Leonardo Attuch

Brasil, Israel e os anões morais

Ninguém tem feito tanto pelo antissemitismo que se alastra quanto Netanyahu

Israel tem hoje um grande inimigo, com armas de destruição em massa. É um inimigo interno, com potencial para destruir seu próprio Estado. Seu nome é Benjamin Netanyahu. Sim, desde a Alemanha nazista, ninguém tem promovido o antissemitismo que se alastra ao redor do mundo quanto o primeiro-ministro israelense, que ocupa o cargo desde 2009 e, desde então, tem ampliado a segregação do povo palestino e ignorado todo e qualquer esforço pela paz.

Na mais recente escalada de violência, Netanyahu liderou atrocidades que, tivessem sido cometidas por qualquer outro líder mundial, o colocariam na lata de lixo da história e nos tribunais penais internacionais por crimes de guerra. Em seu incessante banho de sangue da operação “Margem Protetora”, Netanyahu foi capaz de bombardear um hospital e até mesmo uma escola da Organização das Nações Unidas que abrigava refugiados na Faixa de Gaza. Atitudes que deixaram o secretário-geral Ban Ki-moon “estarrecido” e que devem motivar uma investigação aprofundada das Nações Unidas por crimes de guerra.

O apoio incondicional de aliados como Estados Unidos e Inglaterra ao “direito de Israel se defender” alimentou a ilusão, em Netanyahu, de que ele teria salvo-conduto para assassinar civis impunemente, incluindo mulheres e crianças. Ocorre que o apoio a Israel é cada vez mais pesado em sociedades abertas e democráticas. Haverá um dia em que será tão insustentável quanto o apoio que os mesmos americanos e ingleses, com a ajuda de Israel, concederam ao apartheid na África do Sul – aliás, apartheid é uma palavra até moderada para definir o que os israelenses fazem em relação aos palestinos.

Foi exatamente nesse contexto que a diplomacia brasileira, responsável pelo primeiro voto para a criação do Estado de Israel, mas sempre fiel às questões humanitárias, se levantou contra a barbárie liderada por Netanyahu. A nota, que condena a desproporcionalidade da reação ao Hamas, veio em boa hora e deve servir de alerta ao mundo civilizado com uma mensagem clara de que não há mais espaço, no século XXI, para genocídios.

Patética foi apenas a reação do governo de Israel, por meio do porta-voz Yigal Palmor, que chamou o Brasil de “anão diplomático” e ironizou a derrota da Seleção Brasileira por 7 a 1 na Copa do Mundo, que seria “desproporcional”. Comparar um jogo de futebol à matança de mulheres e crianças revela apenas que, a Israel, faltam argumentos e que suas lideranças decidiram jogar no time dos anões morais. 


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