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Brasil  
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O desafio de Eduardo Campos
Queridinho de Lula, governador de Pernambuco não transfere para seu candidato João da Costa, terceiro lugar nas pesquisas, popularidade que tem no Estado

SÉRGIO PARDELLAS

TRANSFERÊNCIA Campos (centro) espera transferir prestígio para João da Costa (à dir.) e acabar com a tradição de governador não conseguir eleger o prefeito da capital

Em eleição municipal, não basta ao governador ter apenas popularidade, é preciso saber transferir votos a fim de eleger o maior número de prefeitos possível, de preferência o da capital, e construir uma sólida rede de apoios para o próximo pleito. Esse é o desafio que se impõe para o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. Desde a abertura democrática que permitiu a volta das eleições diretas para governador (1982) e prefeito (1985), nenhum governador de Pernambuco elege seu candidato na capital do Estado. As forças de oposição sempre se revezam na administração municipal e estadual. E, a julgar pelas recentes pesquisas de intenções de voto no Recife, a história promete se repetir. Dileto amigo e aliado do presidente Lula, cuja popularidade no Nordeste registra os maiores índices, e com alta aprovação pessoal em todo o Estado, Campos até agora não conseguiu fazer deslanchar a candidatura a prefeito de seu aliado João da Costa (PT), que também conta com o apoio da máquina da prefeitura, hoje nas mãos do petista João Paulo. Pior: além de não ter conseguido até agora colocar a azeitona na empada do seu candidato a prefeito, que tem como vice Milton Coelho, do PSB, Campos corre o risco de ver a prefeitura da capital ir parar nas mãos de um dos seus principais adversários em outubro.

De acordo com a última pesquisa do Ibope, o ex-governador Mendonça Filho (DEM) aparece na liderança, com 30% das preferências, seguido por Carlos Cadoca (PSC), com 22%. Só então aparece João da Costa (PT), com 20%. Mais atrás, com 7%, figura o deputado Raul Henry (PMDB). Os correligionários de João da Costa apostam numa reviravolta do quadro quando mudar o horário da novela. Ou seja, quando começar o horário eleitoral gratuito no rádio e na tevê. O petista terá o maior tempo de propaganda eleitoral – nove minutos e 37 segundos, contra quatro minutos e 33 segundos de Cadoca e três minutos e 49 segundos de Mendonça Filho. A propaganda no rádio e na tevê começa a partir do dia 19 de agosto. Mas Campos, embora tenha se comprometido com Lula a entrar de corpo e alma na campanha de João da Costa, reconheceu em conversa com interlocutores durante a semana que a disputa será mesmo complicada no Recife. “A parada vai ser dura”, admitiu o presidente nacional do PSB. “No Recife, o povo não é bobo, não é tolo, não é inocente. O povo sabe quem tem capacidade e quem está na asa de outra pessoa. Não vai votar porque fulano é afilhado de sicrano, porque o prefeito indicou uma pessoa”, ensina o ex-governador e senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que apóia Raul Henry, outro que também não decolou nas pesquisas.

Outro revés para o candidato de Campos no Recife foi a decisão anunciada por Lula, no último mês, de que ele ficará ausente dos palanques nas capitais em que disputarem mais de um candidato da base governista. Na capital do Estado, o outro candidato da base aliada de Lula é Carlos Cadoca, hoje em segundo nas intenções de voto. Quer dizer, com Lula fora do palanque no primeiro turno, quem terá a missão de levantar a candidatura de João da Costa no Recife é Eduardo Campos, ao lado do atual prefeito João Paulo, do PT. “Dudu” – maneira carinhosa com que o presidente trata o governador de Pernambuco – precisará ter habilidade de enxadrista se quiser mudar a história no Recife e evitar que a oposição triunfe mais uma vez na capital do Estado.

 

24/7/2008


 
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