Leonardo Attuch

Política piora, mas economia melhora

Em meio à guerra em torno do impeachment, Petrobras dispara e construtoras poderão ser preservadas

Não resta dúvida de que a prisão de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, coloca a crise política num novo patamar. A partir de agora, os partidos da oposição, como PSDB, DEM, Solidariedade e PPS, se movimentarão com muito mais desenvoltura na tentativa de criar as condições políticas e jurídicas para um eventual pedido de impeachment. Líderes mais exaltados dessas agremiações, como Rubens Bueno (PPS/PR), Ronaldo Caiado (DEM/GO) e Carlos Sampaio (PSDB-SP), já falam até em extinção do PT, como se um partido que concentra o poder federal, cinco governos estaduais e mais de 700 prefeituras pudesse simplesmente ser banido da vida política nacional.
Paradoxalmente, no entanto, os sinais da economia já começam a melhorar. Embora o próprio governo admita que a economia deverá retroceder em 2015, caindo 0,9%, com inflação acima da meta, rodando a 8%, o fundo do poço já foi atingido. Dados do Banco Central divulgados na última semana revelaram que, em fevereiro, a prévia do PIB apontou uma surpreendente alta de 0,36%, quando os analistas esperavam recuo de 0,20%.

As notícias mais importantes, no entanto, vêm da Petrobras.

Sob a gestão de Aldemir Bendine, as ações da companhia simplesmente dispararam em abril, acumulando alta de mais de 40%, quando ficou claro que a empresa publicará seu balanço e retomará condições adequadas de financiamento.

Não por acaso, a entrada de capital estrangeiro na BM&F Bovespa somou mais de R$ 4 bilhões na primeira quinzena de abril.

Além disso, o setor de engenharia e óleo e gás poderá se recuperar. Isso porque, na quarta-feira, uma decisão do Tribunal de Contas
da União deu mais segurança aos acordos de leniência que já vêm sendo negociados por empresas como SBM, OAS, Engevix, UTC
e Galvão Engenharia. Isso significa que, por mais duro que tenha sido o golpe da Lava Jato, as empresas sobreviverão, preservando empregos e tecnologia.

O futuro do governo Dilma, numa equação complexa como a atual, depende de um equilíbrio entre essas duas variáveis: a política e a economia. Enquanto uma piora, a outra melhora. Só não se sabe se na velocidade necessária para acalmar as tensões sociais de um Brasil em ebulição. 


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