria Alan Souza de Farias. Segundo o MP, os dois eram os responsáveis pelo esquema de escutas telefônicas montado por ACM. Os procuradores baianos propuseram que ambos respondam a Ação Penal Pública pelo crime de violação do sigilo telefônico sem autorização judicial.

Na sua edição de número 1741, de 12 de fevereiro de 2003, ISTOÉ denunciou que ACM montara um esquema na Secretaria de Segurança Pública da Bahia para monitorar os telefones de seus desafetos. Entre as vítimas do esquema estavam adversários políticos e pessoas da relação do ex-senador, como o então deputado federal e hoje ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o deputado do PT Nelson Pellegrino e a exnamorada de ACM Adriana Barreto. ISTOÉ obteve cópia de um dossiê em que transcrições de conversas eram acompanhadas de comentários escritos à mão pelo próprio ACM.

O Ministério Público concluiu que Valdir Barbosa se aproveitou da investigação de um outro caso para inserir os números de telefones que interessavam a ACM. Os números dos adversários do senador eram acrescentados ao pedido de quebra de sigilo e autorizados pela então juíza da Comarca, Tereza Cristina Navarro Ribeiro. Já Alan Farias cuidava da parte técnica: coordenava as operações e monitorava os grampos. Numa das suas ações, Farias pediu a um funcionário da operadora TIM Maxitel que mudasse um dos números monitorados, alegando que a juíza tinha digitado o número errado. Na troca, foi grampeado o celular de Geddel Vieira Lima. Por falta de provas, os procuradores baianos arquivaram as denúncias contra outros seis ex-funcionários da Secretaria de Segurança Pública e da operadora de telefonia.

RICARDO STUCKERT RICARDO STUCKERT
RICARDO STUCKERT RICARDO STUCKERT

RUDOLFO LAGO

 

1/8/2008


 
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