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Inferno
nas torres
Eram
43 mil janelas, 220 elevadores, 400 empresas e 50 mil funcionários.
O cartão-postal da opulência americana foi escolhido a dedo
João
Paulo Nucci
| Reuters |
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Os prédios de 110 andares viraram escombros
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Quando viu o complexo World Trade Center (WTC) finalmente erguido
em Nova York após sete anos de obras , seu criador,
o arquiteto americano Minoru Yamasaki, definiu-o como símbolo
vivo da dedicação do homem à paz. As torres
gêmeas representariam a crença na humanidade,
a busca do homem por sua dignidade individual e sua capacidade de
encontrar a grandeza através da cooperação.
O sonho de Yamasaki literalmente virou pó. Os prédios
de aço ruíram e levaram consigo a opulência
econômica americana. A idéia de construir o complexo
foi do banqueiro magnata David Rockefeller, que queria revitalizar
a área sul de Manhattan, em acentuada decadência, com
algo impactante. Erguido com US$ 1 bilhão, o World Trade
Center um megacondomínio de escritórios com
339 unidades espalhadas por 101 países foi inaugurado
em 1973, a poucas quadras de Wall Street, o coração
financeiro do país. Suas torres de 417 e 415 metros e seus
110 andares ocupavam a quarta e a quinta posições
entre os edifícios mais altos do mundo. Antes de sucumbir
ao atentado de terça-feira 11, o WTC já tinha sido
vítima de outro ataque terrorista. Em fevereiro de 1993,
uma bomba matou seis pessoas e deixou centenas feridas.
Tudo no WTC tinha proporções monumentais. Ali estavam
instaladas cerca de 400 empresas e escritórios de 25 países.
Dez deles eram brasileiros. Cerca de 50 mil pessoas trabalhavam
no complexo e outras 90 mil o visitavam diariamente. As torres eram
servidas por 220 elevadores e 43,6 mil janelas para observar uma
das mais belas vistas da cidade. O complexo abrigava outros cinco
prédios, um deles era um hotel de 22 andares, operado pela
empresa Marriott. A lista de inquilinos era vasta. Só o banco
de investimentos Morgan Stanley possuía 3.500 funcionários
no local e era dono de 12,5% da área útil. Outros
ocupantes ilustres eram o Deutsche Bank e o Credit Suisse First
Boston. Na terça-feira explosiva, nenhum dos bancos conseguiu
obter informações precisas sobre o destino de seus
empregados.
| Sipa
Press |
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Os ataques terroristas provocaram uma pane nos sistemas de comunicação
do país, isolaram os americanos do mundo e congestionaram
a conexão da aldeia global. Por medida de segurança
nacional, a comunicação por telefones fixos foi interrompida.
Os celulares também saíram do ar devido ao excesso
de ligações. As filas nos orelhões eram quilométricas.
Tentar se conectar com os Estados Unidos também foi uma tortura.
No Brasil, o tráfego de ligações efetuadas
pela operadora Intelig foi 15 vezes superior ao normal e apenas
27% das chamadas foram completadas. Durante três horas, o
volume de ligações foi equivalente ao tráfego
de dois dias. Entre 11h e 12 h, logo após os atentados, a
Embratel registrou o total de um milhão de chamadas e abriu
uma linha direta para Nova York.
Fora do ar O pânico e a procura por informações
congestionaram a internet. Sites de notícias como a emissora
de tevê CNN e os jornais Financial Times e New York
Times saíram do ar ou ficaram lentos. No Brasil aconteceu
o mesmo. Boa parte dos portais da internet foram obrigados a diminuir
o peso de suas páginas para suportar o tráfego de
internautas. Idealizada para possibilitar uma comunicação
ininterrupta e sem ruídos, a internet deixou muita gente
frustrada. Não há como se preparar para eventos
completamente anômalos como esses, reconhece Mike Smart,
editor de mídia do site inglês de notícias BBC
News, que operou em marcha lenta.
A dificuldade mais dramática para obter informações
veio do próprio WTC. Durante toda a terça-feira, a
analista de sistemas brasileira Magaly Nunes Azevedo tentava, de
sua casa, em Winnipeg, no Canadá, restabelecer a comunicação
entre os dez computadores da rede que faz o controle de alarme e
de fluxo de funcionários, a pedido de Andrew Thomas, um dos
prestadores de serviço responsáveis pela segurança
dos edifícios administrativos. Integrante da equipe criadora
do sistema de segurança do prédio, Magaly e seu colega
Thomas são os únicos que possuem o mapa com a arquitetura
completa da rede de computadores. Tentamos fazer uma espécie
de maquiagem para que os sistemas de controle administrativo, como
as redes de tevê, de alarme, de entrada e de saída
de funcionários voltassem a funcionar, disse a ISTOÉ,
em entrevista por telefone. 
Colaboraram: Natália Rangel Azevedo e Valéria Propato
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