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Medicina & Bem-estar  
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Decisão radical
Nos Estados Unidos, cresce o número de mulheres que tiram os seios para evitar o câncer. No Brasil, muitas já optam por isso

RENATA CABRAL

Prevenir antes que o pior aconteça. Esta máxima da cautela está sendo obedecida por um número significativo de mulheres assustadas com a possibilidade de desenvolver câncer de mama. Por via das dúvidas, elas optam pela decisão radical de tirar os seios como forma de evitar a enfermidade. A escolha vem sendo feita entre integrantes de dois grupos: o daquelas que apresentam o perfil de risco (carregam genes associados à doença e têm casos na família) mas não estão doentes e o das pacientes portadoras do tumor em estágio inicial. Entre estas últimas, o crescimento do interesse pela cirurgia de retirada total das mamas, chamada mastectomia, acaba de ser registrado em um estudo da Clínica Mayo, uma das mais renomadas dos Estados Unidos. O trabalho revelou o aumento de 13% de 2003 para cá na quantidade das que preferiram a operação ao tratamento mais usado, que retira as células tumorais mas preserva os seios.

O problema é que nem mesmo a mastectomia afasta o fantasma para sempre. A operação reduz a incidência da doença em cerca de 90%, mas ainda restam 10% de chance de o tumor aparecer ou ressurgir. Isso porque é impossível retirar todas as células da mama, e o perigo pode residir justamente em uma das que sobraram. "E o câncer começa a partir de uma única célula", explica Ricardo Chagas, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia.

A cirurgia deve ser considerada por mulheres sadias apenas quando apresentarem condições genéticas que aumentam em até 80% as chances de desenvolver a doença. A suspeita é levantada quando há casos de tumor de mama ou ovário em várias gerações da família, principalmente em parentes de primeiro grau com menos de 50 anos. É o caso da família da terapeuta paulistana Deborah Lavoura, 40 anos, na qual nove mulheres foram afetadas pelo câncer de mama. Três - sua mãe, a avó materna e uma de suas seis irmãs - faleceram devido ao mal. Deborah, então, decidiuse pela cirurgia. "Havia uma bomba-relógio em meu corpo. E não pensei apenas no meu sofrimento, mas no de toda a família", ressalta ela, que é casada e mãe de um menino de oito anos.

Apesar de não ter casos na família, a empresária paulistana Elisa Ohnuki, 52 anos, também sofria ao receber os resultados de suas mamografias semestrais. Por ter tendência a fibrose, suas mamas apareciam com aspecto irregular nos exames. E a ansiedade pelo resultado agravava seu problema de hipertensão. Ela procurou uma alternativa que diminuísse sua angústia. "Hoje estou tranqüila e satisfeita", diz.

Com a mastectomia, a mulher perde a sensibilidade erógena do seio e a chance de amamentar, dois símbolos de feminilidade. Mas as mamas podem ser reconstruídas, na mesma operação, por um cirurgião plástico. Em geral, o resultado estético é positivo. "Porém a recuperação é mais demorada e dolorida", pondera Luiz Henrique Gebrim, da Universidade Federal de São Paulo.

FOTOS: KARINA BÚRIGO/AG. ISTOÉ
ATITUDE Deborah (à esq.) tinha casos da doença na família. Elisa sofria com exames que mostravam irregularidades nas mamas. As duas resolveram tirar os seios
 

24/7/2008


 
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