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E S P E C I A L
“O pior erro é a omissão”
A educação dos filhos virou um bicho-de-sete-cabeças para os pais que, por medo de parecer caretas e autoritários, nem sempre conseguem impor limites a eles. A consequência é um convívio tenso e angustiante. O educador e psicólogo Antônio Carlos Egypto, que aborda há mais de 20 anos essa questão, diz que aos pais cabe passar os seus valores, princípios e normas. Deixar claro em que eles acreditam. “Mesmo que o garoto desqualifique essa opinião, está assimilando modelos. É uma referência indispensável”, afirma. A escola deve ser o espaço para contato com outras realidades. É onde o adolescente compara e reflete sobre seus valores. Egypto denuncia uma falsa leitura da psicologia de que a frustração pode traumatizar a criança. “Pequenas frustrações são importantes para o amadurecimento. O garoto tem que saber que não pode tudo.” Não é obrigatório, ao contrário do que é divulgado, que todo adolescente seja rebelde e faça a casa cair todos os dias. “Se a criança conversa com os pais desde pequena, vai continuar agindo assim na adolescência. As relações não podem esfriar só porque não há concordância de idéias”, explica. Isso não quer dizer que o pai tem de saber de cada passo do filho adolescente. Principalmente quando se fala em sexo e drogas. Um controle exagerado pode fazer o tiro sair pela culatra. A pressão de um lado e a busca de identidade do outro podem transformar a transgressão na forma preferida de auto-afirmação. A angústia paterna pode ser aplacada com muita orientação, observação e confiança. “A família tem de estar atenta a qualquer mudança de hábitos. E ser extremamente acolhedora. A omissão é o pior erro”, afirma Egypto. Leia também: Festas, só com os pais Não é mole!
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