Ricardo Boechat
Com Ronaldo Herdy

Ao pé do ouvido

Renan Calheiros tem dado atenção máxima ao que José Sarney lhe diz. A tal ponto que foi do ex-presidente a sugestão para que não rompesse com o governo, como fez Eduardo Cunha, apesar da mágoa de ambos com o Planalto

Renan Calheiros tem dado atenção máxima ao que José Sarney lhe diz. A tal ponto que foi do ex-presidente a sugestão para que não rompesse com o governo, como fez Eduardo Cunha, apesar da mágoa de ambos com o Planalto. O ex-presidente tem lá os seus defeitos, mas também experiência de gestão, conhece as entranhas do Poder Judiciário e pensa o Brasil como República. Político e moderado, Sarney jamais dirá a alguém com responsabilidade pública para ser incendiário ou pular no abismo.

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Empresas
Voo seguro

Na contramão do azedo ambiente institucional, em São José dos Campos, na Grande São Paulo, cidade que sofreu forte esvaziamento de empresas nos últimos anos, 50 postos de trabalho estão sendo criados em planta da TecPlás, indústria de alta tecnologia. Os R$ 2 milhões em investimentos são fruto do Programa de Crescimento da Cadeia Aeronáutica. Criado pela Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial, inspirada em iniciativa da Embraer de 2011, envolve 70 empresas fornecedoras e já treinou 2.400 pessoas.

Medicina
Alta necessária

Nem só da economia vem más notícias. Despencaram no primeiro semestre as doações de órgãos no País – queda da ordem de 10%. Caso a situação dramática não mude, irão crescer as filas por transplante de rim, córnea, fígado, pulmão, coração e pâncreas, hoje com cerca de 32 mil pessoas. Um plano de mobilização foi iniciado pela ABTO, entidade máxima no tema. “Precisamos rápido de um exército de pessoas que pensam em doações” diz o presidente da associação, José Medina, certo de que o número de mortes no País não baixou da casa de dois dígitos, como ocorreu com os transplantes.

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Agências reguladoras
Saia justa

Aprovado pelo Senado para a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, cargo para o qual teve como padrinho o senador Renan Calheiros, Fernando Mendes ameaça não tomar posse. Está inconformado em cumprir o restante do mandato do ex-diretor Jaime de Moura, que renunciou em março, e não os três anos inteiros da gestão. Com o impasse, o Planalto segurou o decreto da nomeação de Mendes na semana passada. Detalhe: a regra, justa ou injusta, vigora para situações iguais nas outras agências reguladoras.

Indústria
Menos fumaça

Nos três primeiros meses de 2015, quando se observa o desempenho das indústrias de cigarro, constata-se que a produção foi menor em 58 milhões de embalagens para o mercado interno – em relação ao período janeiro-março de 2014. Ainda assim saíram das fábricas 461,8 milhões em maços e embalagens com 20 unidades. Ao que parece, as campanhas contra o tabaco surtem cada vez mais efeito – ou a população se viu forçada a cortar até o número de tragadas.

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Economia
Enigma da esfinge

Parte 1: o nome do patrono da mudança da política econômica tem quatro letras, voz roufenha e mora em SP. Difícil? Parte 2: o abandono da meta fiscal foi motivado por – a) radical mudança das ideias de Joaquim Levy – b) nostalgia da presidente Dilma da era Guido Mantega – c) pesquisa encomendada pelo Palácio prevendo o aniquilamento do PT, nas eleições de 2016, caso a política restritiva não fosse alterada. Responda o leitor A, B, C ou todas as opções anteriores.

Brasil
Em alta

Faxina na Esplanada dos Ministérios. Além dos 266 servidores públicos expulsos nos primeiros seis meses deste ano, segundo a Controladoria Geral da União, outros 11.560 respondem a algum processo disciplinar no Poder Executivo. Como em média 34% dos processos resultam em ao menos uma condenação, o número de afastamentos compulsórios na administração pública federal vai ainda crescer até dezembro. Vale lembrar que os dados da CGU não incluem os inquéritos que correm nas estatais, onde também é grande a quantidade de sindicâncias.

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PT
O ocaso da estrela

Pesquisa do Instituto Gerp feita no Rio de Janeiro, de 16 a 19 de julho, incluiu uma pergunta sobre o Luiz Inácio Lula da Silva, a pedido da ISTOÉ. Nada menos que 47% dos 400 entrevistados disseram acreditar que o petista vai disputar as eleições para o Planalto em 2018. Mas 68% declararam que não votarão em Lula. Os cariocas também estão infelizes com Dilma Rousseff. Em julho, a média de avaliação da presidente bateu 1,63%, numa escala de 1 a 5 – descendo portanto mais em relação a junho (1,72%) e maio (2,49%). A desaprovação de seu governo está agora em 89%.

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Mercado
Nada de rusgas

No Congresso Brasileiro do Aço, na semana passada, o diretor e economista chefe do Bradesco, Octávio de Barros, mostrou que os executivos de banco não apostam na cultura do quanto pior, melhor. “As pessoas precisam entender que quanto pior, pior”. A seguir colocou um slide de Power Point com as fotos de Joaquim Levy e Nelson Barbosa, “Esses dois não podem se desentender”. A plateia concordou, aplaudindo.

Energia
Mistério

A razão é um mistério. Mas partiu da Eletrobrás a ordem para o Consórcio Xingu, formado por Furnas e Eletronorte, não participar do leilão para contratação do segundo sistema de transmissão da energia a ser gerada pela hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. O pregão foi vencido pela State Grid Brazil Holding, empresa chinesa que junto com a Copel está atrasada em construir linhão semelhante para integrar
a energia da Hidrelétrica de Telles Pires (MT) ao sistema nacional.

Parapan
É recorde

O Brasil levará 270 atletas para a disputa dos Jogos Parapan-Americanos de 2015. A maior delegação nacional em evento do gênero supera a dos anfitriões canadenses. O grupo viaja no sábado 1º. Em Guadalajara, há quatro anos, ficamos em primeiro lugar no quadro de medalhas (197).

Internacional
Finalmente

Oito anos depois, a Corte Interamericana de Direitos Humanos julgou no mês passado o processo da não renovação da concessão em canal aberto da Rede de Televisão Privada RCTV, da Venezuela. A canetada do então presidente Hugo Chávez passou pelo crivo de sete juízes no mês passado e o veredito será conhecido no final de agosto. O caso envolve direitos fundamentais e só foi adiante por interferência dos EUA. O ex-secretário-geral da entidade, Miguel Insulza, em 2007, tratou o problema com panos quentes.

Pan
Litígio musical

O Pan de Toronto que terminou neste domingo 26 foi reprovado por diversos comitês olímpicos no quesito sonoro. Reclamações contra as abreviações do hino nacional de vários países, quando tocados nas cerimônias de premiação, com cortes abruptos nas estrofes. O curioso neste caso é que tais versões são submetidas aos chefes de delegação, no caso brasileiro o ex-jogador de vôlei Bernard Rajzman. Também gerou chiadeira a patriotada dos anfitriões canadenses, deixando seu hino no ar por mais tempo do que os dos outros países.

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Fotos: Adriano Machado/AG. ISTOÉ; Shutterstock; ROBERTO CASTRO; Carlos Vieira/CB/D.A Press; Hiago Bernardes/Frame/Folhapress 


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