Leonardo Attuch

A guerra contra o mosquito

Emergência global, o zika pode atingir 1,5 milhão de pessoas no Brasil e não haverá uma vacina tão cedo

O retorno da presidente Dilma Rousseff a um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, na última quarta-feira, foi marcado também pela volta de panelaços e buzinaços em algumas regiões do País, embora de forma mais restrita do que nas ocasiões anteriores. Dilma pediu licença para entrar na casa dos brasileiros para tratar de um tema emergencial, o combate ao zika, mas ainda assim foi alvo de protestos.

A guerra ao mosquito Aedes egypti, transmissor do zika e também da dengue, deveria ser um fator de convergência nacional. Basta citar alguns números. Segundo a Organização Mundial de Saúde, que classificou a questão como emergência global, cerca de 1,5 milhão de brasileiros serão afetados pela doença nos próximos quatro anos. Além disso, já foram reportados cerca de 3,5 mil casos de microcefalia em bebês associados ao zika, especialmente em Pernambuco, local mais afetado, e em outros estados do Nordeste e do Norte.

Os números, no entanto, são apenas o aspecto quantitativo do problema. Já há registros de inúmeros abortos clandestinos, e muitos deles realizados por mães desesperadas, que abriram mão dos fetos antes mesmo de constatada a microcefalia. O correto seria permitir abortos legais, mas depois de diagnósticos precisos sobre a presença do vírus.

Há ainda o aspecto econômico. Diversos países já emitiram alertas para que seus turistas, especialmente as gestantes, evitem viajar para regiões afetadas pelo zika. Uma péssima notícia para um país que está prestes a receber os Jogos Olímpicos de 2016. Há ainda a suspeita de que o vírus também pode ser transmitido em relações sexuais, o que amplia significativamente o escopo do problema.

O plano de guerra do governo federal prevê que 220 mil soldados do Exército atuem nas regiões mais afetadas, com poderes até para invadir residências com suspeitas de focos do mosquito. Neste momento, o máximo que se pode fazer é conscientizar a população e combater todos os possíveis focos de água suja e parada onde o Aedes se desenvolve. Até porque uma vacina, que poderá surgir de uma cooperação entre Brasil e Estados Unidos, não estará disponível em menos de três ou quatro anos.
 


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