Gisele Vitória
Gisele Vitória é jornalista, diretora de núcleo das revistas ISTOÉ Gente, ISTOÉ Platinum e Menu e colunista de ISTOÉ

"Sou noiva em fuga"

Onipresente em São Paulo e no Rio de Janeiro, Sabrina Sato brilhou. É fato: não tem mais quem a supere na batalha das musas do Carnaval.

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Onipresente em São Paulo e no Rio de Janeiro, Sabrina Sato brilhou. É fato: não tem mais quem a supere na batalha das musas do Carnaval. Houve quem dissesse que ocupou definitivamente o trono deixado por Luma de Oliveira. Rainha das baterias da Gaviões da Fiel e da Vila Izabel, a musa arrebatou o público nos dois sambódromos. Sabrina começou cedo a maratona carnavalesca, em São Paulo, ainda recebendo felicitações pelo seu aniversário de 35 anos. O ex, João Vicente de Castro, foi o primeiro a telefonar quando ela ainda descansava em casa, em meio a dezenas de buquês de flores e presentes. “Ele ligou 23h59”, ria a apresentadora da Record, no seu primeiro pit-stop, no camarote Bar Brahma. “Sou noiva em fuga, meu bem. Quando a coisa começa a ficar séria, eu fujo do compromisso”, brincou ela, enquanto comentava, com olhos nipo-dissimulados, as incansáveis investidas do humorista do Porta dos Fundos por uma reconciliação.

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Travessia

Nem os problemas de saúde e a dificuldade de locomoção lhe tiraram o ânimo de ir ao sambódromo de São Paulo. Homenageado pela escola Tom Maior, Milton Nascimento passou pelo Camarote Bar Brahma e contou da emoção de ser tema de enredo:

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ISTOÉ – O que mais o emocionou ao ver sua história na avenida?
Milton – 
Tudo! Não esperava. Fiquei de uma maneira que nem imagina. Quando ouvi o samba enredo, foi uma emoção que já nem sei mais o que faço da minha vida (risos). Foi uma das coisas mais lindas que ouvi.

ISTOÉ – E o momento de crise e corrupção? Acha que o Brasil tem jeito?
Milton – 
Se não tivesse, eu já não estaria mais aqui (risos). Claro que o Brasil tem jeito. A questão é que vai demorar um pouquinho, mas tem jeito sim. E é Carnaval... quero sair daqui ainda pulando e cantando... 

Campeã com fé

O canto de fé da menina dos olhos de Oyá levou a Mangueira à vitória do Carnaval 2016, após 14 anos de jejum. Mas, para a homenageada, Maria Bethânia, viver a experiência de ser campeã nem mesmo lhe ocorreu enquanto desfilava na Marquês de Sapucaí, na segunda-feira 8. “Não pensei nisso”, disse a cantora. Preferiu tentar descobrir por que foi a escolhida. “Por que a Mangueira pensou em mim? Acho que não sou eu, o enredo da Mangueira, é a Menina dos Olhos de Oyá. É o meu orixá. Lindo a Mangueira me escolher nessa representação.” Com Bethânia, Mangueira “é” mais que um canto de fé, como no velho samba. 

 

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Axé contra virose

A maratona do carnaval baiano  acabou mais cedo para Ivete Sangalo. A diva do axé precisou interromper a agenda em Salvador por conta de uma virose e uma infecção intestinal. “Estou bem”, postou ela, na cama de sua casa.  Por isso, Ivete não participou do tradicional arrastão da Quarta-Feira de Cinzas. Decidiu se cuidar para o show que faz em um camarote no Rio de Janeiro, no sábado 13.

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“Surreal”

Tim Burton se jogou na Sapucaí. “É a coisa mais surreal que eu já vi. Nada ultrapassa o surrealismo do Carnaval”, disse. Dali (sim, como um Salvador Dali), ele tirou a melhor impressão da primeira vinda ao Brasil. “É um país artístico. É senso comum dizer isso, mas é apaixonante. Estou feliz de estar aqui”. O cineasta quer conhecer José Mojica Marins, o Zé do Caixão. “Eu o assistia nos Estados Unidos. Era como uma alucinação, e o que me impressionava é que mostravam de dia na tevê”. Tão surreal quanto o Carnaval, só mesmo “o teste de Michelle Pfeiffer para a Mulher Gato”. Para o diretor de “Edward Mãos de Tesoura”, foi um dos momentos mais impressionantes que ele viu em uma atriz: “ Foi quando ela colocou um pássaro vivo na boca e ele saiu voando”. A cara dele...

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Luxo de R$ 70 mil

A fantasia de R$ 70 mil transformou Paloma Bernardi em loura-Rapunzel, arrastando madeixas platinadas e esvoaçantes no desfile da Grande Rio, no sambódromo carioca. Com um longo aplique para representar o troféu Teresa Herrera, conquistado pelo Santos em 1959 na Espanha, a atriz foi rainha da bateria da escola, que homenageou a cidade de Santos, na Marquês de Sapucaí. “Estava representando o grande troféu da bateria. Toda trabalhada em ouro!”, brincou Paloma, que trocou a Globo pela Record para estrear como vilã na nova novela bíblica da emissora,  “Josué e a Terra Prometida”, que sucede “Os Dez Mandamentos”.  “Pela primeira vez, me vi loura e adorei!”, disse.  A fantasia foi criada pela estilista Michelly X. “Ela arrasou. Era uma fantasia moderna e diferente.” Luxo para cair na folia.

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Au revoir

Enquanto o Cônsul Geral da França em São Paulo, Damien Loras, abriu o desfile da Vai Vai, que celebrou o país com o enredo “Je suis Vai Vai”, sua mulher, Alexandra Loras, esbanjou simpatia no abre-alas da escola paulistana. Convidado do CEO da AccorHotels, Patrick Mendes, no camarote Bar Brahma, o casal está de malas prontas. Damien confessou-se triste em deixar, em agosto, o Brasil, onde vive desde 2012. Novo destino? “Indonésia, talvez, ou algum lugar da Europa”. Com chave de ouro, au revoir. 

 

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Camarote cidade maravilhosa ISToÉ

Verde, rosa e careca

A porta-bandeira da Mangueira virou símbolo da escola campeã e deu o tom da vitória verde e rosa. Squel surpreendeu ao aparecer careca no papel de filha de santo. Porém, era ilusão de ótica: a sambista não raspou o cabelo. Ela usou uma imperceptível touca de látex. 

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Deixa o bloco passar

No camarote Cidade Maravilhosa/ISTOÉ, o presidente da Embratur, Vinícius Lummertz se divertiu, mas não tirou a cabeça dos problemas. Na área dos investimentos, diz que o chamado custo Brasil “tem que sair da frente para os negócios passarem.”

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As primas alemãs

A atriz Sílvia Buarque de Hollanda apresentou o Carnaval carioca às duas primas que foram descobertas quando seu pai, o cantor Chico Buarque, pesquisava a existência de parentes na Alemanha para o livro O Irmão Alemão, lançado ano passado. “Kerstin é filha do meu tio (Sérgio Ernest, que morreu antes de Chico localizá-lo) e a Josepha é filha dela”, explicou Silvia. Kerstin é vendedora de loja e Josepha é bióloga. Elas estavam encantadas com a folia carioca e acompanhavam a prima brasileira na torcida pela Mangueira, que acabou vencendo. “É a escola do coração, onde desfilei junto com Tom Jobim quando homenagearam meu pai”, contou Sílvia.  

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Doente do pé

Não foi fácil para o prefeito Eduardo Paes (PMDB) comandar o Carnaval carioca com uma bota robocop no pé direito, fraturado quando ele dançava em uma festa de fim de ano, na prefeitura. Mas o prefeito esforçou-se para não integrar o bloco doente do pé. Afinal, Paes gosta de samba.

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Desfilou na Portela, beijou mão de porta-bandeira e visitou camarotes. Na foto abaixo, confraterniza-se com Caco Alzugaray, presidente executivo da Editora Três, o deputado federal Carlos Sampaio, líder do PSDB na Câmara, e o jornalista Chico Pinheiro. Paes defendeu a folia de Momo: “Tem gente que acha Carnaval supérfluo. Não só é a mais forte manifestação da nossa identidade cultural como aquece a nossa economia.” O prefeito rasga a fantasia em sua página no Facebook: “Que orgulho governar uma cidade que tem Mangueira, Portela, Salgueiro, Imperatriz e outras tantas agremiações!” Para ele, o Carnaval 2016 no sambódromo foi “o mais bonito de todos.”  

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Tudo ou nada

Em clima de “Ou Tudo Ou Nada”, a peça que protagoniza no Rio, a atriz Patrícia Faria curtiu o Carnaval no camarote Cidade Maravilhosa/ ISTOÉ, e disse que o momento brasileiro é caótico e bom, ao mesmo tempo. “Corrupção sempre existiu. Precisávamos encarar isso para reprovar fortemente. Estamos tomando consciência, acredito que vamos votar melhor”, disse ela, acompanhada do marido, o empresário Wagner Pontes. A próxima temporada do espetáculo será em São Paulo.

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Quase...

Por um décimo a luxuosa águia da Portela não voou para o título de campeã do carnaval carioca. Obteve a mesma pontuação da Unidos da Tijuca, mas ficou em terceiro no desempate. O enredo que cativou o público fala sobre voar nas asas da poesia. 

 

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"A Mangueira merece"

O cantor Zeca Pagodinho, que desfilou na Portela, está sempre deixando a vida levá-lo. Portelense de coração, não se deixou abater porque a escola não levou a taça. Ele falou à ISTOÉ sobre seu novo projeto, um DVD para apresentar os parceiros, entre eles o autor do samba “Deixa a vida me levar”, sucesso em sua voz:

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ISTOÉ – Gostou do resultado do Carnaval?
Zeca Pagodinho - 
Bem bacana, a Mangueira merece. Mas o meu resultado é que estou empenado de tanto andar naquela avenida (Sapucaí) para cima e para baixo. Acabou comigo!

 

ISTOÉ – Quais são os planos para 2016?
Pagodinho - 
Sou de paz e amor. Não gosto de briga. Quero que o ano seja de luz para todos. Estou animado, vou trabalhar com amigos. Vou reunir os compositores com quem gravo e apresentar no DVD “Quintal do Pagodinho”, que será gravado em Xerém (RJ). Tem gente que acha que a música “Deixa a vida me levar” é minha, e não é. O autor é o Serginho Meriti. São meus amigos, quero mostrar a cara deles. Viraram artistas e não me pedem mais dinheiro para consertar a geladeira... (risos)

Abrindo alas... e as bolsas de apostas

O bicampeão olímpico do vôlei Maurício Lima trocou Salvador, onde costuma passar o Carnaval, pelo Rio. Ele desfilou pela União da Ilha, com enredo sobre os jogos olímpicos. “Espero que, de legado, tenhamos, no mínimo, transporte, saúde e segurança melhores. Participei de cinco olimpíadas e sei como é importante esse retorno”, lembra o atleta. E faz suas previsões para o vôlei: “Espero de quatro a seis medalhas, mas não digo se serão de ouro. No vôlei masculino temos um time muito bom, mas não é favorito.” 

 

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Só na grade 

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) sentou-se sobre uma grade do camarote Cidade Olímpica para ver bem de perto a sua escola, a Mangueira, que ganhou a disputa. Mas seu principal objetivo era apoiar o “lançamento popular” de um candidato em outro tipo de disputa: Pedro Paulo, de seu partido, que concorre na briga pela prefeitura do Rio nas eleições deste ano. 

 

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Mulher Melão funkeira

Ela nasceu na Sapucaí, como costuma dizer. “Em 2008, eu saí no abre-alas da Vila Isabel com os seios maiores do que o carro alegórico. Fiquei famosa!”, diverte-se Renata Frisson, conhecida como a Mulher Melão. De lá para cá,  virou funkeira e, agora, anuncia que vai gravar uma música nova este ano. “O funk ganhou força e respeito”, diz a musa da Grande Rio e rainha da bateria da Inocentes de Belford Roxo, onde desfilou com uma fantasia de cristais Swarovski. “Custa mais que um carro importado”, advertiu. Renata causou espanto ao despir-se para trocar de roupa na dispersão da Sapucaí, logo após dar seus últimos passos para a plateia na Praça da Apoteose. Seus “nudes”, a Mulher Melão postou sem medo ser feliz nas redes sociais. 

 

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