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 EDIÇÃO EXTRA 12/09/2001
Massacre  

Terror reflete no Brasil
Inflação de setembro se tornou imprevisível e o dólar
só parou de subir com intervenção do BC

Liana Melo

Ricardo Fasanello
O presidente da Bolsa do Rio acredita que tudo depende da reação do presidente Bush

O presidente Fernando Henrique Cardoso já fez o alerta: os atentados dos Estados Unidos vão afetar a economia brasileira. Ontem, o dólar fechou a R$ 2,66, graças à suspensão dos negócios, às 11h15. “O governo determinou uma intervenção do Banco Central para acalmar a situação financeira”, disse o presidente. A inflação, medida pelo Índice Geral de Preços, divulgada ontem (e mensalmente) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), recuou 0,90% em agosto, mas o desenrolar dos fatos é imprevisível em razão dos acontecimentos nos Estados Unidos, como é imprevisível calcular a inflação de setembro ou do final do ano. “O Brasil é parte do sistema mundial e pode vir a ser direta ou indiretamente afetado por essas turbulências e pelas dificuldades que eventualmente venham a surgir na área econômica”, disse o presidente.

O mundo da economia estremeceu, a insegurança tomou conta dos mercados e os analistas estão preferindo esperar a fumaça baixar para fazer previsões macroeconômicas de médio e longo prazos. “A única consequência que dá para prever agora é que o mundo entrará num período de incerteza”, diz o diretor do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Paulo Levy. O economista acredita que, a partir de agora, os investidores priorizarão os ativos mais seguros, o que poderia gerar uma aversão generalizada aos títulos dos países emergentes. Se essa previsão vier a se confirmar, poderá haver um aumento do custo do endividamento externo desses países, inclusive o do Brasil. Levy diz que tudo vai depender da reação do governo americano.

O presidente da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e também da Comissão Nacional das Bolsas de Valores, Carlos Alberto Reis, estava perplexo. “Não tenho bola de cristal, mas geralmente o mercado de ações costuma aproveitar as oportunidades para realizar seus lucros”, analisa. Reis acredita que, com uma resposta violenta como bombardeios a países árabes, papéis atrelados ao petróleo e a produtos siderúrgicos e de mineração tendem a subir porque a escassez do petróleo valoriza o produto e uma guerra aumenta a demanda por produtos siderúrgicos e de mineração. Ele não acredita em novas desvalorizações do real, já que a moeda americana virou alvo de ataques e a economia americana vinha dando sinais de desaceleração.

O economista Aloísio Araújo, da FGV do Rio de Janeiro, por sua vez, acha que a situação do Brasil ficará ainda mais complicada: “Como o Brasil é um país devedor no mercado internacional, existe a possibilidade de um futuro aumento da taxa de juros lá fora pressionar o custo da nossa dívida.” Sem falar, ele diz, numa retração do fluxo dos investimentos externos, já que a taxa de risco Brasil tende a crescer.


Por Maurício Bernis
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