Leonardo Attuch

O terno de Lula

Eike Batista pagou R$ 500 mil por ele. Depois, embolsou mais alguns milhões do generoso BNDES

– Alô, alô, Eike? Aqui quem fala
é o Wanderley Nunes, o cabeleireiro da primeira-dama. Vou promover um leilão beneficente para as crianças da favela de Paraisópolis, em São Paulo,
e quero que você compareça.
– O Lula vai?
– Vem sim.
– Se ele for, eu também vou.
Horas depois, o telefone toca de novo na casa do bilionário carioca.
– Alô, Eike? Aqui é a Marisa Letícia, a primeira-dama. Espero você no leilão do Wanderley.
– Com certeza, estarei lá.

Lula não foi. Mas, no ponto alto da noite da última terça-feira, o leiloeiro exibe a principal atração do evento:
o terno usado pelo presidente Lula na sua primeira posse, em 2003. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três... e a peça de roupa é comprada por Eike por R$ 500 mil, que serão destinados à Escola do Povo Dona Marisa Letícia.

Dono de uma fortuna de US$ 30 bilhões, Eike Batista já não fala mais em ser o homem mais rico do mundo. Repaginado e com uma volumosa franja, fruto de um implante ou de uma nova peruca, ele agora quer ser lembrado como o homem mais generoso do planeta. Uma missão difícil, pois quem tem sido bem mais mão aberta do que ele nos últimos tempos é o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. No dia do leilão beneficente, ele liberou um empréstimo de R$ 146,5 milhões para que o empresário carioca reforme o Hotel Glória, palco dos grandes encontros do high society de outrora. Como o dinheiro subsidiado do banco custa 6% ao ano, bastaria aplicar durante 12 meses num título do próprio governo, que paga 10,75%, para lucrar R$ 7 milhões – o suficiente para a compra de 14 ternos usados por Lula.

E considerando que Eike já levantou R$ 4 bilhões no BNDES nos últimos dois anos, daria até para construir um gigantesco guarda-roupa refrigerado, com 800 peças presidenciais.

O terno de Lula, na verdade, é o espelho dos tempos atuais. Um tempo em que o povão anda feliz com a nova onda de prosperidade e a elite perdeu de vez as estribeiras – como no último baile da Ilha Fiscal, os ricos andam degustando faisões, bebendo litros de champanhe e fumando charutos enrolados em notas de dólares. Nesse novo Brasil, a filantropia já não se pratica de forma discreta. É um esporte exibicionista, que não respeita nem mesmo o preceito bíblico de que a esmola não deve ser trombeteada. Ou, ainda, de que a mão direita não deve saber o que faz a esquerda. Pode-se até ouvir o som dos violinos da orquestra do Titanic. Não se sabe se há um iceberg diante do navio. Mas a imagem do terno de Lula boiando no oceano talvez seja o símbolo do fim de uma era.


publicidade

José CArlos

EM 25/08/2010 18:02:34

Realmente, neste País sem memória, não importa como você ficou milhonário.


Gerson

EM 25/08/2010 10:01:12

O articulista pode até estar correto, porém não deve se esquecer do fato de Madonna ter levado do empresário cheque dezenas de vezes maior. Em relação ao Lula : o comentarista mantém o que escreveu na edição 2095, pg 36 de 06/01/2010 ?


TENENTE ALBUCACIS

EM 24/08/2010 20:45:04

" M P P " DEPOIS DESSE SEU ULTIMO COMENTARIO NÃO RESTAM MAIS DUVIDAS " VOCE DEU E TEM DADO O "RADIO" PARA O EIKE. AFINAL OO "RADIO" É SEU E VOCE DA PARA QUEM VOCE QUIZER. TCHAU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


mpp

EM 24/08/2010 16:19:56

Deixem de inveja, a começar pelo colunista. O Eike é rico mesmo, sabe investir. O LULA é o melhor Presidente dos últimos 50 anos. Falar mais o que? Aceitem, fiquem felizes e não saiam destilando veneno em tudos/odos. Cuidado com o fígado... ou querem ir no caminho de fhc/serra? Admirem os bons, tá?


Claudemir

EM 23/08/2010 21:57:19

Esta revista não é séria mesmo! É incrível como é parcial. Faz pensar que até tem matérias pagas.


índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

© Copyright 1996-2011 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.