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Terror
reflete no Brasil
Inflação
de setembro se tornou imprevisível e o dólar
só parou de subir com intervenção do BC
Liana
Melo
| Ricardo
Fasanello |
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O presidente da Bolsa do Rio acredita que tudo depende da
reação do presidente Bush
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O presidente Fernando Henrique Cardoso já fez o alerta:
os atentados dos Estados Unidos vão afetar a economia brasileira.
Ontem, o dólar fechou a R$ 2,66, graças à suspensão
dos negócios, às 11h15. O governo determinou
uma intervenção do Banco Central para acalmar a situação
financeira, disse o presidente. A inflação,
medida pelo Índice Geral de Preços, divulgada ontem
(e mensalmente) pela Fundação Getúlio Vargas
(FGV), recuou 0,90% em agosto, mas o desenrolar dos fatos é
imprevisível em razão dos acontecimentos nos Estados
Unidos, como é imprevisível calcular a inflação
de setembro ou do final do ano. O Brasil é parte do
sistema mundial e pode vir a ser direta ou indiretamente afetado
por essas turbulências e pelas dificuldades que eventualmente
venham a surgir na área econômica, disse o presidente.
O mundo da economia estremeceu, a insegurança tomou conta
dos mercados e os analistas estão preferindo esperar a fumaça
baixar para fazer previsões macroeconômicas de médio
e longo prazos. A única consequência que dá
para prever agora é que o mundo entrará num período
de incerteza, diz o diretor do Instituto de Pesquisa Econômica
e Aplicada (Ipea), Paulo Levy. O economista acredita que, a partir
de agora, os investidores priorizarão os ativos mais seguros,
o que poderia gerar uma aversão generalizada aos títulos
dos países emergentes. Se essa previsão vier a se
confirmar, poderá haver um aumento do custo do endividamento
externo desses países, inclusive o do Brasil. Levy diz que
tudo vai depender da reação do governo americano.
O presidente da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e também
da Comissão Nacional das Bolsas de Valores, Carlos Alberto
Reis, estava perplexo. Não tenho bola de cristal, mas
geralmente o mercado de ações costuma aproveitar as
oportunidades para realizar seus lucros, analisa. Reis acredita
que, com uma resposta violenta como bombardeios a países
árabes, papéis atrelados ao petróleo e a produtos
siderúrgicos e de mineração tendem a subir
porque a escassez do petróleo valoriza o produto e uma guerra
aumenta a demanda por produtos siderúrgicos e de mineração.
Ele não acredita em novas desvalorizações do
real, já que a moeda americana virou alvo de ataques e a
economia americana vinha dando sinais de desaceleração.
O economista Aloísio Araújo, da FGV do Rio de Janeiro,
por sua vez, acha que a situação do Brasil ficará
ainda mais complicada: Como o Brasil é um país
devedor no mercado internacional, existe a possibilidade de um futuro
aumento da taxa de juros lá fora pressionar o custo da nossa
dívida. Sem falar, ele diz, numa retração
do fluxo dos investimentos externos, já que a taxa de risco
Brasil tende a crescer.
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