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Cultura  
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Duchamp, o curador
MAM-SP comemora 60 anos com Marcel Duchamp, que quase foi curador da mostra inaugural do museu

Por PAULA ALZUGARAY

O impasse se deu nos primeiros dias de outubro de 1948, ano da inauguração do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Setenta e uma obras, selecionadas em Nova York por um trio de importantes agentes artísticos, que incluía ninguém menos que o artista Marcel Duchamp (1887-1968), estavam encaixotadas e prontas para embarcar para São Paulo, onde integrariam a mostra Do figurativismo ao abstracionismo. Mas Francisco Matarazzo Sobrinho, presidente do futuro MAM, acabava de ser notificado do sumiço do responsável financeiro da exposição - um certo René Drouin - com os valores que pagariam a participação americana na mostra. O calote histórico veio à tona recentemente em tese da pesquisadora Regina Teixeira de Barros e foi assimilada pela atual curadoria do MAM-SP, que decidiu marcar o início dos eventos comemorativos dos 60 anos do museu com duas mostras sobre Duchamp.

SUCCESSION MARCEL DUCHAMP, 2008, ADAGP/PARIS, AUTV
MINIATURA DE MUSEU Caixa-valise tem reproduções das principais obras

O JOGO COMO ARTE Em 1957, o artista passa a dedicar-se ao xadrez

Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra "de arte" dá conta das diversas facetas do artista que deu um xeque-mate na idéia tradicional de obra de arte e que, nos últimos anos de vida, trocou a atividade artística pelo jogo de xadrez. Estão representados na mostra o Duchamp contestador, que promoveu objetos comuns à categoria de arte (os readymades); o artista-cineasta, que fez filmes e objetos óticos; o artista experimental, que trocou o suporte tradicional da tela pelo vidro e pela instalação; o copista, que reproduzia as próprias obras em réplicas numeradas. Não fosse seu ativismo pelo fim da originalidade da obra de arte, não teríamos hoje a Fonte (1917), a Roda de bicicleta (1913), O grande vidro (1915-23), ou a Caixa-valise (1942), em duas exposições simultâneas. As mesmas obras expostas no MAM estão também na mostra Duchamp, Man Ray, Picabia, no Museu Nacional D'Art de Catalunya. São todas réplicas "originais".

Mas o que a exposição apresenta de novo é a função de Duchamp como curador. Durante 30 anos, ele trabalhou na concepção de pelo menos dez mostras coletivas dos surrealistas. "Ele soube, antes que muitos outros, que a maneira como um objeto é mostrado e o contexto de sua exibição afetam o entendimento que o público tem da obra", afirma a curadora americana Elena Filipovic, responsável pela retrospectiva com 120 obras. Na Sala Paulo Figueiredo, a mostra Duchamp-me, com curadoria de Felipe Chaimovich, também se refere ao Duchamp curador: estabelece conexões entre um experimento ótico que ele realizou em Buenos Aires, com obras de artistas brasileiros do acervo do MAM e com a curadoria de arte abstrata jamais realizada. "A idéia é reconhecer as heranças deixadas na América do Sul", diz Chaimovich, que expõe uma carta redigida de próprio punho por Duchamp para Cicillo.

Roteiros
Situações-limite

Nem só do corpo vive a performance. O gênero, um dos mais ativos da atualidade, faz-se de todo tipo de desafios e experiências limítrofes. Inclui-se aí a queima de carros de luxo, como a realizada pelo grupo dinamarquês Superflex. O vídeo Burning car (abaixo) será exibido na Verbo, evento anual dedicado à performance que, este ano, terá também seminário, curso e vídeos.


Circuitos no mundo
Reescrever a história

De um lado, Lygia Clark, Jesús Rafael Soto, Antonio Dias, Julio Le Parc. De outro, os "ocidentais" Ellsworth Kelly, Sol LeWitt, Dan Flavin, Richard Serra. Por que a arte latinoamericana sempre foi considerada um caso à parte da historiografia da arte ocidental? A mostra coloca cara a cara os acervos das coleções Daros e Daros Latinamerica para redescobrir o que elas têm em comum. "A exposição convida a repensar a história da arte: será que certos artistas europeus realmente não conheciam a arte latino-americana?", questiona Eugenio Valdés Figueroa, curador da sede da Casa Daros Latinamerica, que será inaugurada em 2009 num casarão de 11 mil metros quadrados, em Botafogo, no Rio.

As pesquisas espaciais da brasileira Lygia Clark (esq.) antecedem em alguns anos o minimalismo do americano Ellsworth Kelly

11/7/2008


 
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