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 EDIÇÃO EXTRA 12/09/2001
Massacre  

Inferno nas torres
Eram 43 mil janelas, 220 elevadores, 400 empresas e 50 mil funcionários. O cartão-postal da opulência americana foi escolhido a dedo

João Paulo Nucci

Reuters
Os prédios de 110 andares viraram escombros

Quando viu o complexo World Trade Center (WTC) finalmente erguido em Nova York – após sete anos de obras –, seu criador, o arquiteto americano Minoru Yamasaki, definiu-o como símbolo vivo da dedicação do homem à paz. As torres gêmeas representariam a “crença na humanidade, a busca do homem por sua dignidade individual e sua capacidade de encontrar a grandeza através da cooperação”. O sonho de Yamasaki literalmente virou pó. Os prédios de aço ruíram e levaram consigo a opulência econômica americana. A idéia de construir o complexo foi do banqueiro magnata David Rockefeller, que queria revitalizar a área sul de Manhattan, em acentuada decadência, com algo impactante. Erguido com US$ 1 bilhão, o World Trade Center – um megacondomínio de escritórios com 339 unidades espalhadas por 101 países – foi inaugurado em 1973, a poucas quadras de Wall Street, o coração financeiro do país. Suas torres de 417 e 415 metros e seus 110 andares ocupavam a quarta e a quinta posições entre os edifícios mais altos do mundo. Antes de sucumbir ao atentado de terça-feira 11, o WTC já tinha sido vítima de outro ataque terrorista. Em fevereiro de 1993, uma bomba matou seis pessoas e deixou centenas feridas.

Tudo no WTC tinha proporções monumentais. Ali estavam instaladas cerca de 400 empresas e escritórios de 25 países. Dez deles eram brasileiros. Cerca de 50 mil pessoas trabalhavam no complexo e outras 90 mil o visitavam diariamente. As torres eram servidas por 220 elevadores e 43,6 mil janelas para observar uma das mais belas vistas da cidade. O complexo abrigava outros cinco prédios, um deles era um hotel de 22 andares, operado pela empresa Marriott. A lista de inquilinos era vasta. Só o banco de investimentos Morgan Stanley possuía 3.500 funcionários no local e era dono de 12,5% da área útil. Outros ocupantes ilustres eram o Deutsche Bank e o Credit Suisse First Boston. Na terça-feira explosiva, nenhum dos bancos conseguiu obter informações precisas sobre o destino de seus empregados.

Sipa Press

Os ataques terroristas provocaram uma pane nos sistemas de comunicação do país, isolaram os americanos do mundo e congestionaram a conexão da aldeia global. Por medida de segurança nacional, a comunicação por telefones fixos foi interrompida. Os celulares também saíram do ar devido ao excesso de ligações. As filas nos orelhões eram quilométricas. Tentar se conectar com os Estados Unidos também foi uma tortura. No Brasil, o tráfego de ligações efetuadas pela operadora Intelig foi 15 vezes superior ao normal e apenas 27% das chamadas foram completadas. Durante três horas, o volume de ligações foi equivalente ao tráfego de dois dias. Entre 11h e 12 h, logo após os atentados, a Embratel registrou o total de um milhão de chamadas e abriu uma linha direta para Nova York.

Fora do ar – O pânico e a procura por informações congestionaram a internet. Sites de notícias como a emissora de tevê CNN e os jornais Financial Times e New York Times saíram do ar ou ficaram lentos. No Brasil aconteceu o mesmo. Boa parte dos portais da internet foram obrigados a diminuir o peso de suas páginas para suportar o tráfego de internautas. Idealizada para possibilitar uma comunicação ininterrupta e sem ruídos, a internet deixou muita gente frustrada. “Não há como se preparar para eventos completamente anômalos como esses”, reconhece Mike Smart, editor de mídia do site inglês de notícias BBC News, que operou em marcha lenta.

A dificuldade mais dramática para obter informações veio do próprio WTC. Durante toda a terça-feira, a analista de sistemas brasileira Magaly Nunes Azevedo tentava, de sua casa, em Winnipeg, no Canadá, restabelecer a comunicação entre os dez computadores da rede que faz o controle de alarme e de fluxo de funcionários, a pedido de Andrew Thomas, um dos prestadores de serviço responsáveis pela segurança dos edifícios administrativos. Integrante da equipe criadora do sistema de segurança do prédio, Magaly e seu colega Thomas são os únicos que possuem o mapa com a arquitetura completa da rede de computadores. “Tentamos fazer uma espécie de maquiagem para que os sistemas de controle administrativo, como as redes de tevê, de alarme, de entrada e de saída de funcionários voltassem a funcionar”, disse a ISTOÉ, em entrevista por telefone.

Colaboraram: Natália Rangel Azevedo e Valéria Propato

 


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